<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731</id><updated>2011-06-04T21:07:10.006+01:00</updated><title type='text'>Azure.Place.</title><subtitle type='html'>Encoste-se e aperte o pause, aqui o timing é outro: Você não há de achar sentenças e sim períodos, frases que vão falar talvez da inteligência, talvez da ingenuidade de um amador. Pode apoiar o queixo nas mãos para acompanhar, se quiser, isso conforta. Optando por não ler mais, descanse. Toda linguagem e toda intenção só são válidas se forem recebidas. Este é um espaço de troca:  Algumas impressões anotadas da vida por um clique no ar. E estamos (reticentemente) conversados.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-3031096623854052143</id><published>2008-12-10T02:54:00.002+01:00</published><updated>2008-12-10T03:22:46.036+01:00</updated><title type='text'>Me explica.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Não me contaram, e eu não sabia, que as histórias terminam. Não me disseram que o recomeço era isso, essa profusão de afinidades aleatórias jogadas no vento arredio das semanas passadas. E então, era pedra. E então, é grão de areia no fundo da luz fria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Falta não soma, ausência não se toma como personagem para se contar uma história - e isso também ninguém me disse... Logo, essa narrativa é inenarrável, são palavras soltas, figuras plenas em olhos tristes ora alegres, o som do que eu não disse, integridades incompletas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Quem sou eu agora? Sim, agora agora, mesmo, à meia-noite. Três horas antes das três da manhã ou tanto tempo depois daquele dia em que eu... em que eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Quem sou eu agora, que não me dou sequer mais o direito de ser ridículo, de chorar as mesmas pedras pelos rumores do que me foi dito, de me considerar desimportante - sofrendo por isso - diante do silêncio no que &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; me foi dito, de me humilhar repetindo tantos milhares de vezes o que eu sinto, de cuspir aos quatro ventos o que é viver uma história inenarrável?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Um possível exemplo em livros de psicanálise. Lacaniana, Winnicott, fenomenologia. Quem sou eu agora? Alguém que escuta música e ainda abraça bichos de pelúcia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Ninguém nunca me disse que numa certa altura não há mais o que dizer. Que numa certa altura a gente se cala antes do medo da resolução, da frieza de uma descoberta, do anseio por um afago. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Ninguém nunca me disse que o resto, o vestígio, a sombra, é um emaranhado de sons surdos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;(E eu sinto tanto que me desmancharia em átomos).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-3031096623854052143?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/3031096623854052143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=3031096623854052143' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3031096623854052143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3031096623854052143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/12/me-explica.html' title='Me explica.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-347298727786498359</id><published>2008-09-27T00:09:00.003+01:00</published><updated>2008-09-27T01:55:44.931+01:00</updated><title type='text'>Além do Mississippi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Buckley, você morreu com mais ou menos a minha idade, há mais ou menos dez anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como se eu estivesse vivendo um ritual que ensaia uma novidade há muito tempo anunciada, me pegar no flagra contando os pormenores da última década, misturados com as lembranças dos vinte e poucos anos, tem sido um motivo de análise e frustração, vontade e embargo mudo, cansaço e consciência. Mas além dessas coisas, o melhor dos motivos para esperar que algo de excludentemente importante esteja às vésperas de acontecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Algo como a morte? Não sei se é isso não. Ao longo desses dez últimos anos eu morri tantas vezes que não poderia deixar de contar com cada uma dessas passagens como um assunto corriqueiro nos entremeios dessa trajetória aqui... Cara, como eu fui histriônico, exagerado... Como eu fui jovem e não tinha me dado conta. Como é que eu não atingiria qualquer sentimento especialmente refinado olhando de manhã todas essas notas de falecimento: Diego morre de susto aos 21, de indignação aos 22, de estagnação aos 23. Morre sufocado aos 24, de trabalhar aos 25. Morre por alguém aos 26, e morreria mais algumas vezes aos 27, 28, 29. Morre de fotossensibilidade ao cruzar de avião o deserto do Saara, morre andando na margem do Tâmisa, com a Suzanne Versteeg entregando a ele, de graça, ingressos para a Virginia Woolf no National Theatre. Morre descendo a pé a torre, sozinho, em noite de chuva. Ao ler Dostoiévski a primeira vez, o primeiro e-mail que recebeu dele, cheio de medo e confiança, depois de uma noite mal dormida. Morre num assalto, espancado por três filhos da puta que vinham se esgueirando à toa à caça do alívio da própria miséria, de reação alérgica, de gripe, de desastre. Morre fotografando Lille à tarde, preso pela polícia, revistado à luz do dia como um imigrante ilegal em qualquer país meio antipático.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O meu rio Mississippi, Jeff, foi a casa dos vinte. Me despi na margem dele como quem tira a roupa, mesmo, para uma noite de sexo com alguém que já conhece muito bem, enfeitiçado. Entrei na água assoviando jazz, passei por &lt;em&gt;Dream a Little Dream Of Me&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Your Cloud&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Fuck the Pain Away&lt;/em&gt; e me afoguei, engolindo tanta água quanto fosse possível encher um mar de palavras-pérolas soltas tanto aos porcos quanto aos poetas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Durante essas viagens pelos últimos anos, fico pensando no que será que você viu debaixo d'água: Luz, estrelas, breu total ou palavras? Talvez tenha composto em três segundos &lt;em&gt;aquele&lt;/em&gt; som, aquela obra-prima que só você vai conhecer e mais ninguém. No meu mergulho eu fiz vários deles e muita gente viu, muita não viu, mas isso é normal, porque no mundo tem muita gente que vê e muita gente que se recusa a ver qualquer coisa diferente do mundinho delas. O que importa é que, meu irmão, eu vou sentir saudades de fazê-los se eu me cansar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outro dia estava num show aqui com amigos em volta e pensei: "Cara, eu gosto de rock. Eu gosto disso. Eu gosto dessa geração, desses cabelos, gritos, sintetizadores... Eu gosto de guitarra."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O fato é que, aos trinta, vamos ser tão capazes de dançar quanto aos vinte, com uma parcimônia diferente daquela, mas tão finamente entregues ao exato fluir do som, esse som como uma linha imaginária a ser seguida por passos livres, que o mundo que está fora do corpo parece extensão do que a gente é, e isso, essa energia que brota de não sei onde na massa viva dessas pessoas, me comove a ponto de querer aproveitar os meandros de uma unidade vital. Eu não conheço os meus amigos tão bem quanto eu poderia. Não conheço. Não descobri ainda tantas filosofias de vida quantas deveria. Há uma desistência defensiva na geral, um cansaço e uma angústia que pairam nas zonas escuras de um show de rock: você pode não ver essas coisas, nem exatamente escutar, mas sabe que elas saem à noite para conhecer outras pessoas, se desvencilham de si mesmas por um tempo e voltam para casa depois. Você sabe do que eu estou falando, é um poeta, é músico...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas o barato é esse: Acho que dez anos depois o afastamento da angústia dos vinte te permite olhar para ela como algo até legal, se você está com a cabeça numa boa. As angústias dos amores se transformam em coisas engraçadas, é um &lt;em&gt;dejà vu&lt;/em&gt; sem fim que nem sabe como parar, essa incerteza do que fazer no futuro,  essa sucessão de frases "&lt;em&gt;estou confusa/o&lt;/em&gt;"... Céus! Há que se rir de algo, que tenhamos força para fazer com que seja exatamente disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outras vezes, a sensação é a de que eu dormi ao longo desses anos. Me pego revirando fotos na Internet, textos que ficaram obscuros, lembro de contatos desaparecidos e pesquiso as idades das celebridades internacionais no imdb. "Como assim a Meryl Streep está com 59? Como assim Magnólia já tem 10 anos de idade? Como assim a Angélica se formou?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como assim você morreu? Velho, &lt;em&gt;como assim eu estou com trinta&lt;/em&gt;? Passou rápido (sinal de que foi bom), passou loucamente (sinal de que foi vivido, e não desperdiçado), veio feito uma adolescência tardia e quer saber? Ainda bem que essa década já está indo para as cucuias, porque eu não tenho mais estômago para &lt;em&gt;pertencer&lt;/em&gt; aos vinte e poucos, só para &lt;em&gt;assistir&lt;/em&gt; a eles &lt;em&gt;nos outros&lt;/em&gt;. Chega de pimenta no meu olho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Too young to hold on and too old to break free and run.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Li essa frase agora e me veio na garganta um alívio, mas também uma pontinha nostálgica de vontade de chorar.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Puta que pariu, meu velho... De repente, depois de tantas fugas, tantos palcos, tantas cartas, brigas e todas essas letras desesperadas de canções contraditórias, eu afinal admito: não me identifico mais com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-347298727786498359?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/347298727786498359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=347298727786498359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/347298727786498359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/347298727786498359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/09/alm-do-mississippi.html' title='Além do Mississippi'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-807814862475236031</id><published>2008-05-26T00:12:00.002+01:00</published><updated>2008-05-26T02:41:25.166+01:00</updated><title type='text'>Incidente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quando você é atropelado, a primeira coisa em que você pensa é na exata inutilidade da fantasia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu estava escutando &lt;em&gt;Metric&lt;/em&gt;, andando vão como eu tenho andado, e não via nada em frente senão os meus próprios pés pisando as rachaduras dessas calçadas esburacadas daqui. Às vezes eu odeio esse lugar como alguém que quer pisar na areia, na grama ou na água, como a mais simples e direta fuga do que a gente - as gentes - faz todos os dias nos mesmos horários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Imaginava a minha fantasia do momento: um novo vídeo. Um vídeo que eu faria para você ver, disfarçadamente. Usando a sonoridade insólita, que remete a uma sensação qualquer de longínquo, dos primeiros segundos da &lt;em&gt;Empty. &lt;/em&gt;O vazio, o meu empty traduzido em acordes e luzes tão fortes que comoveriam a uma Emily Haines descafeinada, descocainada e a ti mesmo, por que não - ainda?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O primeiro baque foi resultado de um tropeço rápido no meio-fio (Kassab e suas fantasias imperiais romanas), o segundo foi o ganido de um pneu me estourando nos ouvidos, o terceiro me arrancou do chão pelas duas coxas e me jogou ao quarto deles, quando eu dei com a testa em algum vidro tão duro que não consegui nem ver se ele rachou. No final do último deles, o quinto, eu estava inteiro de costas no chão e era como se a integridade da minha alma, no sentido físico (ou metafísico) estivesse adensada no primeiro centímetro do meu corpo em contato com o asfalto. Foi como me afundar em mim. Nunca antes eu tinha imaginado o quanto pesa a minha alma: Toda a sensação era tão plúmbea e cansada que eu não conseguia fazer o menor dos esforços para levantar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Alguém gritou alguma coisa. Ouvi um homem pedir para chamarem uma ambulância, senti por perto um alvoroço, uma mística sobre a morte, um pânico idiossincrático metropolitano escapando pelos pulmões dos outros no sentido do medo. Um medo, talvez, da morte de si mesmos, da morte das coisas citadinas, do cotidiano. Eu olhava o céu, e ele estava azul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um dos dois fones não saiu do meu ouvido e o cd sequer parou de tocar, só voltou a faixa. Os trinta segundos iniciais da &lt;em&gt;Empty&lt;/em&gt; eu os queria mais longos que trinta minutos, tão perfeita era a simetria entre o sol, que eu via brilhar no azul por trás das cabecinhas silhuetadas que me olhavam, e aquele som estranho e enluarado vindo do fone, como uma sublinha preta e reta para um traçado feito de luz. Nada que nos impedisse de refletir, e eu fiz isso, sobre a semelhança entre a palavra "sol" e a palavra "som": uma letra para isolar o aspecto fônico do fótico, os dois tão imutáveis, mas também tão permeáveis quanto eu sentia agora a minha alma concentrada nas costelas: Será que a alma da gente é, afinal, uma mistura de som com luz? Será que é isso também a memória?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu me lembrei do seu sorriso me vendo deitado e dizendo que eu parecia um bichinho. Será que nessa situação eu ainda pareceria um? Um coala, um cãozinho (sei que eu vou ser sempre  associado aos pequenos e gentis), um ursinho? Quis rir quando me vi panda, mas não me deixei ser um cavalo, jamais, não com essa deselegância manchando o meu signo chinês. Mas eu acho mesmo que em circunstâncias naturais você diria: "Ah, Diego, você está tão engraçadinho deitado assim, com um fone só e essa mochila na cabeça... Parece um bichinho. Ah você é tão bobo, Diego." E me faria cócegas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Me perguntaram se eu estava bem e eu disse que sim, mas que queria ficar deitado um pouco mais. Alguém paternal a ponto de acreditar que eu não estava me divertindo com a inutilidade da fantasia e sobre a insolubilidade da tragédia. Mas eu não ia morrer, eu soube desde o primeiro baque que não, aquilo era visivelmente - não sei como ninguém via isso em volta - um parêntese no meu romance, antes mesmo do capítulo em que entram minha mãe ou o Ricardo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"É por causa desses fones, essas coisas tiram a atenção da gente, esses fones, esse fone aí dele. Tira isso."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que não me tirassem o fone do ouvido, eu mandei. Estava escutando e aquilo me acalmava. Não queria ninguém metendo a mão no que estava na &lt;em&gt;minha&lt;/em&gt; orelha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tive vontade de pedir para que algum deles em volta fizesse algo de realmente útil e te contasse que eu pedi aos meus amigos daí que não me falassem mais de você. Sim. Que não me dessem mais notícias se te vissem em qualquer lugar da face da terra, que não citassem mais o seu nome a não ser que ele fosse também emprestado a outra pessoa, que pertencesse a um homônimo que não passe mesmo de um homônimo, que dissessem isso sabendo e deixando claro que eu fechei os ouvidos para a realidade na intenção quase consciente de poder fantasiar escutando &lt;em&gt;empty &lt;/em&gt;ou qualquer outra música, imergindo no meio vazio das (talvez nossas) vidas contornadas por tantos barulhinhos, guitarras e &lt;em&gt;synthesizers:&lt;/em&gt; sintetizadores de qualquer aventura que se perdeu profundamente ao sair da sua boca para a minha, da minha para a sua, em qualquer beijo ou alguma das outras coisas que a gente já fez usando os lábios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quis pedir para que alguém te dissesse o quanto eu desejei, diariamente, essas mesmas notícias. Tudo é uma questão de conceito sobre a felicidade: me sentiria feliz e triste se soubesse que você está feliz, mas me sentiria triste se soubesse que não está. Se não soubesse de nada, a felicidade e a tristeza se conceituariam, ao menos, na fantasia, na criação, mesmo que inútil e apesar de bela. Eis então que o pára-choque de um carro une dentro de mim o sol e o som, unta os pensamentos sobre a falta que eu faria a você - e a todos eles também - e a ausência em que me jogaria a falta da música, do cinema, da fotografia, e me remete às suas novidades.  Que outros novos álbuns você teria para me indicar, que outras histórias para me contar, que filmes estaria você descobrindo. Será que mais que eu? (Impossível: o som e o sol são presentes na minha vida hoje como personagens cruciais na narrativa e eu tenho descoberto tudo o que posso sobre todas as coisas com a voracidade de um culturete do Espaço Unibanco.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;The police and the private. &lt;/em&gt;A sirene da ambulância. Passos correndo, andando, línguas falando de mim, olhos nunca tão inocentes a ponto de não me julgarem por algo. Eu nunca imaginei que um dia seria vestido de tragédia do dia-a-dia e isso, como outros desastres, nunca ninguém vai tirar de mim. E agora viriam as&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; carícias salvadoras no hospital, licença médica, gessos, presentes, sopas de legumes, visitas. "Ele vem?" Eu me perguntaria sem perguntar a ninguém, como eu sempre me pergunto tudo sem perguntar a ninguém, porque esse &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; não seria de outra conta senão da minha, mesmo sabendo que na realidade não é nem da minha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um avião cortou o céu quando chegaram com a maca e me tiraram os pés do chão. O fone veio junto, estava preso à minha orelha por um resquício de sangue coagulado. Senti sono e Emily cantava... Com os olhos fechados, me vi, ouvi e senti dentro do avião, flutuando para algum lugar azul, claro, tão ensolarado quanto eram os seus olhos. Quando você é atropelado, a última coisa em que você pensa é na exata inutilidade da fantasia. Depois disso o sono termina de te atropelar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Lord lord mother, you're all losing love&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Lord listen lover, you're all missing mama&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Lord lord mother, you're all losing love&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Lord listen lover, you're all missing something I don't got.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-807814862475236031?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/807814862475236031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=807814862475236031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/807814862475236031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/807814862475236031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/05/incidente.html' title='Incidente'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-7354102757124554924</id><published>2008-05-17T16:22:00.003+01:00</published><updated>2008-05-17T16:31:57.481+01:00</updated><title type='text'>Frases fugidias.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Todos os dias elas vêm, do nada, chegam trazendo uma quebra na sintaxe dos pensamentos associados e acabam indo embora rápido, depois de uma noite de sono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A mais recente delas foi ontem e era interessante, melodiosa, magnética feito um título de filme dos anos 40... E sei lá eu para onde foi, diluída em frustração como tantas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu ia dedicá-la a você, que não me tem perdido de vista, mas esqueci. Na próxima eu devo lembrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-7354102757124554924?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/7354102757124554924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=7354102757124554924' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7354102757124554924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7354102757124554924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/05/frases-fugidias.html' title='Frases fugidias.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-2208989992401022763</id><published>2008-05-09T04:54:00.003+01:00</published><updated>2008-05-09T05:00:25.108+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu tentei, mas não consegui. Juro que tentei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desculpas, as mais sinceras. Procura se lembrar sempre da Cabiria.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-2208989992401022763?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/2208989992401022763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=2208989992401022763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/2208989992401022763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/2208989992401022763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/05/eu-tentei-mas-no-consegui.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-7977990302625536901</id><published>2008-02-24T12:43:00.004+01:00</published><updated>2008-02-24T14:05:03.726+01:00</updated><title type='text'>Ninguém vai me fazer voltar. (Under Weird Fishes/Arpeggi)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;Estou me mudando de casa hoje. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Decidi encaixotar e empacotar tudo o que eu tenho para levar comigo e vou fazer uma caixa especial para as coisas que você me deu. Essas não vão comigo, vão ficar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A experiência do luto pode ser algo de profundamente irônico, principalmente quando a morte não encerra alguma entidade plenamente viva ou qualquer coisa mais contundente que 27 dias. Às vezes eu penso: "Meu Deus do céu... A gente teve três anos para viver vinte e sete dias..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Deve ter existido algo de especialmente memorável nesses dias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O que mais me choca é perceber que as minhas reações sucessivas, nesse momento que beija a sensação mortificante ao meu redor, estão me lançando numa espécie de buraco negro interior... Não reconheço mais ninguém entre os meus, não quero a companhia dos meus amigos, não quero família ou algo que o valha por perto e nunca estive tão abissalmente sozinho-no-meu-quarto, mas dessa vez é por opção. Todos se transformaram em peixes esquisitos no meu aquário, enquanto eu renego e rejeito uma série de coisas que talvez nem eu mesmo saiba mais quais são.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Alguém já deve ter dito que a morte guarda a vida tanto quanto o fim gera um começo. Talvez isso seja até um clichê, mas eu nunca tinha parado para pensar nisso como agora, quando a luz da Toscana apareceu no final da caverna escura em que eu me enfiei...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O quanto de tristeza e dor esse escuro conduz você nunca vai saber, mesmo que já tenha passado por isso um dia. Porque você está sorrindo eternamente na última foto que eu vi e guardei na memória. Sorrindo com timidez e olhando para baixo, como se estivesse envergonhado por ter dito alguma indelicadeza ou simplesmente por estar tão feliz quanto eu ainda quero que você seja, mesmo aqui, sozinho-no-meu-quarto, longe-de-algum-lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vivenciar o luto é lidar com listas, com peixes e com o seu sorriso eternizado. É fazer uma lista das dores do mundo para guardar todas na mesma caixa pequena em que estão as suas coisas, ao som das canções mais tristes do ocidente, debaixo dos olhares que vêm do aquário. E sim, eu reescrevo essas listas diariamente como se elas organizassem motivos contundentes para que eu mergulhe na dor quanto mais ela dói, na crença em que ela vai parar, porque uma hora ela TEM que parar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O tempo é ironia, e me machuca um pouco saber que é dele que eu preciso para me desvencilhar de um sentimento que, em sua origem, era bom, vivo, simples e satisfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Hoje eu me mudo de casa sem levar comigo o que é para ficar aqui, porque aqui estão guardadas as coisas que, de uma forma ou de outra, me expeliram para esse desconhecido que me fascina e incomoda, me seduz e me arranca pedaços consideravelmente grandes para que eu me sinta revitalizado. Isso, por enquanto, eu não consigo de jeito nenhum, porque em mim hoje só existe nudez e vácuo. Não reconheço a chuva lá fora, não sei quem são os peixes que me olham, desconheço a minha casa, não reconheço o amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não sei o que eu vou ser sem mim, nu, distante, mas ainda tão resistente quanto o seu sorriso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-7977990302625536901?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/7977990302625536901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=7977990302625536901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7977990302625536901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7977990302625536901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/02/ningum-vai-me-fazer-voltar-under-weird.html' title='Ninguém vai me fazer voltar. (Under Weird Fishes/Arpeggi)'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-4371180795268872104</id><published>2008-02-04T11:44:00.000+01:00</published><updated>2008-02-04T13:16:44.555+01:00</updated><title type='text'>Noite Branca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Numa noite de sábado trancada do lado de fora do apartamento vazio, eu decidi que morreria. Assim mesmo, de súbito, com as mãos no parapeito, os olhos na paisagem paulistana e os pés fincados na frente da janela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Morreria para o que estaria lá, não para mim. Para os meus pés ainda haveria a Toscana para andar, Paris para os olhos e o olfato, um amor tranquilo para o peito curto e cansado, sete dias em torno de uma orla.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Naquela noite eu tateava sem me mexer para tentar achar aquela mesma nostalgia que eu sentia quando você existia presente na minha consciência: Todas as noites ao sair da faculdade, pensando que eu encontraria você mais adiante no tempo, eu andava pelo frio, debaixo do amarelado dos postes, visitando Brasília em irrealidades íntimas e imaginando seqüências de despedidas em aeroportos latino americanos, &lt;em&gt;Oblivion &lt;/em&gt;tocando longe, &lt;em&gt;Carbon &lt;/em&gt;vinda do céu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Essa nostalgia era o que me movimentava em direção ao que vivia no seu universo, porque ela era espacial, não temporal, trocando em miúdos ela era plena de possibilidades, positiva. Não existia dúvidas em mim sobre o que mais querer diante de tudo o que era tão real, porque o tempo já tinha me dito havia muito que a raridade do bom encontro é um acontecimento, alguma coisa de intrínseca à celebração da vida, e não algo para ser celebrado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Numa noite de sábado trancado do lado de fora da minha nostalgia, eu decidi que morreria. Não para mim mesmo, mas para ela, que parecia não mais me aceitar pleno de amor e de vontade, porque a cada olhar lançado na distância eu percebia em choque que ela tinha deixado de ser espacial para ser, exatamente, temporal. Eu não era mais a falta, eu sentia a falta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por que eu não diria que sentia, então, falta de mim mesmo? Das coisas que eu tinha preciosas dentro do meu peito e entreguei nas suas mãos grandes, longas e de dedos finos, quase sem cuidado, acreditando que você cuidaria delas como cuidaria de qualquer coisa que dizia considerar tão importantes como o sentimento. Me lembro agora de que elas foram sempre minhas, e não suas. Nunca foram suas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O telefone tocava, a luz brilhava lá fora, a lâmpada do quarto queimou e, na tela da TV, o Mastroianni tentava convencer a Maria Schell da sua disponibilidade para fazê-la feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me vi pensando, então, como é bonito esse personagem. Delicado, sincero, apaixonado por ela como se não pudesse sequer visualizar outra história possível dentro da própria trajetória futura. Um solitário da noite, mas antes disso um homem inteiro. Tão completo na sua dignidade como ingênuo na sua bondade - não imagina que, no final, sua companhia vai ser a de um cachorro de rua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E ela, relutante, fragmentada e amargurada, não se permite deixar envolver por alguém que não a leve de volta à sua saudade. Me assisto um pouco em cada um dos dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Numa noite de sábado trancado do lado de fora de mim, eu decidi que me encontraria de novo. Como se tivesse perdido um grande amor - e eu o tinha - minha exaustão já presente, e ainda assim iminente, me abria as portas da Toscana, de um canto hipotético e ainda não conhecido que, de tão meu, me traria de volta os objetos entregues na sua mão daquela vez. O sol voltaria em raios verdes e montes cheios de olivas, eu quereria reaprender a fotografar, a me comunicar e aceitaria enfim o fato de que o que poderia ter sido feito, foi, e em escalas industriais. Quanto tempo levaria? Quantas vezes eu ainda teria que chorar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-4371180795268872104?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/4371180795268872104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=4371180795268872104' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4371180795268872104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4371180795268872104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/02/noite-branca.html' title='Noite Branca'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-3471393506215507657</id><published>2008-01-06T08:09:00.000+01:00</published><updated>2008-01-06T08:34:14.361+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152263014501673650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_XbiTANfb3NY/R4CD6fDBarI/AAAAAAAAAA8/3UiDiypTMy4/s320/deathandpregnant+woman.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje Ricardo me disse: 'Você está precisando agora se lembrar muito bem daquela frase do Querelle que diz: "Todo homem mata aquilo que ama." '&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Ilustração: &lt;em&gt;Pregnant Woman and Death&lt;/em&gt;, Egon Schiele, 1911)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-3471393506215507657?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/3471393506215507657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=3471393506215507657' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3471393506215507657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3471393506215507657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2008/01/hoje-ricardo-me-disse-voc-est.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_XbiTANfb3NY/R4CD6fDBarI/AAAAAAAAAA8/3UiDiypTMy4/s72-c/deathandpregnant+woman.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-8506147525649016016</id><published>2007-12-29T17:26:00.000+01:00</published><updated>2007-12-29T19:58:56.060+01:00</updated><title type='text'>Aquário morto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Imagine-se uma cidade vista da janela do décimo andar, por trás de uma taça de vidro com quatro cubos de gelo exposta no parapeito. Através dela, o mundo parece submerso numa corrente glacial qualquer, delicado como se pudesse se quebrar a qualquer sopro morno e azulado como os olhos de quem olha. Na verdade são verdes, mas desde sempre eles refletem o céu... Ficam cinzas nos dias nublados e brilham um pouco além do normal quando chove.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;São olhos de quem se lembra, mas também de quem reflete de si para a cidade a desolação de alguma coisa que se desmanchou na transparência da água incapaz de virar chão. Olhos doces também, tanto quanto foram doces os dias que ganharam uma vez, os afagos, beijos, despedidas, brinquedos de Natal e viagens de avião.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Um helicóptero passa quando eles revêem um doce de feijão experimentado uma vez só na vida, redondo, esquisito, bom. Será que ainda preparam? Iria até a doceria para saber isso. Reservaria uma mesa no segundo andar, no canto direito onde bate o sol, e comeria o segundo doce de feijão em uma vida olhando as crianças vazias nas cadeiras em volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;São os últimos dias do ano e a cidade, olhada da taça, lembra um aquário não alimentado no verão. Tudo o que concebe a vida dorme nela, profundamente, enquanto o gelo derrete feito o açúcar que lhe foi dado um dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Em integração com: "Aquário Morto", vídeo postado por mim em: &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XtEWpYg87MM"&gt;&lt;em&gt;http://www.youtube.com/watch?v=XtEWpYg87MM&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; )&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-8506147525649016016?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/8506147525649016016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=8506147525649016016' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/8506147525649016016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/8506147525649016016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/12/aqurio-morto.html' title='Aquário morto'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-6662857844011189336</id><published>2007-10-28T12:40:00.000+01:00</published><updated>2007-10-28T14:05:03.083+01:00</updated><title type='text'>Limbo Jazz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sonhei com uma noite de chuva e uma rua prateada encharcada de água suja. Garrafas de cerveja nas sarjetas em frente aos bares e o Ellington lá, indo em frente no meio do asfalto, de costas para mim, como uma silhueta de sobretudo escuro envolta por fumaça de cigarro e recortada no brilho do poste. Indo contra a luz, contra o trânsito dos carros, mas como sempre a favor da cena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi em São Francisco, Chicago, Nova York, não sei direito, eu estava bêbado. Tinha gritado pelo velho umas duas ou três vezes, mas ele não escutava nada além das notas &lt;em&gt;dreaming&lt;/em&gt; na cabeça dele... Meu pai já tinha me dito mesmo que músico, quando artista, é um bicho autista e obcecado: "Quando a gente não está fazendo música, está ouvindo. Quando a gente não está ouvindo ou compondo está lá no alto, fazendo lobby no céu, pedindo para algum santo enviar de Deus o acorde que falta antes que algum filho da puta roube primeiro".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tinha um mendigo de barba branca e olhos vidrados sentado numa guia perto de mim e me olhava sem dizer palavra, era irritante. Peitei. "What's up?" "Just listening your eyes, they look tired." "They are."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pensei que porra é essa, eu estou bêbado no meio de Chicago ou sei lá onde às 4 da manhã, não é para estar cansado? O que deve ter de estranho nisso para esse cara ficar me encarando? Justo ELE?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Duke entrou num &lt;em&gt;club&lt;/em&gt;, deu para ouvir o tilintar de um sino na porta. "&lt;em&gt;What a lucky guy, man. Just sit down and wait two or three minutes&lt;/em&gt;." "&lt;em&gt;I don't have any money, sorry.&lt;/em&gt;" "&lt;em&gt;Just shut up and sit down, man. You'll see."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assim que eu me sentei a rua inteira foi inundada maciçamente por uma rajada de sons sincopados, brutalmente energéticos e estimulantes, como se tocassem de dentro para fora e me brincassem com o estômago e o coração. O volume era altíssimo e quase que se podia ter certeza de que ele estava controlando o tempo: Era o velho com a banda dele dentro do bar, era o estrago que ele fazia, era o jazz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu e o bêbado de barba branca ficamos em silêncio e pude notar que ele fechou as pálpebras avermelhadas um pouco para tentar ouvir sem ruídos, já que era com os olhos que ele escutava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Milhares de vezes eu já tinha ouvido aquela música, mas era a primeira em que alguma coisa me era aconselhada por meio dela. O desgraçado do Ellington dizia: "&lt;em&gt;Levanta esse traseiro daí e dança."&lt;/em&gt; Eu estava em São Francisco ou sei lá o que era aquele lugar com um mendigo bêbado do meu lado, mas nunca tinha estado tão em casa e tão pronto para decidir a partir dali o que seria feito em seguida do meu ser entornado de álcool: O inferno era, então, para todos os que se permitiam viver alguma coisa adjacente? Para essas pessoas gregárias e imbecis, independentes de alma que, de uma forma ou de outra, esqueceram do choro alheio para se permitir rir e se divertir um pouquinho? O céu era para os músicos, eu já sabia, então só me restava dançar, porque eu nunca soube tocar droga nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Num arrancado acorde da banda inteira, o sax trovejou num início de solo, eu dei um pulo da guia direto para o meio da rua com a perna direita solta no ar, tropecei na minha bebedeira e quase dei com as fuças no chão, não fosse o homem da barba branca me dar um puxão pelo braço. &lt;em&gt;"What a fuck are you doing, man?!"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"&lt;em&gt;Just dancing&lt;/em&gt;", respondi. "&lt;em&gt;Just dancing&lt;/em&gt;".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chutei o ar com a outra perna, lembrei do Gene Kelly &lt;em&gt;singing in the rain&lt;/em&gt; e voei como se não existisse ridículo. Estava em Nova York ou sei lá onde diabos aquilo era, chutando o ar com um mendigo velho no meio da madrugada úmida e deserta dos meus sonhos estúpidos. Mas era bom, incrível, massacrante, libertador, sei lá o que era. A vida então só me fazia bem e me dizia que o que poderia haver depois, depois, depois, era depois que ia ser. Naquele dia, me sentir superexposto à luz da música era o que me fazia suficientemente feliz, mesmo que distante, mesmo que &lt;em&gt;tired&lt;/em&gt;, mesmo que &lt;em&gt;dreaming, only dreaming.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-6662857844011189336?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/6662857844011189336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=6662857844011189336' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6662857844011189336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6662857844011189336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/10/limbo-jazz.html' title='Limbo Jazz'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-367052018502220430</id><published>2007-10-27T23:35:00.000+01:00</published><updated>2007-10-27T23:45:46.657+01:00</updated><title type='text'>Longe (em Trafalgar Square).</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126149288144144434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 431px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px; TEXT-ALIGN: center" height="161" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_XbiTANfb3NY/RyO9njl0CDI/AAAAAAAAAAM/e7y1M-b7KRs/s320/london.jpg" width="364" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu vou fazer um movimento, amor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma canção pra inventar o nosso amor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu vou fazer uma revolução.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu vou pra Londres, vou pra longe,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sei que vou.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Foto: &lt;/em&gt;Will Pearson&lt;em&gt;, The Birds of Trafalgar Square)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-367052018502220430?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/367052018502220430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=367052018502220430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/367052018502220430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/367052018502220430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/10/longe-em-trafalgar-square.html' title='Longe (em Trafalgar Square).'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_XbiTANfb3NY/RyO9njl0CDI/AAAAAAAAAAM/e7y1M-b7KRs/s72-c/london.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-4994315995281262652</id><published>2007-09-11T12:33:00.001+01:00</published><updated>2007-09-11T12:33:58.394+01:00</updated><title type='text'>Cidades de Mim</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/tnvC7di_324' name='movie'/&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/tnvC7di_324'/&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-4994315995281262652?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/4994315995281262652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=4994315995281262652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4994315995281262652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4994315995281262652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/09/cidades-de-mim.html' title='Cidades de Mim'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-1132547443390490158</id><published>2007-09-10T01:47:00.001+01:00</published><updated>2007-09-10T02:39:26.815+01:00</updated><title type='text'>Anotações de uma noite de domingo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;De repente a idéia de dormir cem anos parece ser não só possível, como abraçada. Não tanto pelas horas dormidas em dez décadas, pelas coisas que você deixa de fazer em tanto tempo e que podem envolver uma certa margem de risco, mas principalmente porque o descanso é santo e merecido por quem é inocente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;E por mais que a vida queira me convencer de que eu sou culpado, eu não sou, sabe? O meu contato com o outro é, para mim, como o sono que eu divido com o meu corpo relaxado, com a água quente do banho ou o copo de leite de manhã, eu sorvo as coisas, não paro para pensar se elas são boas ou ruins porque o sensorial já me disse anteriormente. Será que a sensação é a mesma quando alguém diz "eu te amo"? Eu não sei, porque nunca ninguém me disse isso e eu queria ouvir um dia, queria mesmo, só para saber como é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Talvez num outro plano seja possível, um menos real e mais mítico, numa ilha vulcânica talvez, para onde eu iria agora, já, me despindo da minha casa, sempre tão tensa e onde falta mais diálogo e mais dinheiro, da cidade, do país, mas me soa como se lugar nenhum no mundo fosse um tantinho menos, que seja, inapropriado para o que eu trago em mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Às vezes eu procuro me tocar, sentir o meu próprio corpo, e eu entendo ele não só como um refúgio para coisas bonitas, mas uma matéria na qual eu gosto de estar, é confortável, é bom. O fato de a minha pele ser clara e suave, sem marcas, acidez ou cicatrizes, me faz sentir uma partícula de certeza de que basta estar em mim para ser alguém... Bom. Bom? É, eu acho que eu sou bom, que eu tenho bondade e inocência em mim ainda, assim como eu tenho o meu lado cruel e nada inocente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Se você me diz que eu mereço mais, eu não só acredito como concordo. Eu me basto e busco alguém que veja todas essas coisas. Ninguém tinha visto antes, você viu... E não quer. É mais do que você pode suportar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Puxa, eu queria ter conhecido alguém assim, que fosse mais do que eu poderia suportar. Acho que eu faria com que essa carga pesada toda fosse recebida com a leveza que eu quero ter comigo mesmo quando eu entro no banho, quando eu durmo ou tomo o meu café da manhã. Para mim o amor é pacífico, sabe? Tão pacífico quanto o amor-próprio, essa centelha de auto-estima que a gente acessa sempre que precisa ser gentil com a gente mesmo. E eu tenho muito disso. Deitar e enrolar o cabelo no dedo indicador é um dos gestos de carinho que eu tenho comigo que eu mais gosto... Mas eu me sinto cansado ao mesmo tempo. Não vou nem enumerar as minhas razões e o meu contexto atual aqui, vocês todos sabem e me conhecem o suficiente para concordarem comigo quando eu digo que não sou um rito de passagem, um boneco ou alguém que está-ali-para-o-que-der-e-vier. Esses dias eu assisti ao O Homem Elefante do Lynch e comecei a chorar como uma criança na cena em que o John Merrick, o Homem Elefante, é encurralado por dezenas de caras num canto de um banheiro sujo para ser linchado e grita, depois de toda uma vida se permitindo expôr como aberração para poder viver: "Não, eu não sou um homem elefante. Eu sou um ser humano." É o rompante de dignidade que eu deveria adotar para mim às vezes. Eu não me censuro - e ninguém deveria me censurar - por sonhar, por esperar, por gostar de leite frio de manhã, de uvas, de um outro ser humano. Eu sou um de vocês...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;O tempo, aí, é o que me salva nessas horas. Saber que nada é eterno, nem mesmo a vida, me consola um pouco. Uma vez uma amiga minha fez uma análise tão prática a respeito da vida para embasar a vontade dela de ir para a Alemanha que me deixou desconcertado, mas maravilhado ao mesmo tempo. Ela me disse: "Bom, a gente vive em média, deixa eu ver... Uns 80 anos. Eu estou com 29, o que me dá mais ou menos 50 anos para ganhar dinheiro, me estabilizar e viver as coisas que eu tenho que viver. Desconta uns cinco da faculdade e ainda tenho 45. Vou vender a minha moto mesmo e vou para lá, cara, não vou esperar não".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Eu procuro pensar do mesmo jeito... Quantas pessoas vão aparecer nas nossas vidas em 50 anos? Quantos beijos? Quantos afagos, transas? Quantos sentimentos verdadeiros você vive em 50 anos? O fato de você ter tanta admiração por mim só me faz querer estar por perto, mas anular os meus sonhos, errar o meu afago, suprimir o meu sentimento verdadeiro seria o maior gesto de crueldade que eu poderia ter com o meu corpo. Ao mesmo tempo, o esgotamento. O não-querer-pensar, enquanto a madrugada me afunda travesseiro adentro e o amor - que um dos meus olhos tem pelo outro - procura resgatar os meus suspiros do cansaço lá no fundo do meu peito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-1132547443390490158?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/1132547443390490158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=1132547443390490158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1132547443390490158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1132547443390490158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/09/anotaes-de-uma-noite-de-domingo.html' title='Anotações de uma noite de domingo.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-6884400249301797953</id><published>2007-09-08T00:31:00.000+01:00</published><updated>2007-09-08T00:58:18.400+01:00</updated><title type='text'>Depois de Shortbus.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;e hj eu ainda vi um filme que me piorou&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;q filme?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Shortbus&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;é um filme independente nova iorquino... sobre um grupo de habitantes da cidade que frequenta um clube noturno chamado Shortbus, onde rola muito sexo, shows, bebida, etc.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;e é um filme que justamente discute sexualidade e os relacionamentos contemporâneos, tem cenas de sexo explícito e tal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;já está me deprimindo só de vc contar... rs&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;e sei lá, ninguém no filme é monogâmico, é uma beijação geral, isso me irrita&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;a-ham. E todo mundo é super feliz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;cara, me irrita muito... não acho legal esse comportamento confuso ser legitimado, ser aplaudido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;comportamento que só causa dor. Pra todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;isso é o pior&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Pois é, e assim... eu fico me sentindo mal, pq eu acabo achando que o mundo é assim e eu é que sou o antiquado, sabe como?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Me imaginei entrando numa roda de amigos do shortbus, por exemplo, e dizendo a eles que para mim sexo é uma coisa que pode muito bem ser feita entre duas pessoas ao longo da vida, que acho lindo que essas duas pessoas juntas descubram e experimentem de tudo o que elas quiserem, juntas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;mas no filme não, claro. Tem um casal gay que resolve adotar um outro rapaz e formar uma relação a três, uma terapeuta de casais que não conseguiu ter orgasmo e começa a experimentar outras pessoas e outras situações.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;e porra, no fundo, no fundo, todo mundo está infeliz. Começa infeliz e continua infeliz, "mas assim é que vivemos, vamos tentar ser felizes sendo confusos".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;pau no cu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;era a crítica do filme?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Não, é uma crítica minha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;eu gostei do filme. Acho que ele tem uma elegância narrativa, mostra a nudez e o sexo de uma meneira muito natural, franca, exatamente como é na vida de qualquer um. Isso eu achei bonito. Os atores se desprendendo das coisas, fazendo sexo de verdade diante da câmera, mas seguindo a estética documental do filme&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;mas aí entra a mensagenzinha por trás que eu acho uma bosta, que é essa, a de que todo mundo pode e deve fazer o que quer para se encontrar, que o caminho da experimentação é um caminho muito válido e que vale tudo em matéria de sexo... Cara... Será que vale tudo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;vamos olhar mais para a afetividade e menos para o ato sexual, meu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;affe, fico irritado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;eu acho isso um mito da modernidade que já está na hora de cair&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;mesmo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;acho até que foi necessário. Mas chega né?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;mas necessário quando? Quer dizer... A gente tem a idéia do amor livre nos anos 60, 70, etc. Aí entra a individualidade nos anos 80 e o individualismo nos noventa. Eu entendo o *individualismo* como um sintoma nocivo, algo que chega a ser doentio se levado às últimas circunstâncias. E é o que está acontecendo com essa pregação do amor livre e individualista nos anos 2000: Uma banalização geral do sexo e da afetividade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Cara, eu acho sexo tão legal, tão bonito, tão bom... Para que fazer dele a única compensação e o bode expiatório para todos os nossos problemas de aceitação, de ansiedade, de etc?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;a busca pelo outro é anterior à descoberta do sexo. Do Sexo, não da Sexualidade. Será que ninguém inteligente, pelo amor de Deus, raciocina, pensa nisso?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;vc traduz tudo o q eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;não sei o que fazer nesse mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;EU sei. Dar uma de retrógrado, de chato, de antiquado, de arcaico e bater na mesma tecla em relação a essa pegação geral por aí.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Para mim isso sempre teve um nome: P-U-T-A-R-I-A.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;mas daí vc é super conservador&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Claro. Daí eu entro em alguma discussão a respeito e descem a lenha em cima de mim. "Nossa Diego." "Como vc é careta, Diego." "Vc precisa abrir um pouco mais a mente, Diego." Como se eu não tivesse o direito de discordar, apesar de respeitar, e ser pego de sopetão todas as vezes pela célebre frase que agora virou modinha todo mundo repetir à esmo: "E viva a diversidade."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;acho que isso foi preciso para uma libertação, que nem a coisa de queimar sutiãs com as mulheres. Mas passou, gente, tem que ter alguma evolução disso não?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;e não é questão de ser careta... é questão de q tá todo mundo sofrendo!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;sabe o que acontece? As pessoas estão tendo os valores substituídos por outros, mais novos, mais modernos, mais sei-lá-eu-o-quê. Só que os meus são aqueles velhos (não tão velhos assim): o legal para mim é monogamia, é respeito, parceria, diálogo. E hoje em dia isso se perdeu, me parece. Ser monogâmico ao meu ver tem uma finalidade mais nobre, pq ela objetiva o bem estar comum. Os valores modernos me parecem objetivar unicamente o bem estar individual. E cara, tratam-se de duas pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;É egoísta! Entende?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;patrix diz:&lt;br /&gt;não é pra ser bom, qdo vc conhece alguém?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;é ótimo, meu... Deveria ser para todo mundo, mas aí entra esse talento moderno para transformar o que é saudável em neura. Sério, eu estou ficando preocupado há anos com isso, acho que o comportamento do bicho homem está regredindo ao invés de progredir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Pensei em escrever uma crítica sobre o filme aqui até porque eu gostei dele, aproveitando para conciliá-la com a minha visão particular sobre o tema, que sempre me interessou. Mas achei que esse diálogo provocaria mais questões a tomarem forma definida. Talvez só em mim mesmo, já que hoje em dia todo mundo está "confuso demais" para CONCLUIR alguma coisa...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-6884400249301797953?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/6884400249301797953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=6884400249301797953' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6884400249301797953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6884400249301797953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/09/depois-de-shortbus.html' title='Depois de Shortbus.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-4744439325635423327</id><published>2007-09-04T12:09:00.000+01:00</published><updated>2007-09-04T19:05:03.573+01:00</updated><title type='text'>As linhas esquecidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Descobri muito recentemente que um dos lugares onde eu me refugio é uma cidade longe em mim, onde de vez em quando eu me pego fazendo um passeio ou outro, sempre sozinho para poder escutar os sons do lugar ou sentir os cheiros sem ter que surrar o tempo no fundo de algum diálogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Aliás, dos que são de fora, só eu entro. Não sei por quê. É uma cidade idiossincrática, velha, ranzinza, onde deu tudo errado tanto para o governo quanto para os habitantes e o grande diferencial dela é ter linhas de trens para todos os lados, umas sobre as outras, no centro, na periferia e nas ruas principais. Locomotivas, diga-se. Que nunca existiram. A cidade é famosa por ser toda mapeada por trilhos que não passaram da fronteira e nunca viram um vagão de trem sequer. Já perguntei o que houve para isso ter acontecido e me disseram várias coisas, que foi desvio de verba, que a cidade faliu antes do projeto continuar, que a primeira dama era uma reclusa, xenófoba e com agorafobia que impediu o andamento das obras de formas escusas, agindo na surdina dentro da prefeitura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nada de sapos gigantes, guerreiros, faunos, unicórnios ou coisa que o valha. Uma das minhas cidades preferidas tem muito mais a atmosfera de um rascunho do Dostoiévski jogado fora do que de um reino encantado, mas nem por isso deixa de ser rica, ao contrário: Ela me entrega em mãos todo o espalhamento do céu azul, para que dele eu crie outros universos e milhares (são milhares) de caminhos prováveis no meio do turbilhão de trilhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gosto de ir até lá como quem procura um pouco de ar puro para enrolar o corpo, um ar, aliás, que não seria tão puro se aquilo tudo tivesse sido terminado - e ando nos trilhos imaginando onde é que daria cada um deles se fossem concluídos, porque ali, no meio da cidade, é impensável dizer que aquilo vai ter um final abrupto, de tão bem feito e conservado que está. Tiro fotos de borboletas, deito no chão e já vi um pônei quieto num canto, comendo qualquer planta velha e olhando para a minha cara desconfiado. Nunca tinha pensado em ver um. Já travei um contato pequeno com alguns moradores que também têm o mesmo hábito que eu - e a cidade, como qualquer uma, também apresenta os seus arquétipos, o cego sábio, a menina de vestido rosa e cabelos cacheados me achando no mínimo um ser curioso, o grupo de meninos formando a armada do estilingue, com bonés de escoteiro e correndo atrás da garota mais bonita da cidade, uma mistura de Sophia Loren, Fanny Ardant e Nico (cada uma nos primeiros anos de carreira).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;São inúmeras as histórias possíveis ali... À noite um filme de terror ou noir poderia ser rodado sem grandes recursos técnicos. Uma aba de chapéu panamá cobrindo um olho, um sobretudo escondendo um corpo e um cigarro no canto do lábio de um deles já seria o suficiente, a neblina contaria o resto do roteiro. O girassol que eu encontrei uma vez entre uma das linhas e uma colméia de abelhas jogada no chão: chamam-se De Sica e Mastroianni, juntamos à garota perseguida pelos meninos - a que lembra a Sophia Loren - e pronto: Os Girassóis da Rússia 2.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mas dia desses eu encontrei um retrato perdido embaixo de um trilho e era meu, de sei lá, uns dez anos atrás: Cabelo liso, claro, olhos verdes, uns traços meio infantis no rosto e o nariz bem desenhado (nossa, eu gosto do meu nariz, ainda não mudou nada, que bom), e não entendi o que é que aquilo estava fazendo ali. Me perguntei se tinha perdido em algum momento entre um dos meus passeios e outros, perguntei a algumas das pessoas que muito de vez em quando passam por lá e foi o tal cego sábio quem me disse sobre alguém ter estado por ali há algum tempo, meses ou anos, procurando por mim. Usava a foto como referência e tinha a voz trêmula, segundo ele sinal de arrependimento por alguma coisa que tenha feito. Perguntou se alguém já tinha me magoado alguma vez, ou se já me esconderam qualquer informação que poderia ter mudado o rumo dos acontecimentos. "Como é que eu vou saber se me esconderam, SE ME ESCONDERAM?" eu disse, perplexo. Pediu dados sobre a cidade, anotou num papel e na certa deixou cair a foto na volta. Ninguém teria me reconhecido, nem me identificado, eu continuava irrepreensivelmente isolado e protegido dentro do azul do meu refúgio e sei lá eu quanto tempo de lá para cá deve ter passado... Ficou suspensa e semi-morta no ar a atmosfera de um pequeno abismo sempre que eu volto por ali e dou os meus passeios, por baixo do céu claro e sem nuvens e no cheiro que o vento desliza, sempre um pouco frio, tragando e cuspindo a fumaça possível das linhas esquecidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-4744439325635423327?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/4744439325635423327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=4744439325635423327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4744439325635423327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4744439325635423327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/09/linhas-esquecidas.html' title='As linhas esquecidas'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-4679352618445506566</id><published>2007-08-23T16:29:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T17:11:25.408+01:00</updated><title type='text'>Um Sonho Reversível</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sempre que um filme me entristecia depois de uma sessão, eu rebobinava a fita a olho nu e revia o filme de trás para diante, como se quisesse compensar no uso do controle remoto uma falha da realidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se era alguém que morria no fim da história e eu ficava pensando, cheio de remorso, em como aquela pessoa era legal, me pegava fixando o polegar no botão de rewind e esperava que ela ressuscitasse com alegria, interagindo sorridente com os outros personagens, refazia toda a narrativa na minha cabeça e ia conduzindo a história do filme para mim mesmo, mentalmente: "A essa altura o beijo já rolou, eles estão apaixonados um pelo outro e já sabem disso... Aqui o vilão ainda não sentiu ciúmes, então esse é o trecho mais feliz da história, porque eles estão juntos e não existe ninguém para atrapalhar... Agora sim, o beijo, acabou o que era segredo. Pronto, voltamos para a situação chata, angustiante, de um não ter contado nada para o outro ainda. Agora os créditos iniciais."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nos créditos de abertura todo mundo é inocente e bom, até mesmo os vilões o são, porque veja: Eles ainda não fizeram maldades, não têm personalidade formada, sequer nasceram ainda, são bebês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O início de qualquer história guarda em si mesmo tudo o que a gente pode fazer ou criar em cima daquilo, digo isso sem querer ser piegas ou positivista: Todas os gestos possíveis estão ali, mesmo as coisas que deixam a você e a mim tristes, mesmo a morte, até a solidão. Mas se uma fita guarda em si a possibilidade de ser rebobinada, a vida não. Isso era o que, em suma, me deixava um pouco mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E se eu pudesse viver a minha vida até os noventa anos, experimentar as brincadeiras de praia na infância e o primeiro beijo naquele menino que eu achava que gostava de mim também, se entrasse na adolescência com o gosto por cinema já refinado e assistisse cedo a todos os filmes do Truffaut, se chegasse à casa dos vinte e te conhecesse, seguisse os seus passos, me despedisse de pessoas que resolveram ir embora da vida mais cedo do que eu gostaria, te reencontrasse sorrindo no caminho, conhecesse a Europa e me visse alvo do amor de alguém por quem eu sinto um carinho muito grande, mas não posso retribuir à altura, se visse muitas novelas e sentisse a dor da primeira cárie, a primeira gastrite, se entrasse nos trinta com um bom emprego e uma companhia que há de caminhar comigo até os noventa, e de lá rebobinasse a fita? Experimentaria aí outras coisas, talvez sozinho, talvez inevitavelmente reprisaria as mesmas cenas, como num rolo de fita cassete de verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas eu já saberia, pelo menos, tanto como não magoar você quanto não pisar nos calos de ninguém à toa. Compartimentaria melhor tanto os silêncios conscientemente tímidos de quem não me diz nada do que sente quanto os intuitos de jogar com o que existe de ingênuo em mim, porque aí, ah... Aí eu não seria mais ingênuo. Tampouco indecente: Eu seria mais amoroso e veria com mais paciência e clareza tudo o que me chega de fora, ouviria as mesmas músicas tristes como quem as entende, talvez, muito mais como ícones tanto das nossas individualidades quanto dos nossos encontros, felizes ou não. Reveria alguns filmes ainda de trás para frente e, chegando pela segunda vez aos noventa, tentaria rebobinar a vida a terceira vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aí eu não bateria no Davi como eu fiz na escola, não morderia o meu irmão, não roubaria o boneco do meu amigo nem gritaria com a minha mãe no dia em que ela gritou comigo pela primeira vez. Eu não deixaria o Rodrigo se suicidar, talvez desse um presente para ele. Salvaria o mundo? Talvez não, mas com certeza daria um jeito de aprender inglês e lançar na Internet, aos vinte e sete, todas as legendas para os filmes do Frank Capra. E te diria tudo com mais clareza, ou só te abraçaria então, sem dizer nada... Mais nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-4679352618445506566?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/4679352618445506566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=4679352618445506566' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4679352618445506566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4679352618445506566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/08/um-sonho-reversvel.html' title='Um Sonho Reversível'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-3300813413018986505</id><published>2007-08-11T21:33:00.000+01:00</published><updated>2007-08-11T22:30:39.957+01:00</updated><title type='text'>Uma turista ou a árvore de flores amarelas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vi uma moça oriental andando na rua esses dias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Corpo pequeno, cabelo liso e cortado no ombro, rosto de gente nova e expressão de idiota, passos rápidos e olhos prestando atenção em tudo o que achavam pela frente, pelos lados, atrás de si. Câmera digital compacta pendurada no ombro, mochila de uma alça só com um panfleto de papel brilhante pendurado no bolso de fora. Com certeza era turista, não sei de onde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Acho engraçado perceber que agora eu reconheço quem é estrangeiro pelo simples fato de ser, por compatibilidade de impressões vividas, compaixão ou entedimento dos exilados, e não mais pelos traços lingüísticos ou étnicos dos diferentes. Talvez porque agora eu é quem seja o diferente depois do retorno (o que já ficou aceito, assimilado e incorporado).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O que me chamou a atenção para ela foi uma atitude inesperada: Os passos estacionaram na calçada assim que ela topou com uma árvore alta, mas não muito grossa, de flores amarelas. No topo dessa árvore a luz do sol fazia qualquer coisa de primaveril, realçava a idealização do calor no frio da tarde e por trás das folhas espalhadas e do amarelo eu via os olhos puxados da garota estudando com uma atenção descabida a presença da planta como se ela nem fosse mais uma árvore, mas uma aparição fora de época e contexto, um troço qualquer surrealista. Se eu fosse uma câmera pediria uma grua para filmar a mulher de cima, pela perspectiva do topo, onde o sol estava batendo, mas tentava notar os detalhes nos gestos dela: a ponta do cabelo escorregando nos ombros enquanto ela virava a cabeça para cima, as mãos juntas, depois soltas, depois juntas de novo enquanto ela sondava o canteiro. Me concentrei um pouco nas flores para tentar entender qual era o foco de atenção do olhar dela, mas não via nada, a árvore inteira devia mesmo ser para ela alguma coisa muito bonita ou muito esquisita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;É o que me comove na perspectiva do estrangeiro. Se não fosse essa desconhecida nossa me apontar essa árvore, eu provavelmente nunca teria reparado que ela está ali há anos, mas se não fosse a existência da planta eu não teria reparado na moça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imediatamente eu senti o que não sentia há meses: Vontade de escrever. Desejo de verbalização, de descrição, contato com a imagem através da palavra. Mas não porque eu reparo "nas pequenas coisas" com "sensibilidade e delicadeza" como me dizem, e sim porque eu entendi que a partir de tempos atrás eu não sou mais daqui. Eu sou essa japonesa, eu sou o estrangeiro. Como quem talvez tenha transcendido a "sensibilidade para as pequenas coisas" para adotar o olhar SOBRE essa sensibilidade, como uma metalinguagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O tempo e a distância foram ditando para mim, a cada um que caiu a minha volta, a cada retorno e a cada diálogo, mas principalmente a cada momento aqui, comigo, sozinho e calado, que eu sou esse exílio voluntário, que eu me acalmei em relação ao que pode ser desbravado e construído como ideal de beleza. A árvore esteve sempre ali, oras, alguém plantou uma semente e ela só precisou de terra e água para crescer na calçada. Mas ganhou dimensões vitais e complexidade ao ser notada por alguém que notava também que outra pessoa a percebia naquele canto onde sempre esteve, bem como a luz do sol, as flores amarelas e os passantes, e São Paulo, e a China, o Japão e todos os lugares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vim aqui escrever, e escrevi. É bom dizer devagar, pelo som da oração: "E-u - e-s-c-r-e-v-i." As palavras são tão bonitas... não tinha reparado nisso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-3300813413018986505?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/3300813413018986505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=3300813413018986505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3300813413018986505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/3300813413018986505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/08/uma-turista-ou-rvore-de-flores-amarelas.html' title='Uma turista ou a árvore de flores amarelas.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-7298003258370295842</id><published>2007-05-29T09:52:00.000+01:00</published><updated>2007-05-29T10:36:57.773+01:00</updated><title type='text'>Insone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Agora há pouco, às três e meia da manhã, acordei sentindo que alguém em pé do lado da minha cama ajeitava os cobertores em cima de mim. Quando eu olhei, não tinha ninguém, mas me ficou a sensação de que não era alguém muito legal. Não cheguei a ter uma crise de pânico porque abri antes os olhos, mas não consegui mais dormir. São quase seis da manhã agora. Nesse meio-tempo vivenciei alguns pensamentos confusos pelo sono, tomei um copo de água e saí andando pela casa com o meu celular como lanterna. Voltei para o quarto, deitei mais um pouco, embaralhei mais pensamentos confusos e ouvi um pouco o som de chuva vindo de fora. Está escuro. Está chovendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Só então eu percebi que a figura que eu tinha notado arrumando os cobertores em cima de mim era muito parecida com a concepção do monstro devorador de crianças no El Laberinto del Fauno, magro, cambaleante e ameaçador. Tentei dormir escutando um pouco de música. No escuro o primeiro CD que me veio à mão foi o primeiro do Smoke City, e tentei com ele mesmo. Não deu certo, escutei o álbum inteiro e me levantei antes do horário programado para ver se encontrava alguém online no msn para conversar. Também não tem ninguém nesse horário. Leio algumas mensagens, e-mails, fecho a boca da Nina Miranda e jogo na 3wk.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não estou prestando atenção no rádio... Alguém está cantando, mas eu não sei quem é e não sei de nada a nada a não ser do que eu escrevo... É como se ainda estivesse preso no universo essencial do meu sono, onde o mundo dorme sem previsão para acordar e chove aquela chuva fina, pouco ruidosa e quase acolhedora, onde também existem círculos grandes em que a chuva não cai, mas dá espaço para quem quiser deitar no chão e tentar adivinhar os nomes das constelações lá em cima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Meu frio não é maior que a vontade de conversar, de contar do meu sono e dos sonhos que precederam a quase-crise de pânico, mas ao mesmo tempo eu sei que não gastaria mais vocabulário e intenções à toa com qualquer um, a não ser você, ou você. Você também tudo bem... E aí me lembro da minha atual dificuldade em escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Desde muito pouco tempo não tenho conseguido fazer uso da grande finalidade dos blogs e me expressar verbalmente, mas tem sido assim também com alguns amigos, talvez até mesmo com a minha família. É como se eu tivesse saído de mim tão recentemente que os sentimentos que eu guardo aqui dentro não precisassem mais ser reverberados palavrosamente para tomarem a forma real que eles têm - pelo menos para mim. É bom não precisar mais afirmar, reafirmar, me auto-afirmar. Tranqüilo, mas ao mesmo tempo novo, e tudo o que é novo - já me disseram pessoas experientes - incomoda, talvez tanto quanto um monstro devorador de criancinhas ajeitando a sua coberta no meio da noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Algumas vezes eu sinto vontade de entrar num mundo mágico desses de histórias infantis e levar vocês comigo. Eu realmente acreditava, quando criança, que algum labirinto, em algum lugar, existiria, cheio de bichos estranhos e afáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Agora começa a tocar aqui na 3wk uma canção linda, linda, linda e que me faz desistir de continuar a minha linha de raciocínio - Have You Seen in Your Dreams, Miracle Fortress. Não preciso mais dizer nada, chega).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-7298003258370295842?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/7298003258370295842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=7298003258370295842' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7298003258370295842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/7298003258370295842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/05/insone.html' title='Insone'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-816385709406406246</id><published>2007-05-10T08:45:00.001+01:00</published><updated>2007-05-10T08:45:20.728+01:00</updated><title type='text'>Angeles (Ou Um dos Clipes que Eu Gostaria de Ter Dirigido)</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/EAOxo8qH_AQ' name='movie'&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/EAOxo8qH_AQ'&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-816385709406406246?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/816385709406406246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=816385709406406246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/816385709406406246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/816385709406406246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/05/angeles-ou-um-dos-clipes-que-eu.html' title='Angeles (Ou Um dos Clipes que Eu Gostaria de Ter Dirigido)'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-6801004386154512077</id><published>2007-04-29T13:10:00.001+01:00</published><updated>2007-04-29T13:10:53.792+01:00</updated><title type='text'>Les Secrets</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/dKM-t0QBvGc' name='movie'&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/dKM-t0QBvGc'&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(O último vídeo que eu produzi antes de voltar para o Brasil da França leva esse nome por ser um produto do meu silêncio, de pensamentos e sentimentos guardados ao redor de mim e ao longo do tempo. Foi concebido dentro de uma catedral (a Catedral de Saint Michel, em Lille, que aparece no início) depois do ímpeto que eu tive de me gravar apagando uma das velas da igreja. Para o meu entendimento aquilo era um gesto de profanação nada sacra, mas mundana, uma atitude de revolta muda e um sinal de desrespeito que se fazia necessário por um momento, por algum motivo maior que dialogava comigo. Les Secrets veio no instante em que a chama foi embora, nítido, límpido e claro na minha imaginação. Uma semana e meia depois eu estava cansado, vingado e satisfeito. E ele, pronto).&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-6801004386154512077?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/6801004386154512077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=6801004386154512077' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6801004386154512077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/6801004386154512077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/04/les-secrets_29.html' title='Les Secrets'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-4555578151221609889</id><published>2007-04-01T11:17:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T13:50:05.068+01:00</updated><title type='text'>Paulistano de novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Já me passou pela cabeça a idéia de escrever um texto onde se concentrariam algumas das minhas memórias íntimas relacionadas à Avenida Paulista, e isso soou a mim mesmo na época uma iniciativa tão interessante quanto pueril.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Interessante porque eu usaria de um recurso mais-do-que-explorado no século XX pela literatura, desde Proust, para reconstruir uma história, formar uma unidade a partir do resgate voluntário de reminiscências soltas aqui e ali e por meio dessa unidade lançar uma olhada contemplativa sobre o painel que se formaria. E pueril por uma mera questão cronológica: Apesar das memórias recolhidas e anotadas, eu não tenho ainda idade suficiente para escrever memórias, até porque elas estão em pleno processo de construção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mas a idéia, ainda assim, não deixa de ser tentadora depois de um retorno de uma viagem longa para o exterior, e senti isso com mais força ontem à noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Encontrei Angélica no Conjunto Nacional às seis da tarde. Eu conheci a moça ali mesmo numa noite não tão quente de março de 2005, sentado num banco escrevendo uma carta. Ela era uma menina de 19 anos usando um vestido estampado marrom (se não me engano), e se sentou do meu lado em silêncio me pegando de surpresa, nos abraçamos e selamos uma amizade que perduraria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Isso tem dois anos... E alguns dias, talvez. Dois anos! E parece de verdade que foi na semana passada." O que acontece com a gente em dois anos para que a gente se redescubra com mais serenidade sem que tenham havido mudanças efetivamente concretas no cotidiano eu não sei, mas digo que u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;ma das coisas que me passava pela cabeça ontem, andando a Paulista de ponta a ponta junto com ela, era algo sobre a diferença no meu olhar lançado para o próprio aspecto físico da avenida. Não cheguei a comentar nada em voz alta, mas ela me pareceu diferente da avenida que eu conhecia até então. O jeito grandiloqüente que ela tem, com todo aquele mosaico de prédios enormes dos dois lados erguendo um forte contemporâneo em relação ao que vem de fora me pareceu mais exato, mais sólido e bonito que antes, como se tudo ali tivesse sido inaugurado essa semana. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A juventude me pareceu mais viva e curiosa, os passantes mais conscientes da própria pressa. O flautista do Conjunto mais empenhado e lírico, o Yakissoba mais insalubre apesar do cheiro, e a minha ranzinzice menos ranzinza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quando Angélica me falava sobre Brasília e eu me lembrava do pôr-do-sol que a gente assistiu na pracinha no fim do eixo, quando visualizava as meias dobradas dela andando na bizarrice insólita daquela rodoviária em reforma, aquilo também me soava igualmente novo, como se tivesse me lembrando de alguma frase importante escrita dentro de um livro que eu não me lembrava mais de ter lido. Era um jogo de palavras e imagens: A cada cruzamento no sentido Paraíso depois de uma chuva bastante forte (Bela Cintra, Rua Augusta, Frei Caneca, Brigadeiro), eu via diante dos meus olhos de infância o Paranoá tomar a forma de um gigante, andar até o eixo, se esvair em ondas (sonoras feito uma boa gargalhada) e inundar ao longo do centro todas as duas asas do plano inteirinhas, para depois voltar para o leito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A umidade da Paulista evaporou depois de alguns minutos, por causa do calor que anda fazendo nesta cidade, e a moça comentou que no DF o clima não está diferente. Me lembrei da primeira vez em que eu fui sozinho para a avenida, numa tarde de sol lá pelos idos de 1996, vestindo uma blusa de manga longa e gola alta para assistir no Espaço Unibanco um filme chamado Chacun Cherche Son Chat, do Cédric Klapisch. A beleza da imagem de Garance Clavel feliz, correndo em câmera lenta no meio de uma rua da periferia de Paris ao som da Glory Box do Portishead foi um dos meus primeiros êxtases cinematográficos baseados na mais pura despretensão e simplicidade, e uma das imagens que sem dúvida me inspiraram a tentar fazer cinema. Era eu quem estava correndo ali.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Angélica é tão Glory Box..." &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me trouxe uma camiseta do Verdurão de presente, "desisti de amar", com um ursinho de pelúcia apontando um revólver para a própria cabeça. Me parece um caso de fofura inversa e ela, um pouco inibida, me diz que "Se você quiser, cara, eu troco, não tem problema!", mas eu já concluo de cara que só mesmo uma pessoa que não desistiu de amar coisa nenhuma é que poderia usar isso. "Quem desiste não pensa a respeito e não se sente condicionado a afirmar nada, certo? Desencana de trocar, adorei."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Na Paulista eu acompanhei recortes dos mais efêmeros casos de amor. Uma vez, andando na frente do Masp, ouvi uma mulher chorando no celular no mais completo desespero sussurrante e pedindo à meia voz uma chance, uma chancezinha que fosse para a pessoa com quem ela conversava. Não era um dia muito ensolarado ou muito frio, ela vestia preto e a maquiagem estava borrada. A comparação com a figura da morte pairando no urbano foi inevitável e eu não duvidaria de que depois disso essa mulher desistisse efetivamente do ato de amar... O que me ficou mais latente na época foi uma sensação muito forte de que ela não sabia muito bem o que fazer para amar direito, amar bem, com bem-estar (ou pelo menos como é que se amaria a pessoa com quem ela conversava), um dos meus primeiros choques provocados pelo tema dentro das grandes cidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Depois de perceber que Londres, Paris e Lisboa são cidades também muito sujas, revi São Paulo mais limpa que antes nos cruzamentos e esquinas de lá. Nenhum olhar estrangeiro sobre ela diria que é uma cidade que fique aquém das primeiras neste quesito. A sujeira pública me parece agora infelizmente mais universal que antes e o meu respeito por quem joga o lixo no seu devido lugar aumentou consideravelmente, mas o que me impressionou mais foi a limpeza do ar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não falo de uma limpeza química, de fumaças e combustíveis fósseis, mas de algo, sei lá, metafísico. Como eu disse antes tudo me pareceu mais palpável ontem à noite. Tudo tinha massa, peso, tamanho e altura e se encaixava com a mais perfeita exatidão nos seus limites, e essa qualidade de solidez me fez revitalizar uma aura paulistana que se encaixa nos limites da construção do meu próprio pensamento, do meu imaginário, da minha emotividade. Como se estivesse conhecendo ao lado de uma amiga próxima, mas que não é daqui, um lugar ainda não visitado e calmo através de uma avenida cosmopolita e cheia de fluxos divergentes, mas que eu já soubesse de cor e salteado como lidar com ela, como se tivesse decorado de antemão o caminho para o centro do labirinto. "As ruas aqui são à direita e à esquerda, e aqui nessas esquinas vão permanecer."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Como se a evolução da gente fosse um encontro, uma bela construção conjunta e fixada no ponto mais seguro, escolhido de forma consensual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-4555578151221609889?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/4555578151221609889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=4555578151221609889' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4555578151221609889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/4555578151221609889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/04/paulistano-de-novo.html' title='Paulistano de novo'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-1483107943676000787</id><published>2007-03-21T11:12:00.000+01:00</published><updated>2007-03-21T14:51:23.348+01:00</updated><title type='text'>Um viajante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ontem eu comecei a ler o &lt;em&gt;Se Um Viajante Numa Noite de Inverno&lt;/em&gt; do Italo Calvino e me deparei com a genialidade do parágrafo introdutório:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;"Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino,&lt;/em&gt; Se um viajante numa noite de inverno&lt;em&gt;. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: "Não, não quero ver televisão!". Se não ouvirem, levante a voz: "Estou lendo! Não quero ser perturbado!". Com todo aquele barulho, talvez ainda não o tenham ouvido; fale mais alto, grite: "Estou começando a ler o novo romance de Italo Calvino!". Se preferir, não diga nada; tomara que o deixem em paz."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Saber que eu já tinha não só lido esse trecho uma vez, mas também usado como inspiração para escrever o texto introdutório do Azure Place me soou quase como uma espécie de afronta, porque eu não tinha continuado a leitura, nem tampouco lido qualquer uma das outras obras do Calvino. Mas o que encanta é a possibilidade de ser o protagonista dentro de um universo literário que espelha o barulhento, o caótico e a atitude pouco dada à literatura como forma verdadeira de arte no contemporâneo. Você é levado a questionar não só a sua participação como leitor na história da leitura, como também a instigar perguntas e respostas sobre o seu papel na sua própria vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O romance é de 1979. Ao começar a ler ontem, na noite de 21 de março de 2007, eu estava debaixo de um lençol, na minha cama, no meu quarto e com a porta fechada, porque do lado de fora dela estava mesmo uma televisão ligada num volume desnecessariamente histérico. E eu não disse nada, incorporei a última frase do parágrafo e pensei "Sim, tomara que me deixem em paz", mas soquei o colchão e não deixei de dizer em voz baixa "mas que cara filho da puta!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Precisava realmente de um descanso para a cabeça, depois de ter passado o dia estudando softwares para fotografia e vídeo, me cansando os olhos e me aborrecendo com as intervenções familiares. Precisava sublimar alguma coisa, distrair, pensar numa outra realidade que não fosse aquela rotineira ali. E qual não teria sido a minha surpresa ao descobrir que estaria sendo transportado para justamente o universo do qual eu fugia, mas por um truque de espelhos engenhoso, uma ótica sobretudo sedutora e lúdica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Penso no exercício de estilo como forma de reinvenção do próprio engenho, no fato do homem ter nascido numa Cuba que seria socialista e ter participado da Resistência numa Itália fascista, de ter morrido quando eu tinha seis anos; em como a minha avó com 84 anos hoje, surda de um ouvido e com saudades mudas de uma Espanha que ela não vai mais visitar, deixa a televisão ligada todos os dias no último volume não para conseguir escutar alguma coisa (porque ela não escuta mesmo), mas porque se sente sozinha e o barulho da TV cria a ilusão de que existe mais gente dentro do apartamento com ela. Ela lia - não lê mais nada - Sidney Sheldon e Barbara Cartland, nasceu dois anos antes da morte do Kafka e nunca teve contato com obra nenhuma dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Todas essas idas, voltas e pensamentos digressivos fazem com que eu, enquanto leitor, volte ao batido-conceito-moderno-de-fragmentação (e é batido, ainda, CITAR o próprio num texto), em como a vida é passível de ser esvaziada pela não-fixação de conceitos, valores e crenças individuais, mas em seguida procuro voltar à leitura do ponto onde eu tinha parado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Li sobre o livro antes e soube que ele é assim, repleto de interrupções estrategicamente colocadas dentro da narrativa, um caos calculado em função dos questionamentos que ele propõe e ainda obedecendo às idas e voltas da trajetória de qualquer ser humano, leitor ou não, e aí eu noto o quanto isso é essencial para a minha educação enquanto homem contemporâneo e não consigo encontrar o romance aparecendo sequer nas listas de títulos para os vestibulares por aí, onde geralmente figuram os frufrus de José de Alencar e os anacronismos de um romantismo canhestro. Então eu me permito perguntar: Se não fosse a arte hoje, o que seria da minha lucidez? Será que eu posso confiar e entregar a minha sensibilidade crítica na mão das instituições, da academia, do coletivo? Se não, o que é que eu faria com um pensamento fundamentalmente crítico em relação ao mundo moderno se ele for único, individual, solitário? Escreveria um livro, talvez, porque "podemos simplesmente escrever um: encher de vãs palavras muitas páginas e de mais confusão as prateleiras"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No final do primeiro capítulo eu deitei a cabeça do lado do livro aberto e dormi, com o abajur - que eu coloquei em cima da cama - do meu outro lado e a porta ainda fechada. Durante a madrugada alguém deve ter ido lá e tirado o livro e o abajur da cama para que eu dormisse com mais espaço e conforto, porque ao acordar eu vi que o Calvino estava na estante, e o abajur no lugar de onde eu tinha tirado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tive um sonho estranho qualquer, não me lembro. E agora vim escrever sobre a experiência, mesmo sem ter tirado conclusão alguma dela: o que era essencialmente importante para mim anotar, ainda enquanto leitor, é o fato de que mundos foram lançados no meu mundo ontem à noite e eles agora se convergem, se dilatam, se chocam e se acariciam sem que o eixo central seja alcançado, mas os motivos de todas essas ações estão vivos na vida ao redor, na aflição moderna pelo conhecimento e contra o conhecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-1483107943676000787?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/1483107943676000787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=1483107943676000787' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1483107943676000787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1483107943676000787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/03/um-viajante.html' title='Um viajante'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-5214897518797046244</id><published>2007-03-12T23:25:00.000+01:00</published><updated>2007-03-13T13:41:19.429+01:00</updated><title type='text'>(Des)construções</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nos meus últimos dias em Lille decidi sair para fotografar alguns prédios abandonados na região da Vieux Lille, onde está a rua em que nasceu o Charles de Gaulle e toda uma atmosfera de silêncio e calma impera, sem comércio, sem engarrafamentos, sem muitos passantes nem gritos. Eu pensava que talvez a arquitetura do abandono ainda tivesse alguma coisa para comunicar que as construções restauradas não tinham: um possível pesar nostálgico e magoado pelos habitantes da cidade, um rancor permanente e auto-destrutivo por ainda se manterem de pé mostrando toda a mutilação de que tinham sido vítimas, ou só alguma tristeza tímida por não conseguirem mais ser igual às outras, ou ser como eram antes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu vi de tudo um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mas não só vi de tudo, como também me coloquei na frente de cada uma delas e, focando as nuances dos olhos, bocas e da luz do sol que de vez em quando atravessava os ossos quebrados e fazia brilhar alguma flor no meio do terreno baldio que antes deveria ser uma sala, vi a mim mesmo antagônico diante delas. Como se, reparando naquelas existências agonizantes, a minha tivesse se refeito e estava agora intacta atrás de uma lente que me protegia da destruição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foi quando eu senti de verdade que o meu exílio era voluntário e, por ser isso mesmo, como ele era importante para que eu me reconstruísse. Cada um de todos os momentos de solidão satisfeita que eu passei na França, na Inglaterra e em Portugal me vieram à mente de uma forma tão clara e madura que os anos passados no Brasil me pareceram um ensaio geral para o olhar que eu deveria conquistar quando eu mesmo amadurecesse de uma vez a minha visão sobre o mundo, e para isso era necessário que eu estivesse ali sozinho, zerado, limpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Todos os dias em Lille eu saía para fotografar no início da tarde, e como não sei ainda falar o francês com fluência e só conhecia uma pessoa na cidade, minha forma principal de comunicação com o mundo ao redor se transformou quase que tactilmente visual. Comecei a encarar aquilo primeiro como terapia, depois como trabalho: era emergencial e recompensador. Eu criava, fazia projetos e passava horas em casa editando imagens e vídeos cujo resultado às vezes surpreendia a mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não pude deixar de pensar no porquê de não ter prestado atenção em coisas tão necessárias no meu próprio país antes de viajar, mas já concluí que é justamente o exílio que faz isso com a gente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Longe de tudo e de todos a curiosidade pelo que não é conhecido é aguçada, ao mesmo tempo em que a distância dos emaranhados pessoais já está estabelecida por uma mera questão de rotina. Outros pratos são comidos, outras vozes são ouvidas, outras coisas são feitas e principalmente não existe ninguém do lado no banco do trem para Paris, e isso é o que cava mais fundo os pormenores da função do auto-conhecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Porque eu me sentia dono do Tempo. Para lembrar, para chorar, fotografar, amar de novo, me magoar, conhecer. Era como se estivesse onipresente uma superconsciência de cada um dos meus gestos - os mais mecânicos, como abrir a porta de um trem de metrô em Paris ou fechar um pote de geléia - e isso me ensinava sobre mim mesmo coisas que eu nunca tinha reparado na minha relação com o ambiente. Eu era o princípio e o fim de todas as coisas e não precisava sentir medo de parecer egoísta para ninguém, afinal eu estava sozinho mesmo - e por opção própria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me perguntavam do Brasil se eu estava conhecendo gente, se estava flertando ou beijando como se isso fosse o grande mote de uma viagem para o exterior e a cada pergunta dessas eu me sentia cansativamente impelido a responder que não estava ali para isso, distante que eu me sentia de todo esse universo da necessidade de paixões emergentes e temporárias, como se eu fosse assexuado o suficiente para não desejar sequer que alguém aparecesse ali para naufragar o meu cruzeiro no oceano de mim. Talvez, nesse caso crítico, o inferno fosse realmente o outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Voltei há uma semana e o que eu encontrei aqui pode ser metaforizado como um país desértico repleto de pessoas devastadas, exatamente  como aquelas casas em Lille. Um exército delas, mancas, laboriosas, mutiladas, resistentes e insatisfeitas. Me pego pensando nas saudades que eu senti daqui e agora nas saudades que eu tenho de lá, me concentro e tiro uma foto. O que mudou foi o meu olhar ou foram as pessoas? Penso que o que mais me dói é que são meus queridos e isso tira de mim alguma dor aguda, sim, pelas coisas não serem dentro deles como eu acreditei um dia que seriam: o peso da melancolia às vezes é paradoxalmente buscado por quem quer ser feliz, a permanência da confusão mental nas pessoas aqui ganha restauro, tratamento de manutenção. Me baseio num sorriso triste aleatório aqui, numa vitória esperada, na consciência da falta que eu fiz ali, no desastre que se estabeleceu em outro lugar, nas confidências e nas revelações de outros tempos e ritmos que ficaram desprotegidos e deixo a luz do sol moldar os esqueletos na areia de acordo com a própria vontade, para que eu tente, atrás da lente, conceder um olhar como se fosse o último e o mais íntimo de todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-5214897518797046244?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/5214897518797046244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=5214897518797046244' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/5214897518797046244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/5214897518797046244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/03/desconstrues.html' title='(Des)construções'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-1370077036293094325</id><published>2007-01-06T22:35:00.001+01:00</published><updated>2007-01-06T22:36:28.018+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Que os nossos sonhos deixem de ser sonhos para se transformarem em alguma coisa maior e ainda melhor que eles.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-1370077036293094325?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/1370077036293094325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=1370077036293094325' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1370077036293094325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/1370077036293094325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2007/01/que-os-nossos-sonhos-deixem-de-ser_06.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116738762619341073</id><published>2006-12-29T11:20:00.000+01:00</published><updated>2006-12-29T11:20:26.200+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Estréia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/fP54dPsiefY"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/fP54dPsiefY" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116738762619341073?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116738762619341073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116738762619341073' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116738762619341073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116738762619341073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/estria_29.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116718501916671110</id><published>2006-12-27T03:03:00.000+01:00</published><updated>2006-12-27T03:06:49.976+01:00</updated><title type='text'>La Rose Blanche</title><content type='html'>&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/xRVqVpuAsDA"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/xRVqVpuAsDA" type="application/x-shockwave-flash" height="350" width="425"&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116718501916671110?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116718501916671110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116718501916671110' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116718501916671110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116718501916671110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/la-rose-blanche.html' title='La Rose Blanche'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116673207033246998</id><published>2006-12-21T21:14:00.000+01:00</published><updated>2006-12-21T21:49:13.470+01:00</updated><title type='text'>Procurando a chave</title><content type='html'>&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/_Phgsr6i620"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/_Phgsr6i620" type="application/x-shockwave-flash" height="350" width="425"&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Sempre que eu vou para essa rua ai em cima é como se eu entrasse de repente no "Salada Russa em Paris", do Youri Mamine, e convencesse a mim mesmo a acreditar que dentro de algumas dessas portinhas eu facilmente encontraria uma passagem secreta direto para a Livraria do Espaço Unibanco ou a Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta em Sampa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Não... Fisicamente as duas ruas não tem mesmo NADA a ver uma com a outra, mas a Rue de La Clef, conhecida como a mais underground de Lille, é o meu refugio aqui na França quando eu quero me lembrar das minhas fugas consumistas em São Paulo, das calças xadrez, All Stars, camisetas legais, livrarias boas, cafés bacaninhas e baratos com amigos do lado e o bom e velho confabular paulistano. Gabito, Marco, Marina, Ricardo, Nara, Tiago, Kinho, Angélica, Matheus, Rodrigo, Ivi, Fran, Caio, Marcus, Vivi... Tu es là, tout le temps. Inevitavelmente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;E eu ainda volto para Sampa depois de achar a tal passagem escondida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116673207033246998?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116673207033246998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116673207033246998' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116673207033246998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116673207033246998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/procurando-chave.html' title='Procurando a chave'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116621246152643969</id><published>2006-12-15T20:54:00.000+01:00</published><updated>2006-12-15T21:00:44.676+01:00</updated><title type='text'>Nimou et Moi</title><content type='html'>&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/dm6CboJMuB4"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/dm6CboJMuB4" type="application/x-shockwave-flash" height="350" width="425"&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116621246152643969?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116621246152643969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116621246152643969' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116621246152643969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116621246152643969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/nimou-et-moi.html' title='Nimou et Moi'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116604229347884540</id><published>2006-12-13T21:19:00.000+01:00</published><updated>2006-12-14T00:36:18.706+01:00</updated><title type='text'>Une Lettre de Lille</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Bonsoir, mon cher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   Acho que digo "bonsoir" nao para cair nos estereotipos dos viajantes, que de quando em quando resolvem matar as saudades de casa escrevendo para os seus proximos la longe e mostrando o quanto estao, abobalhadamente, incorporando aos poucos as fissuras e os detalhes da cultura em que eles escolheram imergir. Escrevo "bonsoir" com o intuito do compartilhamento puro e simples, porque hoje, especialmente hoje, depois de uma semana de deslumbramentos e novidades, senti aquele aperto da ausencia dizer alguma coisa num tom mais elevado de voz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   Me perguntaram outro dia aqui em Lille, em ingles, como é que o brasileiro faz para dizer que "He is missing something." A pessoa queria dar um outro sentido à frase que eu entendi. Queria me explicar que um terceiro nao tinha condiçoes financeiras para fazer determinadas coisas e por isso "she used to missing..." Mas imediatamente eu liguei o termo àquela palavrinha que, engraçado, é so nossa. Como se so o brasileiro fosse capaz de nomear e emitir etimologicamente o sentimento de solidao que de repente da um abraço ambiguo - ou perverso - no corpo dele. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   Nao sei se ja te contei isso, mas eu sempre fui um cara de sentir saudades, porque eu cresci so comigo. Existem por ai algumas cançoes e poemas que falam sobre esse sentimento intrinseco aos solitarios, que se sentem de fato acompanhados por uma entidade alheia a eles proprios, desde a primeira infancia, chamada Solidao. Eu sou um desses. Algumas vezes no decorrer da vida eu me enganei de lugar, tropecei nas minhas expectativas e no que eu acreditava poder esperar do outro e me esborrachei meio espalhafatosamente (porque o meu corpo, apesar de pequeno, nao cai sem fazer barulho), mas entendi aqui, longe dessas dores e dessas quedas, refeito em algumas coisas, jamais curado de outras, que essa solidao é o meu reflexo, meu "doppelganger", se eu fosse um filme expressionista. Mas eu sou impressionista, proustiano, e um unico gesto aqui dentro desencadeia uma série de sonhos e lembranças e eu, agora, sinto no fundo que poderia reencontrar o Diego menino - brincando com um baldinho amarelo de areia na praia e tentando montar um castelo torto - se alguém me tocasse de determinada forma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   E é esse o carinho que eu guardo comigo para reacender às vezes, quando eu penso que o ultimo afago que eu ganhei no Brasil foi o da sua mao, quando eu me deitei no seu colo. E por mais que pareça bobagem eu dizer isso, por mais que soe (talvez) exagerado da minha parte, eu sei que nao é. Seria se eu reduzisse o valor do afago, ou se eu nao o citasse nunca como o que ele foi: Um bonito gesto de intimidade e apoio, um "Dorme. Descansa que eu te ajudo." Antes de ser uma atitude romantica, é uma açao intima. Me sinto satisfeito por ter cedido e abandonado temporariamente a solidao, e mais ainda por te-la abandonado junto com alguém que a mim se mostrou melhor que ela, mesmo que numa fraçao de hora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   Quase nao sinto falta do Brasil, a nao ser quando assisto ao individualismo do povo frances. Ontem fui a um restaurante de Lille jantar com uma amiga brasileira que eu conheci aqui, o Flunch, e enquanto a gente comia, um garotinho de quatro ou cinco anos se encostou sorridente na nossa mesa e olhou para os nossos pratos. Um menino lindo, clarinho, louro, de olhos muito azuis e dono da cara mais terrivel de crianca mal comportada. Ele abriu os olhoes azuis para o prato dela, para o meu e trocou umas palavras em frances com a minha amiga. Depois dele sair da mesa fui condicionado a pensar - por habito, talvez - que ele teria pedido a ela um pouco da comida para experimentar, mas assim que perguntei "o que ele disse?" e ela me respondeu que o menininho tinha dito que "legumes fazem bem à saude", estarreci. Quando a gente saiu do restaurante meia hora depois, o mesmo garotinho atravessava a rua com o pai frances, chorando e sendo violentamente sacudido pelo rapaz, que gritava com ele ferozmente. Me disseram aqui que é recorrente ver uma mae francesa dar uma bronca na criança no meio da rua dando tapas no rosto do pequeno. Concluo disso tudo varias coisas: O frances, desde cedo, é quase que treinado para ser independente, e sinto que a cada passo que se da, também desde cedo, no sentido de se voltar à condiçao de filho e de criatura dependente, eles reagem contra isso com violencia. Como acontece o amor num lugar assim? E o afeto? Soube também que o nosso "ficar" aqui nao existe. Ou voce namora alguém para casar ou voce tem alguém à disposicao para fazer sexo. Se voce se sente à vontade com alguém para poder ficar sozinho de vez em quando, trocar carinho, caricias, conversar, compartilhar intimidade, eles dizem que a tal pessoa "é alguem com quem eu me sinto bem". A relaçao nao tem definicao na lingua, e inominavel. Como a saudade. Parei para pensar hoje, depois de tudo isso, que a gente é mais frances do que eles sao. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   A falta que eu senti e sinto hoje, enquanto eu escrevo dentro do pais chamado Diego, também nao tem definicao nenhuma na linguagem, a nao ser para mim mesmo. Ela se manifesta um pouco tristemente quando eu penso no descaso de alguém para outro alguém, na relacao utilitaria entre os seres humanos, na decadencia de valores que eu sempre prezei tanto, no individualismo elevado às ultimas consequencias - e quando eu aceito que a frieza que eu procurei evitar a vida inteira (pasmo agora) ja me deixou marcas profundas, inevitavelmente e sei la eu por quanto tempo, assim como também todo o calor humano que eu ja recebi continua vivo por aqui  (e a ele eu recorro sempre que os meus desvios ameaçam me dar uma derrubada). Longe de casa tudo isso se faz mais claro, como se sempre tivesse estado diante dos olhos. Pela primeira vez troco e-mails com os meus pais, que de perto às vezes pareciam mais distantes. Minha prima, aqui, me mostrou fotografias de quando eu era mais novo, com luzes no cabelo e magrinho, magrinho... Nao me lembrava de mim. Sonhei essa noite que um grande amor que eu tive me contava que estava doente, e eu me sentia um incapaz, um egoista e um estupido, nessa ordem. Estou descobrindo no dia-a-dia o quanto um sonho, quando palpavel, mostra com vida ser a coisa mais comum do mundo, quando voce aceita com olhos de observador e espirito livre o que o céu e a terra dao para voce. E isso é bom, muito bom, mas te enlaça também com algumas pontadas de dor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;   Me sinto feliz aqui, ao mesmo tempo em que tenho a vontade mais genuina de salvar tanto o que foi perdido quanto o que eu nao poderia mais aceitar perder. Alimento o desejo de descobrir o quanto eu seria importante para quem nunca teve coragem de me dizer isso enquanto eu estava perto. Seriam muitas pessoas? Uma so? Nenhuma, talvez, mas nessa possibilidade eu nao consigo acreditar, porque daqui eu posso ver o quanto eu fiz por merecer muita coisa, assim como visualizo melhor cada um dos meus erros. Sinto saudades. E daria essa noite por mais um daqueles seus afagos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bonne nuit mon cher,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Diego&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116604229347884540?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116604229347884540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116604229347884540' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116604229347884540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116604229347884540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/une-lettre-de-lille.html' title='Une Lettre de Lille'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116587268325087878</id><published>2006-12-11T21:18:00.000+01:00</published><updated>2006-12-12T02:04:51.876+01:00</updated><title type='text'>Saara Blues</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Percebi que estava muito longe de casa quando olhei pela janela do aviao de manha e deslizei os olhos para baixo: O chao do deserto do Saara se parecia imensamente com o de Goiania e Brasilia que eu tinha visto na ultima viagem, mas o sol ali brilhava como que ao contrario em relacao àqueles lugares. Foi quando eu descobri uma musica - a unica realmente boa selecionada pelos programadores da Alitalia - chamada "Koop Island Blues". Todas as suas influencias jazzisticas, o solo de clarinete, a voz doce no vocal e a letra, estranha e familiar a um tempo so, soaram como a trilha musical exotica mais adequada para a cena da despedida. Eu tinha ido embora, enfim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Do meu lado se sentou uma mae brasileira com o filhinho mais velho que ja chegou roubando a janela para ele. Nao sei ate agora como se chamavam, mas ela me contou sobre a familia estar indo para a Inglaterra para uma temporada de sete dias acompanhando o pai, que e medico, vai a trabalho e estava sentado atras de mim com o filhote mais novinho. "Nunca sai do Brasil, e a primeira vez que vou para tao longe", ela me diz. Se vira para o comissario e pede comida em ingles. "My children are hungry, please, can you bring me something to them?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tres poltronas a frente uma brasileira muculmana, toda coberta de cetins estampados e com um bebe escandaloso que durante a viagem inteira gritou e pediu ajuda por alguma coisa que estava incomodando. Sacudidelas, brincadeiras e silencios interrompidos pela turbulencia e pela fome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por todo o aviao se espalhava uma verdadeira trupe de adolescentes judeus felizes e ruidosos indo para Telaviv com a tutora deles, que por varias vezes foi chamada de "Sueli", ora por um, ora por outro. Durante toda a viagem a figura da Sueli me tranquilizava, porque ela distribuia as informacoes para os meninos e meninas em voz alta, com um sorriso maternal no rosto e a paciencia de uma boa tutora. Boa mulher, a Sueli. Sempre que uma turbulencia mais violenta vinha chacoalhar o aviao e nao me deixar dormir eu procurava olhar para ela e decifrar aquele sorriso: Seria nervoso disfarcado em benevolencia ou a mais tranquilizante confianca? Depois do atraso de quatro horas em Sao Paulo, ela sorri e diz para os judeuzinhos: "Perdemos a conexao em Milao, gente. Mas naaaaao se preocupem, que por causa disso a gente por tabela vai conhecer Roma, porque vamos pegar o nosso aviao para Telaviv la." Festa generalizada se seguia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E atras de mim estava o mecanico de caminhoes a caminho de Veneza para encontrar a prima e que, em Milao, me pediria para fotografa-lo no aeroporto de Malpensa e seria parado duas vezes na alfandega, uma delas na minha frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O atraso da decolagem em Sao Paulo comecou a acontecer e durou uma hora por causa do mau tempo, ja com todos os passageiros prontos para o embarque dentro do aviao, mas seguiu se arrastando por mais duas horas e meia por outra das confusoes com os controladores de voo de Brasilia. Isso fez com que, assim como a Sueli e sua garotada, eu tambem perdesse a minha conexao para Paris, onde minha prima iria me receber. Nunca me senti tao estrangeiro quando desembarquei em Milao e fui olhado grosseiramente pelos funcionarios antipaticos de Malpensa. Salvo duas mulheres, todos estavam tao emburrados com a minha condicao de estrangeiro e o tempo estava tao triste e escuro, que senti falta de Sao Paulo, do Saara, de Brasilia e da praia de Santos. Mas era a Italia, e ainda com brasileiros por perto. Grudei num grupo de cariocas e mineiros e, com eles, descobri onde eu deveria trocar meu bilhete para a conexao que iria para Paris. Mais duas horas de espera e o mecanico de caminhoes me pediu as fotos. Contou depois sobre ter sido parado na alfandega. "Foi falta de sorte", ele me diz, "mas nao tem por que nao me deixar entrar aqui, eu vou voltar para o Brasil daqui dois meses, gente neurotica".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Decolei as duas e dez da tarde num aviao domestico da Alitalia e no decorrer do trajeto, de um banco confortavel na janela, vi o ceu se abrir na Europa enquanto eu avancava para o norte. Do mais profundo e denso cinza onde eu me via voar, a luz do sol comecou a despontar e nasceu, brilhante, deixando para tras o oceano gris da tempestade que assolava a Italia. No ceu da Franca finalmente as nuvens se dissipavam, as casinhas pequenas dos camponeses ao redor de Paris se desenhavam no verde e na exatidao das estradas, e uma lagrima daqui encontrou caminho e escorreu. Finalmente eu descobria que a paisagem durante anos guardada na minha imaginacao era igual a que eu olhava, por horas e horas a fio quando crianca, nos filmes franceses e nos rotulos de bebidas nos supermercados. O tempo abria, e apesar da pressao atmosferica fazer doer o meu ouvido eu sorria, mas nao porque estava tao longe de casa, e sim porque eu entendi de pronto que, depois todo esse trabalho de parto com prolongamento de vinte e quatro horas, Sao Paulo, Brasilia, a praia de Santos e mesmo o Saara estavam ali naquele verde e naquelas casinhas francesas, me olhando chegar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A mulher do meu lado aponta para mim a fivela do cinto e diz, meio suplicante:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- Please, how can I... you know... take off this... thing...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sorrio para ela e aperto o botao do cinto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- Ca y est.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- Oh, merci. Merci beaucoup.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- De rien.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E saio do aviao, a cada piscar de olhos revisitando em silencio a luz da manha no deserto do Saara e traduzindo para mim mesmo a letra da cancao que eu decorei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116587268325087878?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116587268325087878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116587268325087878' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116587268325087878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116587268325087878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/12/saara-blues.html' title='Saara Blues'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116472400582347486</id><published>2006-11-28T15:26:00.000+01:00</published><updated>2006-11-28T15:30:33.803+01:00</updated><title type='text'>A quoi ça sert l'amour?</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/_IivEGxl8qU" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Tenho recebido preciosos presentinhos de tudo quanto é lado por causa da minha viagem para a França... Queria fazer um compêndio deles e organizar uma exposição, simplesmente como uma demonstração de afeto compartilhado. Mas enquanto não faço isso, deixo esse videozinho que me ofertaram como um agradecimento simbólico e coletivo. Vou me lembrar de cada gesto lá longe. E respondendo à questão-título, eu sei para que o amor serve. Aaaah se sei.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116472400582347486?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116472400582347486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116472400582347486' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116472400582347486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116472400582347486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/11/quoi-sert-lamour.html' title='A quoi ça sert l&apos;amour?'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115205005301567406</id><published>2006-11-20T00:20:00.000+01:00</published><updated>2006-11-19T12:34:52.866+01:00</updated><title type='text'>Meus de outubro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Eu tenho um amigo com quem sempre acabo me enveredando pelas palavras e despalavras do amor - ou pelo menos da idéia que a gente faz do tema. Um amigo mais velho, é verdade, mas ao mesmo tempo tão jovem e tão idoso quanto eu, cansado, profundo, sobrevivente dos dias, mas como eu também vivo e conselheiro pela vida afora. Compartilho com ele da inclinação pela urgência do encontro, por vias limpas e sinceras, dos sentimentos queridos e merecidos tanto por quem busca quanto por quem é buscado com honestidade. Da resistência melancólica, mas ainda assim plena de uma aceitação afetuosa, por quem abre mão tão triste das coisas essenciais dessa vida e do sonho de ser, tão longamente como se é de carne, osso, sentidos e afinidades, a pessoa arquitetada pelos alicerces cotidianos da poesia. O texto que se segue foi encontrado por ele numa caixa de anotações e cartas antigas e me foi entregue via e-mail, um dia depois em que um soprou no ouvido do outro sobre a possível interferência do medo na vida comum. O medo insólito, mas ainda compreensível, de amar e ser amado. Não é um conselho para mim. Sequer é um conselho. Trata-se de uma pequena e delicada crônica de quem um dia antes ou depois, não me lembro, me disse: "Na verdade eu não acredito que a gente sofra por falta de amor, mas por excesso dele". Verdade ou não, dedico ao moço esta postagem.)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na última segunda-feira eu fui a uma reunião de família. Fomos a um restaurante lindo, em estilo alpino e iluminado por velas. Éramos mais de vinte. Pai, mãe, irmãos, tios, primos, sobrinhos, avós, netos. Não faltou ninguém. Uma família pequena e adorável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não comemorávamos nada. Apenas celebrávamos o fato de sermos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Durante cerca de três horas, eu me senti mortalmente feliz. Como na Festa de Babette, em torno da mesa todos os problemas se dissiparam. Diante do reflexo das velas nas taças de vinho, do barulho dos talheres, das vozes e do piano, tudo, absolutamente tudo o mais perdeu a importância.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E eu percebi a estupidez do dia-a-dia e a perda de tempo que cometemos ao julgar as pequenas imperfeições daqueles que nos cercam. Pois, na verdade, eu estava transbordando de amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Minha mãe derrubou vinho na blusa, como sempre. Ninguém notou. Meu primo estava com a ex-mulher e os dois filhinhos. Fingiam que ainda estavam juntos, e todos nós fingíamos que acreditávamos. Meus tios do Rio vieram. Falidos, reconstruindo a vida depois de um inferno que incluiu traições, processos na justiça, adolescentes problemáticos, dívidas e muitas perdas. Estavam felizes. Minha irmã estava linda. Meu irmão parecia saído de um conto de Dickens e todos, sem exceção, nos perdoamos por tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um dia eu achei que para ser feliz eu precisaria romper com tudo. Que quando eu achasse o meu amor eu fugiria, e viveria minha vida sem precisar me justificar todo dia. Depois da última segunda-feira eu tive a consciência do contrário. Pela primeira vez eu me senti no meu lugar no mundo. Meu Deus, como seria em vão fugir de mim mesmo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como indígenas, minha tribo celebrou a pajelança ao som de Cole Porter, e ao sairmos, com as faces rosadas de riso e vinho, ventava, fazia aquele friozinho revigorante e o céu estava magnificamente estrelado. O nosso céu. Eu soube então que jamais poderia fugir nem me exilar enquanto um mesmo céu nos protegesse, a mim e aos meus. Meus de outubro. Para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115205005301567406?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115205005301567406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115205005301567406' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115205005301567406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115205005301567406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/11/meus-de-outubro.html' title='Meus de outubro'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116333183795721938</id><published>2006-11-12T12:43:00.000+01:00</published><updated>2006-11-12T12:43:58.040+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/0H3W1lm4mH4"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/0H3W1lm4mH4" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116333183795721938?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116333183795721938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116333183795721938' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116333183795721938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116333183795721938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116290271044726489</id><published>2006-11-07T13:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-07T13:34:25.190+01:00</updated><title type='text'>Criancices (entreato)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/0aTsCBZWrjI" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Hoje eu resolvi aproveitar o formato do Azure Place para literalmente dançar em cima de tudo o que já foi escrito aqui.&lt;br /&gt;Porque as minhas vontades repentinas de harmonizar a secura dos meus dias com um mínimo de música, movimento e singeleza se inscrevem no mesmo universo inóspito da busca pelas raízes perdidas, dos insucessos históricos e dos anseios que nunca deixaram de ser anseios. Mas (acho eu), ao mesmo tempo elas não deixariam nunca de perder a ternura.&lt;br /&gt;No final da dança, quis deitar um ponto sem margens de dúvida para mim: O caráter das minhas criancices vespertinas é de mera distração. E isso é só um entreato, não uma cena nova. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116290271044726489?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116290271044726489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116290271044726489' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116290271044726489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116290271044726489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/11/criancices-entreato.html' title='Criancices (entreato)'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116258701239117972</id><published>2006-11-03T21:50:00.000+01:00</published><updated>2006-11-03T21:52:13.656+01:00</updated><title type='text'>Why</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/cMQGKKck1UU" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Existe algo de heróico nesta canção que me impossibilitaria de sequer traçar um paralelo entre ela e um dia como esse, vidrado, feito de tons cinzas (e agora sem as variações de antes).&lt;br /&gt;Lembrei da melodia por causa de uma infeliz fissura na estrutura das coisas, justamente a fração de segundos em que a forma aparece por trás de outras e mostra para você que ela está lá cantando, mas não se desprende ou se desvela com os ares puros de uma intenção salvadora. Não conhecia o clipe, mas ele veio em boa hora me dizer que my mouth is hiding, but I've got smiling eyes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;who are all those who greet me?&lt;br /&gt;does it matter if i know?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116258701239117972?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116258701239117972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116258701239117972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116258701239117972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116258701239117972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/11/why.html' title='Why'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116169791058044314</id><published>2006-10-30T17:09:00.000+01:00</published><updated>2006-10-31T13:06:23.066+01:00</updated><title type='text'>A Primeira Criança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Anteontem à noite minha mãe não entendeu quando eu perguntei para ela onde ficava a casa em que eles moravam quando eu nasci. E ficou sem entender, porque eu não estava muito inclinado a dar uma resposta, já que queria saber por motivos que sequer eu mesmo entendia direito. Não sei se foi uma descarga de energia que me empurrou para a idéia do (re)nascimento, se foi só mera curiosidade ou, adotando agora uma postura mais analítica e menos acidental, um transbordamento mínimo do meu desejo de retorno à origem da vida, à primeira infância, como quem busca alguma resposta para talvez algo que tenha dado errado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ela me respondeu então que era um apartamento na Rua Tutóia aqui em São Paulo (disso eu já sabia), número tal, apartamento tal. Perguntei se o prédio ainda existia. Prestando atenção em alguma coisa na tela do computador enquanto eu pegava um prato na cozinha, ela me respondeu meio displicente que ainda estava lá, mas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- ... Que pergunta! Por que você quer saber?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não soube dizer. Não sei até agora o porquê de eu querer saber, mas sei que alguma razão existia e ainda existe nessa vontade repentina. Também não saberia direito explicar para ninguém o motivo que me fez programar o despertador do celular, ontem, para as seis e meia da manhã. E de, depois disso, levantar, tomar o meu café e checar os meus e-mails, pôr uma roupa, pegar a minha câmera e partir direto para a Rua Tutóia de ônibus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cheguei lá por volta de uma e meia da tarde e só quando desci os degraus do ônibus e olhei em volta, pude perceber o quanto de estranheza aquele cenário provocava em mim. Eu nasci lá e era como se eu pisasse numa rua de uma outra cidade, um outro país. Um lugar que eu não conhecia, simplesmente. Talvez porque eu não punha os pés na Rua Tutóia desde que eu editei, na casa de um amigo que morava lá, um vídeo dirigido por mim como um trabalho para a faculdade em 2001, mas talvez justamente por ter desembarcado por ali num dia solar e movimentado, enquanto eu tinha como única referência visual do lugar uma fotografia da minha mãe ainda grávida de mim, com os cabelos compridos na frente do rosto, em pé na sacada do apartamento que eu procurava agora, debaixo de um céu cinzento num dia aparentemente muito frio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;É uma rua paulistana típica, nada de diferente das outras. Pessoas indo no sentido Avenida Paulista, pessoas vindo. Prédios cinzas, carros nas ruas, orelhões, bancas de jornal. Talvez ela não seja hoje muito diferente do que era quando eu nasci.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Em 2 de dezembro de 1978, dia do meu nascimento, o país ainda estava em plena era Geisel. Foi estranho pensar - e agora dizer, sobretudo - que eu nasci durante a ditadura militar. Um pouco porque eu não conheço a realidade da repressão, tenho uma postura bastante democrática frente a assuntos políticos e o meu repúdio a qualquer espécie de totalitarismo hoje é tão radical que qualquer pessoa que me ouvisse discursar a respeito pensaria facilmente que eu sou filho de pais que sofreram alguma espécie de represália. Mas não... Eles eram hippies e fumavam maconha. Minha mãe usava flores no cabelo e vestidos longos enquanto os dois escutavam Mutantes e Beatles todos os dias. Não acredito que soubessem muita coisa além dos outros a respeito da Guerra Fria ou a do Vietnã, mas sabiam que pronunciar a palavra "comunista" na rua era coisa para os mais destemidos. Não tinham um puto no bolso e meu pai tentava, então, emplacar como baixista de uma banda que chegou a tocar no rádio, mas que acabaria não vingando nos anos 80. Eu nasci sem planejamentos e fui um bem vindo acidente, o primeiro filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O que, de tudo isso, teria ficado imerso nos recônditos daquela rua? Me peguei pensando em descobrir algum ponto que me remetesse à época enquanto eu procurava pelo número do prédio dado pela minha mãe, mas não encontrei qualquer referência a Mutantes, Beatles, maconha ou Ernesto Geisel. Algumas flores nos jardins de alguns prédios sim, rosas e azuis. Entre elas umas feias, decorativas, talvez de plástico. E afinal lá estava o meu prédio, ainda inteiro e cinzento recortado no azul do céu e atrás da folhagem de uma árvore, com as janelas de antes e as grades de agora. Fiquei olhando por um instante como se tentasse ver o sol atrás da mais espessa das neblinas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não sei dizer também o motivo pelo qual o meu coração disparou nesse momento, mas concluí agora que provavelmente foi porque, olhando para o prédio e tentando calcular pela fachada dele onde seria a sacada em que a minha mãe posou para aquela fotografia, eu me condicionei a acreditar que, já estando ali na porta, a minha única alternativa seria entrar no apartamento, de alguma forma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Disse para o porteiro que eu era fotógrafo e estava fazendo um trabalho sobre as casas em que eu morei desde a minha infância. Contei que nasci quando os meus pais viviam naquele prédio, em dezembro de 1978, que eles moraram lá por pouco mais de um ano e que saí da Tutóia com seis meses de idade. Mostrei a foto da minha mãe na sacada, dei a ele os dados sobre o número e o apartamento para confirmar a minha história e perguntei se o proprietário atual se disponibilizaria a conversar sobre o assunto. Ele franzia a sobrancelha escura e coçava a cabeça com um sorriso de canto de lábio, mas acabou sendo solícito e interfonou para o número que eu dei. Como eu estava sendo o mais sincero possível e tinha consciência de que no máximo eu ouviria um redondo e sonoro "não", me absolvi da insegurança sobre o meu intuito parecer ou não esquisito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Depois de explicar a história para quem estava do outro lado - a quem ele chamava "Dona Valéria" - com a confusão verbal típica dos porteiros paulistanos, me passou o interfone e eu descobri tratar-se de uma moça, provavelmente da minha idade, que depois de todas as minhas polidas explicações me respondeu com um: "Cara, que iraaado! Vou colar aí, calma aí". E desceu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Dona Valéria saindo do elevador tem ares de clubber bem educada e é adepta do preto. Blusa e cabelos - lisos. Tem um piercing de argola no nariz, um na orelha direita e um terceiro que se exibe na língua quando ela abre a boca para falar - com voz tranqüila aliás, distante, como se estivesse sempre acordando de um sono bom e profundo. Tudo para ela é irado, o que indica, ainda bem, afabilidade. Me põe à vontade, chega sorrindo, conta que faz Multimeios e divide aquele apê há um ano e três meses com uma amiga que está se formando em História agora - aliás ela não estava em casa por isso, teve que sair para agitar uns lances do TCC dela. Me pede para ver a câmera e pergunta qual é a proposta do meu trabalho. Respondi que ele consistia em retratar o efeito da passagem do tempo tendo como eixo a história de uma pessoa só. Neste caso, o próprio fotógrafo. Seria ao mesmo tempo um movimento de tentar retornar à fonte das coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- Irado, cara. Mas que viagem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sim, muita viagem. E bastante longa por sinal: Vinte e sete anos. E eis que no curto entretempo depois do térreo e antes do quinto andar, pela primeira vez uma segunda criança em mim me pergunta "Como é que eu fui chegar aqui?" E Dona Valéria abre a porta do elevador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu nunca tinha visto aquele corredor, apesar de ter sido um dos primeiros pelos quais eu andei. Nunca tinha visto aquela porta (será que em 27 anos ela nunca foi trocada?), não sabia reconhecer aquela sala, aquele quarto, o banheiro, a cozinha. E ao mesmo tempo em que para mim tudo aquilo era excepcionalmente estranho, como se eu nunca tivesse vivido ou respirado naquele espaço, as coisas da Dona Valéria e sua amiga me eram muito mais familiares do que as minhas próprias: Os tapetes desfiados iguais aos que a minha mãe comprou uma vez para decorar outra das minhas casas antigas, o pôster do Fightclub, o DVD do Laranja Mecânica, o som tocando Objeto Amarelo e Mentes Póstumas (Mentes Póstumas!).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fui até a sacada da fotografia da minha mãe e percebi o restauro nas paredes, um azul forte que não existia ali. Mas a paisagem atrás dela não tinha mudado tanto... Estendi a foto para a Dona Valéria e não deu para conter o riso quando ela comentou que a minha mãe era irada. "Sério, meu, linda mesmo. Parece aquelas francesas loucas, tá ligado naquelas parisienses todas gatíssimas assim, com aquele ar de..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Na foto ela está com o corpo ligeiramente virado para o lado, os cabelos lisos caídos na frente do rosto escondendo os olhos e um vestido de mangas curtas, floreadas. Da fisionomia só são visíveis o nariz fino e alguns traços, bem delicados, delineando todo o contraste com a brutalidade dos prédios atrás dela. Parece uma rosa no meio do asfalto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Depois de fotografar o espaço converso um pouco com a Dona Valéria e trocamos e-mails, porque ela quer ver como o trabalho vai ficar. Digo que provavelmente só vai estar pronto depois que eu voltar da França, porque já morei em nove casas diferentes desde que nasci e precisaria de tempo até o fim do ano para terminar tudo - e não poderia deixar de incluir na composição a décima delas, em Lille.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Irado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Na rua, uma vontade imensa de sentar em alguma praça e chorar me abraçou, mas eu optei só pelo primeiro desejo, porque ele era o mesmo da primeira criança que está andando dentro de mim por esses dias... Achei um parquinho por perto com um banco de madeira clara, me sentei ali debaixo da sombra de uma árvore grande e pensei comigo em como eu gostaria de saber de cor todos os nomes das árvores para poder dar a elas a identidade que elas mereceriam ter nos textos que eu escrevo. Ali do lado, seis crianças saltitando de lá para cá entre brinquedos que eu também não sei o nome, escorregadores, balanços e gangorras. Gritinhos, risadinhas e eu me perguntei parado ali como será que elas se chamariam. Quando teriam nascido, onde, de quem eram, para onde iriam quando o sol baixasse, dessem seis horas da tarde e o homem da barraquinha de algodão-doce fosse embora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quando será afinal que a gente tem que ir embora? Se eu batesse o pé no chão e não quisesse ir, teria eu virado o adulto que eu sempre quis ser? E se eu fosse de vez e nunca mais voltasse, poderia ainda olhar para a minha infância e brincar com o menino que eu fui, mesmo que de longe, de bem longe, bem ali no ponto onde as memórias se confundem com o presente e acabam por morrer à sombra das árvores, debaixo do sol, no final de cada tarde?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116169791058044314?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116169791058044314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116169791058044314' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116169791058044314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116169791058044314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/primeira-criana.html' title='A Primeira Criança'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116217502755488272</id><published>2006-10-30T03:23:00.000+01:00</published><updated>2006-10-30T03:36:48.496+01:00</updated><title type='text'>Black &amp; White Blues</title><content type='html'>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/4K1go7ZMQlA" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Era para ser um pequeno teste de corte seco de mesmo plano, mas achei afinal que acabou ficando interessante para se colocar uma música amarrando as imagens e dando ao vídeo essa cara de clipe. A música é a Blue Alert, Madeleine Peyroux, álbum novo - Half the Perfect World - que está bastante bonito, diga-se de passagem).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116217502755488272?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116217502755488272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116217502755488272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116217502755488272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116217502755488272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/black-white-blues.html' title='Black &amp; White Blues'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114588553605320809</id><published>2006-10-28T14:43:00.000+01:00</published><updated>2006-10-29T03:52:18.963+01:00</updated><title type='text'>Ameaça do futuro.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;No mundo do futuro, as pessoas te escrevem um e-mail para avisar que te deixaram um scrap.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114588553605320809?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114588553605320809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114588553605320809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114588553605320809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114588553605320809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/ameaa-do-futuro.html' title='Ameaça do futuro.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116187327800917209</id><published>2006-10-26T15:34:00.000+01:00</published><updated>2006-10-26T15:48:25.980+01:00</updated><title type='text'>"Um minuto de silêncio para os corações despedaçados."</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foi durante a segunda taça do vinho alemão que o Caio escolheu.&lt;br /&gt;Nos primeiros acordes da música eu calo a minha boca e deixo o celular num canto da mesa. Ele vira para o palco e eu passo a tentar descrever para mim mesmo de onde é que a figura daquela cantora vem me dizer que eu reconheço o estilo. A elegância lenta dos braços, os olhos ligeiramente puxados, as fivelas prendendo o cabelo e os motivos orientais nas várias blusas cor-de-rosa, uma por cima da outra. Ela se maquia em pleno palco, expõe a vaidade de quem pode cantar bem e é aplaudida, entre outras causas, pela consideração do público sobre o esforço de quem ornamenta com graça o próprio trabalho. Deposita o espelho em cima do amplificador do lado dela, se ergue, retira o microfone do pedestal e avança alguns passos no meio do público.&lt;br /&gt;Pede então, com uma voz amaciante e gestos teatrais, um minuto de silêncio pelos corações despedaçados.&lt;br /&gt;- Quem aqui nunca teve o coração partido alguma vez na vida? Eu já tive, e...&lt;br /&gt;Sinto algum desconforto e tomo mais dois goles, um seguido do outro. Porque apesar de saber que ela está só a alguns passos de mim, não seria possível que ela me interrogasse a respeito do assunto, nem que fosse como parte de uma mise-en-scène. Eu não conseguiria mentir, muito menos numa situação solene como aquela. Mas entendo afinal de onde é que eu conheço a figura quando ela fica de costas para mim, com a silhueta do microfone e do perfil imersos na luz quente e vermelha que nasce do palco. É a própria imagem da Su Li-zhen no In the Mood For Love do Kar Wai. A mesma contenção nos gestos, os mesmos olhares, a mesma dor mascarada, o mesmo torso de mulher.&lt;br /&gt;Caio me diz que ela deve ser casada com um dos músicos, por uma observação dele sobre olhares, falas e gestos.&lt;br /&gt;Ela termina o discurso sobre os amores terríveis de uma forma esperançosa, plácida e compreensiva.&lt;br /&gt;- ... E olha, eu vou dizer uma coisa para vocês: Eu não tenho medo nenhum de entregar o meu novamente.&lt;br /&gt;Cheguei a comentar com o Caio que eu gostei disso. Disse que era uma boa forma de terminar e ele concordou. E eis que os primeiros acordes da canção seguinte fazem vibrar o resto de vinho morto nos fundos das taças.&lt;br /&gt;A opção pelo mais genuíno arranjo jazzístico de "Não Vale a Pena" inunda o lugar das cores mais quentes e dos ares mais frescos. Todos no bar cantam juntos, e a gostosa gargalhada sarcástica que jazia até então socada no fundo da minha garganta desagua, quando pela primeira vez na vida eu presto atenção a cada uma das palavras da composição, jamais compreendida antes na sua totalidade semântica. Bebemos os últimos goles do vinho e eu sorrio com o canto dos lábios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/TCdbDTtWviE" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/embed&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Nunca a Maria Rita me lembrou tanto a Elis numa gravação. Mas ignorem por favor o corte tardio no vídeo, com essa figura inconveniente ao final fazendo comentários inteiramente dispensáveis. Grato.)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116187327800917209?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116187327800917209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116187327800917209' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116187327800917209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116187327800917209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/um-minuto-de-silncio-para-os-coraes.html' title='&quot;Um minuto de silêncio para os corações despedaçados.&quot;'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-116099797457069600</id><published>2006-10-16T12:06:00.000+01:00</published><updated>2006-10-18T17:03:15.653+01:00</updated><title type='text'>Fins de tarde e despedidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acho que eu tinha medo. Medo de descobrir que a vida nunca esteve nos objetos que eu acumulei com o tempo, no tato, na posse das coisas, mas no que ficou em mim do que é transitório por natureza, do que passou e deixou coisas boas ou ruins, e que nada palpável além disso tem tanta importância quanto. Mas um dia você se flagra fazendo planos para deixar a sua casa, a sua cidade e sua família, os seus amigos e amores possíveis, o seu país e os seus objetos, para dar dentro do traçado um primeiro passo: Os objetos deixam de fazer sentido, as pessoas que você conheceu ao longo da vida preenchem de bastante significação as lembranças que você guarda e o medo de antes se converte numa energia centrada e objetiva, mas ao mesmo tempo nostálgica.&lt;br /&gt;Penso na questão do tempo de cada um, nas horas das saudades. Um livro pode durar materialmente muito mais que um ser humano, mas qual o valor que se atribui ao que é imutável quando se tem na frente ou atrás de si organismos que precisam de ar, água, comida, afeto e coragem para que sejam tomadas as decisões, conquistadas as mudanças, preenchidas as faltas de uma humanidade interrompida intermitentemente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E a partir do instante em que eu me lanço a pergunta básica "para-que-tudo-isso?", eu perco o medo e venço o alcance de uma ex-limitação. Afinal amor e vontade não se guardam numa gaveta. E para que guardar as outras coisas? Para quando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Afinal, quanto tempo ainda resta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-116099797457069600?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/116099797457069600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=116099797457069600' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116099797457069600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/116099797457069600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/fins-de-tarde-e-despedidas.html' title='Fins de tarde e despedidas'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115740377177532721</id><published>2006-10-08T14:11:00.000+01:00</published><updated>2006-10-08T14:17:13.856+01:00</updated><title type='text'>Cinzas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu olhei ontem pela janela e percebi como é colorido o cinza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tantos tons, tantas luzes, tantos reflexos e é como se eu descobrisse, num enquadramento quase sem contrastes brutos, todas as nuances na razão de ser da luz solar, mesmo quando fechada, trancada bem ali onde o dia se enterra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115740377177532721?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115740377177532721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115740377177532721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115740377177532721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115740377177532721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/10/cinzas.html' title='Cinzas'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115913872440795723</id><published>2006-09-24T23:58:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T14:02:54.803+01:00</updated><title type='text'>\o/ \0/ \0/\o/ \o/</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/UF3lFngc1dg" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui um videozinho que me transportou para o dia ideal: Mais solar, menos frio e mais sorridente. Porque para a gente ser salvo às vezes precisa de muito pouco. :o)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É o trecho de um filme do Danny Kaye de 1948. O clarinetista é o Benny Goodman, um dos meus bandleaders preferidos, e no vibrafone o Lionel Hampton. Ainda me espanto com a alta capacidade de eloqüência dos sopros do Benny, que às vezes de 3 ou 4 notas muito rápidas tirava frases de improviso lindas, lindas, e com a alegria que o Hampton transportava nos braços e em cada um dos toques nas teclas do vibrafone - percebam a agilidade do moço. A música se chama "Stealing Apples". Prestando um pouco mais de atenção à cena, a gente percebe Louis Armstrong, Charlie Barnet e Tommy Dorsey presentes.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115913872440795723?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115913872440795723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115913872440795723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115913872440795723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115913872440795723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/09/o-0-0o-o.html' title='\o/ \0/ \0/\o/ \o/'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115800852861287522</id><published>2006-09-11T21:34:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T22:04:23.380+01:00</updated><title type='text'>Doppelgänger</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(E se agora eu quisesse ser mais um? E se eu continuasse funcionando no meu corpo, mas fosse também um outro igual a mim treinado para tomar conta da minha ânsia e dos meus sussurros, como eu me sentiria? E se eu pudesse me dividir ao meio feito uma célula imaginária, criar e alimentar um doppelgänger desde o tempo microscópico até a fenotipia adulta de um jovem em uma fração de minutos, me pergunto, com medo: Como esse jovem me retribuiria?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque o tamanho dessa vida, só eu vejo. A força aplicada a ela, só eu conheço. O silêncio implodido no organismo, só eu escuto. E a respiração entre uma boca e outra é só a mim que me atravessa. O duplo sufoca-se num só.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inteiro?)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115800852861287522?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115800852861287522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115800852861287522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115800852861287522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115800852861287522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/09/doppelgnger.html' title='Doppelgänger'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115794395024674045</id><published>2006-09-11T16:00:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T04:07:43.636+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/New%20York%2C%201972%20-%20Andr%3F%3F%20Kertesz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(New York, 1972 - André Kertèsz)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115794395024674045?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115794395024674045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115794395024674045' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115794395024674045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115794395024674045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/09/new-york-1972-andr-kertsz.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115728849542015970</id><published>2006-09-03T14:01:00.000+01:00</published><updated>2006-09-03T14:53:47.026+01:00</updated><title type='text'>Smoke signals</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Acho interessante essa coisa de acordar com uma determinada canção martelando na cabeça da gente... É como se existisse de verdade um outro plano, musical e absoluto, onde estivessem concentradas todas as canções que já foram escritas e as que ainda não foram compostas, e elas tentassem se comunicar de alguma forma com as nossas predisposições num determinado momento e para cumprir também uma certa função naquele instante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Hoje eu me levantei da cama com uma melodia que, eu sabia, era muito conhecida minha, mas não conseguia lembrar o nome ou mesmo parte da letra. Só mesmo a melodia, que insistentemente pedia para ser cantarolada e lembrada, do nada. O que me surpreendeu é que eu tinha a certeza absoluta de que eu não gosto muito dela, não por não ser uma bela música (ela é), mas por já ter me enjoado, tamanha a quantidade de vezes em que eu já escutei desde que era criança. Como eu não conseguia me lembrar do título?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Um pouco de esforço e alguns versos vinham chegando (&lt;em&gt;they said some day you'll find/All who love are blind/when you heart's on fire/you must realize/smoke gets in your eyes...&lt;/em&gt;) até que o nome veio, claro e limpo: "Smoke Gets In Your Eyes". É uma velha canção de amor americana, que ficou bem conhecida no mundo inteiro ao longo dos anos e inclusive foi usada na vinheta de uma dessas sessões de cinema globais à la Corujão ou Sessão de Gala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Assim que me sentei na frente do micro, resolvi fazer uma busca para escutar mais uma vez e pesquisar a respeito da composição. Ela foi escrita para o filme "Roberta" (uma das parcerias entre Fred Astaire e Ginger Rogers) em 1933, pelo Jerome Kern, compositor, já na época tarimbado, de canções para espetáculos da Broadway e filmes musicais, autor da "Ol' Man River" e "The Way You Look Tonight" - junto com Otto Harbach.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ao longo dos anos ela foi gravada e regravada inúmeras vezes: Irene Dunne, no filme "Roberta", é quem a interpreta. Billie Holiday, Artie Shaw, Benny Goodman junto com Peggy Lee, Ella Fitzgerald, Dinah Washington, Louis Armstrong e por aí foi, até a gravação açucaradinha e nostálgica do The Platters, que ficou em primeiro lugar nas paradas em 1959 e é uma das mais conhecidas até hoje. Mas não parou por aí... Existem gravações muito bonitas do Thelonious Monk e do Keith Jarret Trio (esta começa com uma intro no piano que cita a segunda parte da música, aliás o trecho da melodia que mais me agrada), e até mesmo uma inesperada do Bryan Ferry - que aliás eu não gosto, acho quadrada demais e mal interpretada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Depois de toda essa pequena saga matinal, achei que seria um pequeno gesto de homenagem narrá-la aqui para a posteridade. Um tributo não só aos autores e à canção, mas também a essas pequenas melodias que vivem pairando por aí, pelo ar, como sinais de fumaça tentando algum contato com a gente com a melhor das intenções. Aproveito também para postar a música aí embaixo, mesmo que eu não goste muito dela. Não a versão cafoninha do The Platters ou as tentativas mais recentes, modernosas e fracassadas (como a do Jerry Garcia) de fazê-la dançável, e sim uma mais próxima do que ela pretendeu desde sempre ser, ou seja, uma canção nostálgica de (des)amor e fossa (sim) na acepção mais pura do termo "dor de cotovelo". Só que aqui com a elegância das cordas num arranjo feito para a voz da Margaret Whiting (cuja carreira também é homenageada no vídeo por meio de uma edição de fotos tiradas ao longo dos anos de trabalho). Ei-lo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/kHlngk2rD18" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115728849542015970?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115728849542015970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115728849542015970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115728849542015970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115728849542015970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/09/smoke-signals.html' title='Smoke signals'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115720232477222970</id><published>2006-09-02T14:05:00.000+01:00</published><updated>2006-09-02T15:03:17.740+01:00</updated><title type='text'>Fallen</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/S_uHN6vP-Pc" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Vc já viu esse clipe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Várias vezes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Eu gosto dele. É tão carregado de desilusão. Tão... Diego. Vc já agiu como eles no vídeo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;¬¬Aonde vc quer chegar com isso? ¬¬&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Porra, cara... Vai dizer que vc não se vê aí nesse banho de imersão?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;A fotografia desse trabalho é interessante. Essas cores pardas, esse verde enjoativo... Se vc perceber lembra imagens de ficção científica, né? As imagens dela nessa banheira lembram alguns planos do Alien do Ridley Scott...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;"A fotografia desse trabalho é interessante" uma ova, rapá! Tô dizendo que quando eu vi eu lembrei de vc na hora por causa da letra e desse desmoronamento. Por isso eu quis saber se vc tinha visto, achei que vc fosse curtir. Bom... Também quis saber se vc já se desesperou assim, pq estou confirmando se o amor não-consumado implica no desejo físico de destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Será que é muita viagem minha ou o vídeo tem referências no Cidadão Kane? Percebe como ele quebra o apartamento exatamente como o Kane faz no filme qdo é abandonado pela esposa? E além disso tem tb a imagem do peso de papel com a neve caindo e tal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Cidadão Kane, cara... :/Eu estou tentando me centrar em psicanálise, e vc com essa MANIA USPIANA de semiótica! Ridley Scott é o caralho!!!! Já rolou algo com vc tipo o que rola no vídeo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Eu já tomei chuva, já tomei banho de banheira, já peguei elevador e já andei de taxi. Próxima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Ah, vai tomar no teu cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Puxa, que linha psicanalítica vc segue? Freud, Lacan, Jung? Pq se um dia eu arranjar um terapeuta que tenha estudado a mesma linha que vc, acho que nunca mais eu troco por outro, me suicido antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;A minha linha é hitchcockiana... PACIENTES SÃO GADO! Hehehehehe.&lt;br /&gt;Mas é tudo em função da arte. :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Vc vai se dar terrivelmente bem. : o)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Bom... Na verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;O QUÊ?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego. diz:&lt;br /&gt;Eu me sinto REALIZADO qdo ele atira a cadeira na parede. ^^&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. diz:&lt;br /&gt;Hahahahahaha...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115720232477222970?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115720232477222970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115720232477222970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115720232477222970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115720232477222970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/09/fallen.html' title='Fallen'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115664145568118495</id><published>2006-08-27T01:13:00.000+01:00</published><updated>2006-08-27T03:10:17.320+01:00</updated><title type='text'>Me disseram que eu não tinha nada para dizer.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Algum de vocês já alimentou a sensação de ter a coisa a ser expressa do fundo da alma e não saber o que é essa coisa, ou como agir para deixar que ela flua de onde tem que fluir, seja lá para onde for? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tenho amanhecido assim e pior, ido dormir no mesmo estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Passo os dias fazendo as minhas honras internas para a personagem da Mary Beth Hurt no Interiors do Woody Allen, ou me alucinando na sensação de estagnação criativa. Enquanto milhares de álbuns e ícones e livros e fotografias e filmes transitam na frente da minha cara e zumbem nos meus ouvidos, eu fico sem saber se estou sendo claro para mim mesmo, se me julgo honesto com as coisas que eu sempre desejei e me pego pensando em por que diabos etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me transformei numa questão estética mal embasada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mas me contaram que isso não é nada. Que é fase. Que eu tenho o peso da responsabilidade avançado nas costas desde o instante em que me deixei sensibilizar e ser tocado pelo que não pertence a mim. Trocando em miúdos me disseram o óbvio e o que era inevitável sem apresentarem solução alguma, e transformaram para mim a sensibilidade companheira que eu acreditava existir num elemento acusador, inútil e indesejado, ao passo que eu, o grande culpado do meu cansaço, sou também o único que pode amenizar as dificuldades. O diálogo "não adianta".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me silenciaram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E é enquanto eu escuto I Clipped Your Wing do Nyman, ou It Ain't Necessarily So, ou Bulletproof Cupid do Placebo que essa vontade agressiva de criar alguma coisa, qualquer coisa, vem à tona, mas não se consuma. A preguiça é muita para tomar a câmera nas mãos, o enfastio toma conta do meu corpo inteiro ao cruzar a porta da sala de aula e a irritação impera no final do expediente de cada dia. Caminhadas noturnas e a certeza de que a gravação do Louis com a Ella de Summertime é a perfeição atingida pelo jazz são alguns dos personagens secundários que me acompanham na longa jornada atrás do fio da meada perdido por aí. Não é isso o que eu quero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quero o silêncio bom, aquele que é desejado e sorvido como os últimos segundos antes da gente dormir e se preparar para um dia novo em folha. Quero as estrelas frias das madrugadas de sono evocando imagens de Natal e de infância, dias que vão existir até os últimos da vida da gente, queria The Scent of Love tocada por Teddy Wilson, queria o impossível. Quero ter o direito de ter o que dizer sem estrangeirismos fakes ou falhas egoístas de interpretação e de reaprender a sonhar em breve tendo as minhas próprias reminiscências. Brilhante e novamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115664145568118495?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115664145568118495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115664145568118495' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115664145568118495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115664145568118495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/me-disseram-que-eu-no-tinha-nada-para.html' title='Me disseram que eu não tinha nada para dizer.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115612127653097545</id><published>2006-08-21T01:47:00.000+01:00</published><updated>2006-08-21T02:20:37.586+01:00</updated><title type='text'>Debaixo do azul brasiliense...</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/bTL57hYPnMQ" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;... fui queimado pelo calor no rosto e nos braços.&lt;br /&gt;... dei sinal dentro do ônibus para uma mulher descer com sacolas de compras.&lt;br /&gt;... limpei a lente da minha câmera com cotonetes.&lt;br /&gt;... me aborreci com a lentidão do atendimento no supermercado.&lt;br /&gt;... experimentei um beijo frustrado, um na testa e um muito triste.&lt;br /&gt;... fotografei o sol várias vezes.&lt;br /&gt;... conheci o Rafa e sua importância no departamento do curso de Serviço Social da unb.&lt;br /&gt;... senti saudades dos meus passeios sozinho pelos sebos do centro de São Paulo.&lt;br /&gt;... tomei cerveja irlandesa pela primeira vez.&lt;br /&gt;... comi pouco sem sentir fome alguma.&lt;br /&gt;... flertei no meio do plenário da Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;... adotei o modo vídeo da minha câmera fotográfica como uma nova forma de expressão.&lt;br /&gt;... me senti excluído pela primeira vez em seis anos.&lt;br /&gt;... comi lasagna pela primeira vez em sei-lá-quantos-meses.&lt;br /&gt;... às portas da bilheteria do Anima Mundi, dei de cara com o "ingressos esgotados" do bilheteiro.&lt;br /&gt;... revisitei momentos profissionais atribulados e percebi o quanto eles já não significam mais nada.&lt;br /&gt;... decidi de uma vez por todas cancelar o curso de alemão da faculdade.&lt;br /&gt;... vendi dois cd's.&lt;br /&gt;... tirei os tênis novos para entrar num templo budista.&lt;br /&gt;... descobri o prazer e a amargura de ser inconseqüente e o gosto de vida que as duas coisas oferecem.&lt;br /&gt;... tive que lavar os cabelos todos os dias, e não mais no esquema "dia sim/dia não", por causa do ar seco e da poeira.&lt;br /&gt;... pensei muito em Ingmar Bergman e nas sessões de cinema de fim de noite pelas salas da Avenida Paulista.&lt;br /&gt;... conheci o Beirute.&lt;br /&gt;... chorei no telefone ao dar os parabéns para o meu irmão pelo aniversário dele.&lt;br /&gt;... fui atendido por um garçom chapado no Rayuela, que derramou suco no Rodrigo e corrigiu a própria fala mais de uma vez.&lt;br /&gt;... selei amizades que estão longe de Brasília.&lt;br /&gt;... me vi fragmentado num espelho ao ar livre.&lt;br /&gt;... apertei a mão do Ismael e a do Maurício. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;... dormi com dificuldade e tive sonhos estranhos.&lt;br /&gt;... tive vontade de mergulhar no lago Paranoá.&lt;br /&gt;... passei um dia inteiro em casa, tendo saído só de manhã para comprar coisas para o café.&lt;br /&gt;... resolvi jogar Silver novamente quando chegar em São Paulo.&lt;br /&gt;... me assustei com os lagartos que moram numa boa pelos jardins das quadras do plano-piloto.&lt;br /&gt;... fui mal interpretado e não soube dizer nada em minha defesa sem parecer mentiroso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;... entreguei para o Marcelo um pacote de cookies de limão.&lt;br /&gt;... ouvi música evangélica soando numa sala ao entrar no banheiro do Teatro Nacional.&lt;br /&gt;... fui assediado por um cara nojentão no Parque da Cidade.&lt;br /&gt;... fotografei, a pedidos, um trio de turistas nordestinos no mirante da torre de TV. Três tentativas e um acerto e meio.&lt;br /&gt;... não consegui rever alguns amigos.&lt;br /&gt;... não pude conhecer pessoalmente alguns amigos virtuais.&lt;br /&gt;... pude entender porque Brasília é complicada para quem não tem carro, ao ficar durante dez minutos parado na beira do eixo tentando atravessar.&lt;br /&gt;... me senti soberano ao cruzar a rua na faixa de pedestres e notar todos os carros pararem por minha causa.&lt;br /&gt;... vi o pôr-do-sol com Angélica.&lt;br /&gt;... pensei em colocar o meu terceiro piercing consecutivo na sobrancelha esquerda, para levar de lembrança da cidade.&lt;br /&gt;... tomei um sorvete caro e com gosto de geladeira.&lt;br /&gt;... comi um pastel barato e sem gosto de nada.&lt;br /&gt;... devorei um bombom fora do prazo de validade.&lt;br /&gt;... me diverti com as camisetas da Kingdom Comics e da Verdurão.&lt;br /&gt;... alcancei a consciência da maturidade ao aceitar o fato de que eu não me arrependo.&lt;br /&gt;... recebi um e-mail do Ricardo em que ele me diz:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Mas... nós queremos mesmo é que os homens olhem para dentro de si mesmos. É o que você faz sempre. Por isso tudo parece tão lindo visto pelos seus olhos. A realidade exterior se torna reflexo da realidade interior - uma coisa meio proustiana. As cidades... nós somos as cidades... e milhares de possibilidades de ser nos habitam. Brasília vista pelo Diego é como um Le Corbusier, revisitando a semente de futuro que plantou nas mãos de Oscar Niemeyer. É a França exilada nos Trópicos. Se São Paulo é indômita, Brasília é a flor no asfalto de Drummond. No meio do deserto, Burle Marx. Tudo o que deveria ser duro, rijo e gris, ganhou curvas, movimento e alvura. Em Brasília deveríamos ser mais flexíveis."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;... fui embora depois de uma semana de sol, deixando a cidade com a intuição de que uma chuva está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ela tente fazer algum verde brotar no marrom e, no final de tudo, abrandar com algum frescor toda essa seca.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115612127653097545?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115612127653097545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115612127653097545' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115612127653097545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115612127653097545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/debaixo-do-azul-brasiliense_20.html' title='Debaixo do azul brasiliense...'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115585740909861868</id><published>2006-08-18T00:30:00.000+01:00</published><updated>2006-08-18T00:30:09.150+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Almost sundown&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/5Ooei2xiBuI"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/5Ooei2xiBuI" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115585740909861868?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115585740909861868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115585740909861868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115585740909861868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115585740909861868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/almost-sundown.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115576468763054197</id><published>2006-08-16T22:44:00.000+01:00</published><updated>2006-08-16T22:55:36.650+01:00</updated><title type='text'>Beginning</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/uK4CUlEz01o" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115576468763054197?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115576468763054197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115576468763054197' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115576468763054197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115576468763054197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/beginning.html' title='Beginning'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115573221207512195</id><published>2006-08-16T13:43:00.000+01:00</published><updated>2006-08-16T14:40:52.616+01:00</updated><title type='text'>Gracias por venir.</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/35jIExTPGCk" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115573221207512195?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115573221207512195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115573221207512195' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115573221207512195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115573221207512195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/gracias-por-venir.html' title='Gracias por venir.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115548392003831599</id><published>2006-08-13T16:45:00.000+01:00</published><updated>2006-08-13T16:45:20.093+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;São Paulo - Brasília&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/wzBoucHOHoQ"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/wzBoucHOHoQ" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115548392003831599?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115548392003831599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115548392003831599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115548392003831599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115548392003831599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/so-paulo-braslia.html' title=''/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115486702698763016</id><published>2006-08-06T12:05:00.000+01:00</published><updated>2006-08-06T13:29:40.043+01:00</updated><title type='text'>As primeiras imagens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um dos meus refúgios na infância eram os rótulos de bebidas nos supermercados, principalmente os das garrafas de vinho e entre eles, sobretudo, os que mostravam grandes castelos. Aqueles desenhos e diagramações, cores, fontes e personagens organizavam bem na minha frente uma centelha do meu ideal bucólico de menino e me transportavam, durante o tempo que os meus pais levavam fazendo as compras, para séculos anteriores e lugares tão distantes que, mesmo naquela época, eu me perguntava se existiriam de verdade.&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/r??tulo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 269px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px" height="265" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/r%3F%3Ftulo.jpg" width="310" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era este o mesmo sentimento que me conduzia a escutar música barroca com dez anos de idade. Não sabia explicar o porquê da inclinação ao erudito ou de onde tinham vindo as minhas preferências, mas eu sabia já naquela época que para mim todas essas escolhas eram muito menos uma questão de gosto que uma busca por ícones que me soavam estranhamente familiares. Eu me identificava com aquilo, me sentia de certa forma na minha casa. Como no "Sonhos" do Kurosawa, em que um pintor se transporta para as telas do Van Gogh, naqueles instantes de audição ou de observação das garrafas eu negava a realidade enquanto personagem e abraçava o desenho enquanto criatura, de repente me reconhecendo como mais um alegre e voraz conviva de um dos piqueniques nos bosques inebriantes do Watteau.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Seguindo uma teoria evolutiva eu digo hoje que estes foram os primórdios do meu despertar para o cinema, porque os primeiros filmes que eu lembro de ter assistido ainda quando pequeno foram apreendidos por mim na mesma região emotiva onde eu guardava essa nostalgia de coisas que não pertenciam ao meu tempo, e não raro eles se apresentavam como crias minhas, tamanho o meu grau de projeção, ou seja, eram para mim metalinguagem: Fanny och Alexander, Au Revoir les Enfants, Empire of the Sun, Stand By Me, o Benedict do Farinelli, as crianças na primeira fase do Wuthering Heights, o Léolo, o Pelle, o Antoine Doinel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eram histórias cortantes de negação, rejeição e abandono justamente no período da vida em que uma pessoa precisa emergencialmente de outra mais velha, e por isso, de acordo com o que subentende a inocência, superior em inteligência e dona de uma capacidade mais genuína de orientar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Me imaginava ao escutar música em outras décadas, outros séculos, em outros lugares do mundo. E enquanto um aventureirozinho francês nouveau riche se refestelava de chapéu safari numa charrete no Marrocos, ou enquanto um principezinho inglês escapava do palácio para combater vampiros nas madrugadas nebulosas das ruas de Londres, eu parecia procurar a minha orientação e o meu abrigo na fantasia, acreditando desde cedo que aquela realidade dos jornais, dos tristes programas infantis em manhãs nubladas ou do portão gelado de ferro na fachada da escola não eram tão legais quanto o que a minha própria criatividade podia me oferecer quando estimulada por alguma imagem ou som. Me ganhei um pouco a cada garrafa hoje inexistente, me deixando um pouco em cada rótulo, na mesma medida que tomei dessa troca a base para aprender a criar uma diretriz. Lúdica, mas objetiva. Real, mas sadia. Ideal em certa medida, mas nascida do que há de mais recôndito na criança que ainda vive aqui dentro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E foi esse o princípio do sonho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115486702698763016?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115486702698763016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115486702698763016' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115486702698763016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115486702698763016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/as-primeiras-imagens.html' title='As primeiras imagens'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115481191520946571</id><published>2006-08-05T22:03:00.000+01:00</published><updated>2006-08-05T22:07:33.523+01:00</updated><title type='text'>Sem mais,</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/DSC06888.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06888.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115481191520946571?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115481191520946571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115481191520946571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115481191520946571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115481191520946571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/sem-mais.html' title='Sem mais,'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115469963618635607</id><published>2006-08-04T13:09:00.000+01:00</published><updated>2006-08-04T18:48:25.340+01:00</updated><title type='text'>Esse cara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tem um cara ali que está parecendo querer alguma coisa, e parece também que todo mundo está preocupado com isso. Ele pára em silêncio, pensa um pouco e esboça algumas linhas no blog. Afasta com as pontas dos dedos da mão direita a franja caindo no olho, digita, pára de novo e toma um capuccino, põe uma baladinha deprê para tocar e olha para o livro do André Takeda em cima da mesa, num pleno descanso em cima da toalha junto com o 8 1/2 do Fellini.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Se sente sozinho, sim, mas é porque as perguntas que fazem para ele parecem ser muito mais imbuídas de alguma expectativa egoísta do que na intenção de compartilhar alguma coisa. Perguntaram para ele o que ele vai produzir nos próximos dias, de que CD ele vai se desfazer hoje, para onde ele quer ir, o que ele quer fazer onde ele quer ir, com quem ele quer ficar, o que ele quer &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt; com quem ele quer ficar, com o que ele está pensando em trabalhar no ano que vem e quanto dinheiro ele pretende tirar com o que ele quer trabalhar no ano QUE VEM. "E depois o ansioso sou eu", ele pensa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Só que um coração solitário não precisa exatamente ser alguém que queira sair da solidão, apesar de &lt;em&gt;parecer&lt;/em&gt; assim. É onde as expectativas alheias derrapam e o tornam ainda mais isolado, porque elas só se mostram preocupações estéreis e desviadas do foco, quando na verdade o que ele quer é ser visto como ele de fato se mostra, como ele de fato é. Quer dizer, para quê ele sonharia em sair do estado de alma atual se este lhe é inspirador e reserva também um universo peculiar e intimista, todo preenchido de um índice para o contato estreito e desobrigado com as coisas/pessoas/lugares do seu próprio coração? Ele acha que tem gente que se preocupa demais com pouca coisa e para a cabeça dele é tudo muito simples. Aliás, tão simples que chega a irritar a ele mesmo, porque o padrão atual é ser adepto fiel e apaixonado da máxima "para que simplificar, se a gente sempre pode complicar um pouquinho mais?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;este ponto ele pára de escrever, meio indignado. É remetido às perguntas constantes sobre o que se passa no universo intelectual das suas intenções acadêmicas e do tempo que ele vai levar para realizar todas elas, aceitando de nariz torcido o fato de que o tempo que ele leva para responder a essas curiosidades bestas seria muito melhor aplicado em leituras sobre o seu campo de interesse de pesquisa, justamente o da estética, da análise e da crítica de cinema. De literatura... de fotografia... Ok, tá bom, foi muito. Mas como é que, em período pré-mestrado, num momento onde se faz a preparação para a preparação, um período de conhecimento e do contato primeiro com outros universos e de, sobretudo, experimentação, já queiram transformar o cara num mestre da Sorbonne especialista em Habermas e Bakhtin?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Deveria existir também uma estética da encheção de saco.", porque é muito interessante a teoria que afirma que a vida, não raro, traz à superfície da pele algumas crises - que são intrínsecas e, por isso, anteriores - unicamente com a genuína intenção de transformar todas elas, no âmbito do contato com o outro, radicalmente piores. Feito a merda no ventilador. Obrigatoriamente ela não ignoraria a &lt;em&gt;poética&lt;/em&gt; da encheção: Cada perguntinha safada que pronunciam a respeito dos assuntos da vida acadêmica e afetiva parece ser tão refinadamente pincelada num programa de desconfiança, cuja eficiência seria impossível não perceber, que cumpre excepcionalmente bem o papel a que foi destinada e deixa mais marcas de um constrangimento desnecessário, porque a questão apresentada está bem enquadrada, mas segue no foco errado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No final do capuccino, esse resto doce/amargo que fica no fundo da caneca é a resposta ideal para o que esse cara quer: Experimentar, subindo degraus. Conhecer. Ainda dá tempo de fazer muita coisa, de ouvir muita música, ver muito filme, de beijar e abraçar, de pensar e produzir. Quer tempo para respirar. Só. Se pergunta se isso é simples até o limite do simplismo, ou se é tão complicado a ponto de ter que esboçar um organograma no guardanapo. O que ele quer é importante para ele mesmo e demanda silêncio, ponto. E chega de pergunta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115469963618635607?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115469963618635607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115469963618635607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115469963618635607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115469963618635607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/08/esse-cara.html' title='Esse cara'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115415885267279725</id><published>2006-07-29T08:00:00.000+01:00</published><updated>2006-07-29T08:40:52.693+01:00</updated><title type='text'>Sra. Tobler e eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se elevou agora na minha mente a imagem da Sra. Tobler depois da enfermidade, caminhando pelos corredores da casa arruinada e sem luz elétrica - cortada por inadimplência. Arrastando os chinelos gastos deliciosamente pelo chão de madeira até a janela invernal da sala vazia. No meio da turbulência e do peso frio e escuro das páginas duras do romance, Robert Walser encontra um ponto de conforto onde todo os esforços, os cansaços, a angústia e o caos convergem e se diluem, e ele se mantém respirando tranqüilamente justo na zona de transição entre o retrocesso da doença e o princípio da cura na personagem. Nenhuma sombra de aborrecimento ou euforia, todo e qualquer vestígio de emoções mais inflamadas parece estar enterrado na neve lá do lado de fora, dormindo e ressonando embaixo do gelo na terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E se eu concluo que é bom sorrir sem fazer esforço durante as horas mais altas da madrugada, é porque experimento e compartilho com o que imagino da Sra. Tobler a sensação do vigor físico cambaleante, estacionado no estado natural de vigilância. Não me sinto tão forte a ponto de arriscar uma lágrima, nem tão fraco ao ponto de não me levantar da cama - ou ir para ela como uma última solução convalescente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Talvez eu devesse notar e acreditar que é a isto o que chamam felicidade: o importar-se sem se importar com cada molécula de oxigênio que passeia pelos cantos desses dois mundos, o da realidade e da ficção, entre uma folha e outra num vaso de plantas, vagando em cima e embaixo do meu micro ou repousada no parapeito da janela da casa que não existe. Arrisco umas palavras jogadas aqui e ali, coloco no mais baixo dos volumes um solo de piano e voz e deixo que emane de mim, à minha revelia, toda a gratidão por estar sozinho, absorvendo e digerindo coisas, sonhando mais algumas, me resignando sem dor a outras... Como se os desejos futuros, as vontades superiores e as memórias passadas fossem também personagens alheios ao meu controle e se movimentassem docilmente por entre cenários e horas construídas com a sagacidade de um deus terreno, racional e razoável. São essas as horas mais felizes e os lugares - longínquos, mas tão próximos também - de onde brotam algumas das aceitações mais urgentes para a cura final da doença e as percepções mais percucientes do que significa para mim o estar-aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115415885267279725?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115415885267279725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115415885267279725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115415885267279725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115415885267279725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/sra-tobler-e-eu.html' title='Sra. Tobler e eu'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115366017542833110</id><published>2006-07-23T13:29:00.000+01:00</published><updated>2006-07-23T14:09:35.460+01:00</updated><title type='text'>Pesadelo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tinha um arranha-céu erguido no meio de uma metrópole estranha, cinzenta, toda recortada lá embaixo. Eu estava ali no ponto mais alto do prédio, encolhido sobre uma reentrância arquitetada para servir só como ornamento do gigante. Me comprimia na parede angustiado  e a cada instante em que o vento batia com um pouco mais de força eu sentia calafrios na espinha ao olhar para baixo, mas não conseguia gritar ou chamar ninguém. Meus pais estavam por perto, mas em outro andar. Meu irmão mais novo também. Julinha também estava, com os olhos de criança amedrontada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não se escutava som nenhum além dos uivos da ventania e dos tambores no meu peito. A ajuda não vinha, o ar não desistia, as lágrimas não saíam.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Corta para o interior do edifício.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Eu e todos os outros dormimos em colchões, trancados feito prisioneiros numa sala vazia e muito branca. O silêncio é absoluto até eu acordar escutando barulhos decididos de passos que fazem vibrar o chão, e olho para a porta no lado direito do recinto. Muito devagar, ela estala sutilmente e começa a deslizar pelo chão até encostar na parede. Por fora há um corredor igualmente branco, onde sombras humanas em movimento se esgueiram pelas paredes na nossa direção, mas nunca chegam até a sala. Aterrorizado, acordo meu pai, que dorme diante da porta. Perplexo, ele olha através dela e grita que se trata de um exército de homens uniformizados, com capacetes, fardas e armas em punho. Num flash, eu entendo que é o fim de todo o ideal e que tudo o que existe na claridade daquela sala não passa de um vestígio morto de um sonho inócuo, apesar de um dia ter sido belo. Por um desses lapsos do tempo, estamos todos guardados em algum recôndito de 1969 onde não morremos, não matamos, mas também onde todo o medo humano permanece estagnado nas sombras das marchas fúnebres e tampouco se traduz em concreção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115366017542833110?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115366017542833110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115366017542833110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115366017542833110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115366017542833110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/pesadelo.html' title='Pesadelo'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115306348222556826</id><published>2006-07-16T16:24:00.000+01:00</published><updated>2006-07-16T16:31:49.436+01:00</updated><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>&lt;embed src="http://youtube.com/v/fmFjLKgjdDE" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115306348222556826?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115306348222556826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115306348222556826' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115306348222556826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115306348222556826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/domingo.html' title='Domingo'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115262224706114907</id><published>2006-07-11T13:31:00.000+01:00</published><updated>2006-07-11T14:13:03.820+01:00</updated><title type='text'>You've always been my Clementine</title><content type='html'>&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06683.jpg" width="338" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If tomorrow's sun doesn't shine&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If no creatures stir in the morning time&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If the clouds go still in the sky&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;And the days roll in and pass us by,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;I will ride your elevator&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;We'll stay out 'til it is later.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If tomorrow's sun doesn't shine&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;At least I'll have my Clementine.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If tomorrow's moon doesn't show&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If our dreams go lost in the winter snow&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;And the flowers wither and die&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;And the waterfalls go low and dry,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Will you meet me in the garden?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;We'll say 'please' and 'beg your pardon'.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;If tomorrow's sun doesn' shine&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;At least I'll have my Clementine.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;There's a place that nobody knows&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;There's a packing up of a summer clothes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;In the lazy days of my mind&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;You've always been my Clementine.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Clementine...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;("Clementine", Pink Martini.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Na foto: Marina e Gabriel.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115262224706114907?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115262224706114907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115262224706114907' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115262224706114907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115262224706114907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/youve-always-been-my-clementine.html' title='You&apos;ve always been my Clementine'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115230423110027588</id><published>2006-07-07T21:16:00.000+01:00</published><updated>2006-07-08T19:28:34.896+01:00</updated><title type='text'>Ontologia do abismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quisera eu saber o que e como fazer, sempre. Me peguei um dia sonhando como seriam esses nossos dias secos e pedregosos muito mais fluidos e práticos de serem resolvidos se todos nós, pessoas, fôssemos peças de uma gigantesca máquina de fabricar felicidade e, dentro dessa máquina, cumpríssemos exatamente com a nossa função num ato conjunto com a nossa própria consciência, no exato ponto da engrenagem onde esse nosso único movimento nos unisse a uma certa peça. Depois nos separararíamos dela, mas como um ato pré-determinado e não contando traumas, curtindo dores, reféns das máculas do que não funciona. Sem mau-contato ou qualquer possibilidade de disfunção do todo ou do que se propõe ser o produto final.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O fato de as coisas não serem assim me melancoliza. Não tanto pela problemática de não sermos essas peças de aço, mas sobretudo por eu me ver obrigado a admitir que - seguindo a lógica da mecanicidade - apesar de tentar efetivar o que caberia a uma das peças, não posso fazer muito mais do que fiz e faço e, ao contrário do ideal, não estar engrenado a um meio, não saber para onde dirigir as minhas funções ao me perceber apartado do meu sonho - e isso pelo motivo maciçamente claro de que eu estou lutando contra algo que não cabe a mim combater: O abismo do Homem, com maiúscula, o homem como coletividade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ontem eu decidi fazer uma caminhada depois de sair do estágio, precisava pensar. Trabalho no meio do campus da cidade universitária e saio do prédio às cinco da tarde, mais ou menos o horário em que por essa época do ano o sol começa a se pôr. E lá é um lugar verde, gramado, muitas árvores aqui e ali e caminhos mais recônditos onde, entre prédios fechando jardins, a gente consegue se sentir respirando um pouco mais de ar puro sem se sentir longe da urbe. Me entranhei num trajeto que normalmente eu não faço e, ao contrário dos outros dias, não quis ouvir música nos fones. Optei pelos sons do fim da tarde, os de perto e os de longe, para que me servissem de música enquanto eu via o dia perder a cor azul-sem-nuvens e esfriar um pouco mais do que já estava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não escutei um ruído que destoasse do que eu precisava para movimentar as minhas reflexões e tudo me pareceu de pronto muito simples. Os sons formam corais naturais uníssonos: os motores dos carros correndo na avenida que fica lá perto, o atrito provocado pelo vento entre as folhas nas copas das árvores, algumas vozes agudas gritando frases esdrúxulas de vez em quando. Incompreensíveis em matéria de significado, mas donas da sua função na história simplesmente pelo motivo de terem sido ditas. Quando eu pisava num graveto do gramado e ele estalava, eu sabia o porquê dessa quebra e de onde vinha aquele som. Ao tocar com as solas dos sapatos, passo a passo, a textura da terra, das plantas ou do cimento, eu sabia distingüir as matérias e até destrinchar algumas explicações físico-químicas para sublinhar essa consciência. Enquanto o céu azul ficava negro e algumas estrelas começavam a apontar, eu sabia que era a Terra que estava girando no próprio eixo e que o sol, naquele lugar onde ele estava, ia embora do meu campo de visão levando com ele toda a luz da qual é proprietário. Em poucas palavras, eu entendia. E essa compreensão era tão fácil quanto absorver o que eu precisava para me resignar à recente descoberta de que é preciso ter paciência com os próprios ideais e os desejos alheios. O sol se põe quando é hora de se pôr, e vai amanhecer de novo na hora em que ele tem que amanhecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quisera eu ter conhecimento ou poder suficientes para fazer a dor no outro transcender em sorrisos e sumir com suavidade, mas o que me fica claro agora, nessas horas onde o desejo de conceder passeia dentro do que existe no fundo do meu corpo, é que o prazer que isso provoca em mim deve terminar onde começa o abismo alheio, ou ao menos não ultrapassar os limites do que revela em si o potencial de aumentá-lo. Porque muitas vezes o contato do homem com a dor, apesar de acionar o meu instinto afetivo, mostra claro e educadamente não ser o mal em estado bruto, mas sim a ponta de um contexto tão provável quanto a necessidade que o dia tem de virar noite. Combater isso com armas amorosas pode aumentar a ferida, tornar mais caóticas as confusões universais, machucar quem já não precisa - e, não só por isso, não merece - mais sofrimentos. Pode retardar o amanhecer e adiar a felicidade que claramente não deixou de ser buscada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Isso também me melancoliza. Porque me faz perceber que a minha ignorância chegou comigo até aqui, espreitando o meu ombro direito por séculos quando eu deveria ter silenciado os meus ideais muito antes de me achar, como agora, no limiar do desamor, justamente pelos que eu pretendia defender do que eles não precisavam - ou não queriam - ser defendidos. Talvez eu tenha violado direitos universais e sido condenado por isso. Não com uma penitência prática, mas uma condenação muda, razoável e racional, aberta em relação à minha liberdade e integridade físicas, mas moral e silenciosamente entrincheirada, e me arrependo por não ter sido lúcido quando deveria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Me pego então em silêncio, sozinho em casa, desejando reencontrar a minha capacidade de lidar com a busca do outro pela dor e pelo cansaço e abraçá-los na medida certa. Não incorporando, mas respeitando e observando como eles se desenvolvem enquanto peças indispensáveis, mas individuais, na organização e estruturação de um outro tempo que se propõe feliz - ou não. Acompanhando como um cientista lúdico, exatamente assim como eu observo e compreendo os mecanismos da Terra em relação ao sol. Para poder ajudar efetivamente, e não mais nadar contra as correntes dos oceanos revoltos achando que assim a gente chega a algum lugar. Para também ser uma ilha de confiança e acolhimento onde, simplesmente por estar ali, se revelassem nitidamente os aspectos solares, protetores e confortáveis a que eu me dedico acreditar nutrir. Para poder me redimir afinal, de todo o meu egoísmo e da minha impaciência. Para eu poder fazer, de forma cíclica ou constante, mas verdadeira e carinhosa, alguma diferença na engrenagem da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115230423110027588?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115230423110027588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115230423110027588' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115230423110027588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115230423110027588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/ontologia-do-abismo.html' title='Ontologia do abismo'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115240527841494670</id><published>2006-07-07T21:04:00.000+01:00</published><updated>2006-07-09T01:47:32.263+01:00</updated><title type='text'>Nulla in Mundo Pax Sincera</title><content type='html'>&lt;em&gt;Nulla in mundo pax sincera&lt;br /&gt;Sine felle; pura et vera&lt;br /&gt;Dulcis Jesu est in te&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inter poenas et tormenta,&lt;br /&gt;vivit anima contenta,&lt;br /&gt;Casti amoris, sola spe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blando colore oculus mundus decipit&lt;br /&gt;et occulto vulnere corda conficit.&lt;br /&gt;Fugiamus ridentem&lt;br /&gt;vitemus sequentem&lt;br /&gt;has delicias ostentando;&lt;br /&gt;arte secura vellet ludendo superare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spirat anguis inter flores&lt;br /&gt;Et colore explicando tegit fel.&lt;br /&gt;Spirat anguis, sed tegit fel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sed occulto factus ore&lt;br /&gt;Homo demens in amore&lt;br /&gt;Saepe lambit quasi mel.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(There is no true love in the world&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;without bitterness;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;in you, sweet Jesus, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;it is pure and rightfull.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Among anguish and torment&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lives the contented soul,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;its only hope, chaste love.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;The world beguiles our eyes with alluring colours&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;and consumes our hearts with hidden wounds.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;When it laughs, let us flee from it;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;when it pursues us, flaunting its delights,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;let us shun it;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;for by carefree conduct and amusements&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;it would overcome us.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;The serpent slithers through flowers,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;and whilst it shows the beauty of its&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;colours it conceals its vendom.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;The serpent slithers, but it conceals &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;its vendom.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;But he who is dumbstruck&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;and insane with love,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;will often lick it as it were honey.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115240527841494670?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115240527841494670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115240527841494670' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115240527841494670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115240527841494670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/nulla-in-mundo-pax-sincera.html' title='Nulla in Mundo Pax Sincera'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115217126703078964</id><published>2006-07-06T06:54:00.000+01:00</published><updated>2006-07-06T18:40:21.690+01:00</updated><title type='text'>Fins de noite na Avenue</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me sinto raptado pelas saudades quando viro a esquina dessa rua, toda madrugada. De quem é a silhueta tocando clarinete na janela do primeiro andar eu não sei, mas conheço "Body and Soul" desde a infância, quando fuçava nos discos do meu avô... Aquele mundo de poeira e som, seco e intrigante, que eu não tinha como fazer soar na vitrola quebrada do apartamento e a saída era levar tudo para a minha casa. É, pedir emprestado, coisa que eu detestava e ainda detesto, porque eu não gosto do dissabor de ter que devolver as coisas. Não os discos, não os livros, não as ternuras. Como é que pode o "body", o "soul", o touch, o look and caress serem "emprestados" pelo regozijo sardônico da efemeridade? Tudo aí vira um nada filtrado pelos tímpanos do inútil. Não gosto de ter que voltar, regredir, uma vez que eu avancei e me tornei melhor absorvendo algum aprendizado. Aprendi para quê, então?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mas lá vou eu atravessar a rua. E é incrível como eu sempre começo a sair de cena sempre na sétima nota da segunda frase da música, que tem nove - E toda noite eu saio de cena me perguntando quem é esse diabo desse clarinetista, que parece escolher o exato segundo da minha travessia para mandar a Body and Soul como se estivesse descrevendo os meus passos inseguros na calçada. Quer fazer música programática e fica ali escondido em casa, me fazendo de palhaço, treinando comigo como se eu fosse o personagem-atrás-da-cortina. Pode ser. Seria saudável até... Só que isso me incomoda, porque eu penso em coisas nessas horas. Lembro de sorrisos meigos, de olhares puros, do contraponto a toda essa hostilidade cotidiana que tentam me fazer engolir sem dó pela goela abaixo. Tem também os pesares sobre uma autoproteção que eu já nem sei mais se é exagerada e uma mania de perseguição mal-humorada (olho para cima, para ver se ele está olhando para mim). Mas mesmo assim eu me deixo transbordar pela ternura-de-maré-cheia do âmago por causa desse clarinete, e isso não é legal... Sinaliza o perigo de ter que devolver tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Esse cara me irrita, convenhamos. E o pior é que toca bem. Dos sopros dele brotam umas flores assim bem bonitas, pequenas, perfumadas e que murcham muito rápido, todo dia uma - e justo na altura de um trajeto diário que já me recebe carregando o peso do cansaço. Aí de flor em flor, de nota em nota, de travessia em travessia, oscilam em mim as euforias e os ressentimentos de uma vida de viagens e retornos para casa, dentro de uma extensa canção sobre a indignação estacionada pelo que &lt;em&gt;ainda pode ser&lt;/em&gt; e não é. "Por quê" isso, "como assim" aquilo, "não-queros" e "não-aceitos" misturados num delicado e perfeitinho vaso de ironia me empurram para uma saída - onde o intuito da gargalhada aberta é a vantagem de quem esconde o próprio incômodo com a incerteza de não saber como resolver a questão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ok, ok, atravessei a droga da rua, não vou ficar parado na esquina no meio da madrugada. Mas qualquer dia desses eu fico um pouco mais ali para escutar o sopro até o final e desmitificar o mistério da silhueta, o fôlego do músico, o programa. Expiar quem sabe essas dúvidas de personagem do mundo, que surge todo fim de noite fazendo um caminho estranho embaixo da janela dele e esquecendo, entre uma linha de pensamento e outra, que o mesmo é também um personagem meu. Me abrir um pouco mais para um trato que no fundo parte da poesia rotineira. Refletir s&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;obre estar ou não sob efeito do tempo traduzido em notas, da nostalgia que me observa e talvez do fato de eu até gostar do clarinetista, enquanto o corpo caminha e a alma respira o que o ar concede e o sonho eleva. Ter as respostas dos segredos que eu cavo prontas na língua, mas fazer disso o uso mais afetuoso e arteiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Os segredos... E isso importa de verdade? Numa noite dessas eu descubro. Bom. Eu estou de passagem por lá todo dia mesmo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115217126703078964?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115217126703078964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115217126703078964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115217126703078964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115217126703078964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/fins-de-noite-na-avenue.html' title='Fins de noite na Avenue'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115176440027872745</id><published>2006-07-01T15:02:00.000+01:00</published><updated>2006-07-01T15:37:24.226+01:00</updated><title type='text'>... E a estrela dançou.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Então. Eu nunca pensei que fosse ver em vida um espetáculo feito esse aí. Mas ontem à noite, chegando em casa bem cansado de um dia meio cinzento, me joguei, no escuro, na cama da minha mãe para esperar o banheiro ser desocupado e ir tomar o meu banho. Deitei de costas, atravessado nela com a cabeça para fora do colchão e o cabelo quase roçando no tapete embaixo. Em dois, três segundos eu notei, pela fresta aberta na janela, uma luzinha que se mexia pelo céu com toda a energia que estava ausente no meu corpo: era uma estrela meio junkie, dançando como eu nunca me atrevi a dançar e me desafiando a aprender os passos que ela ensaiava. Parecia uma transferência de ideais: Tudo o que eu não conseguia fazer, ela realizava impassível e ainda ria de mim. Levantei correndo, fui buscar a câmera no meu quarto para registrar os passos e tentar aprender depois. Seguem aí embaixo alguns registros da coreografia).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px; TEXT-ALIGN: center" height="156" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06534.2.jpg" width="303" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 152px; TEXT-ALIGN: center" height="168" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06521.1.jpg" width="303" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px; TEXT-ALIGN: center" height="170" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06523.1.jpg" width="306" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; CURSOR: hand; HEIGHT: 148px; TEXT-ALIGN: center" height="174" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06524.0.jpg" width="311" border="0" /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px; TEXT-ALIGN: center" height="174" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06531.0.jpg" width="317" border="0" /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; CURSOR: hand; HEIGHT: 145px; TEXT-ALIGN: center" height="176" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06526.0.jpg" width="306" border="0" /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px; TEXT-ALIGN: center" height="176" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06525.0.jpg" width="309" border="0" /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; CURSOR: hand; HEIGHT: 152px; TEXT-ALIGN: center" height="173" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06530.0.jpg" width="312" border="0" /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; CURSOR: hand; HEIGHT: 148px; TEXT-ALIGN: center" height="169" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06534.3.jpg" width="308" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115176440027872745?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115176440027872745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115176440027872745' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115176440027872745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115176440027872745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/07/e-estrela-danou.html' title='... E a estrela dançou.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115158600009162211</id><published>2006-06-29T13:27:00.000+01:00</published><updated>2006-06-30T05:42:33.306+01:00</updated><title type='text'>Macaroni.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Em &lt;em&gt;Me and You and Everyone We Know&lt;/em&gt; existe um universo de originalidade e delicadeza cuja maior qualidade é o esforço da expansão, em meio ao mundano e o rotineiro, na direção de quem quer que esteja disposto a receber dele qualquer uma das boas surpresas que o filme tem para oferecer. Um universo que, apesar de ser surpreendentemente cotidiano e comum a todos nós - elemento coletivo contemplado no título do filme - chega até a gente focado pela sagacidade e pela gentileza do olhar da Miranda July.&lt;br /&gt;Antes de ser original, é um trabalho sobre a humana busca pelo outro, pela descoberta de novos filtros sobre a realidade íntima de cada um e sobre o tempo das pessoas, o ritmo da vida e o amor, no que a acepção desta palavra guarda de mais genuíno e verdadeiro. E tudo isso é realizado em imagens tanto com o esforço apaixonado pela técnica quanto com a inocência da visão sobre algumas das mais complicadas situações que a contemporaneidade constrói pelas nossas trajetórias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/everyone%20we%20know.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/everyone%20we%20know.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Falo do esforço pela técnica porque July, artista performática multimídia que abandonou a faculdade para cuidar dos seus projetos artísticos pessoais (chegando a ter, posteriormente, alguns trabalhos expostos no mais alto circuito artístico americano, como no MoMA e no Guggenheim), nunca tinha feito um longa metragem antes e tampouco era senhora de profundos conhecimentos a respeito de como escrever um roteiro, quando decidiu realizar este. Aprendeu a fazer cinema na base da intuição e da experiência prática com instalações, curtas e clipes. Procurando ajuda de Michelle Satter - figurona do Sundance Institute envolvida nas produções de &lt;em&gt;Requiem for a Dream&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Reservoir Dogs&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Hedwig&lt;/em&gt; -, para produzir o seu primeiro projeto de longa, viu o seu trabalho ser recusado um par de vezes com a afirmação de que não se achavam ali naquelas páginas qualquer possibilidade de se dar alguma liga entre as várias personagens. Depois de algumas tentativas frustradas e vários tratamentos posteriores no roteiro original, finalmente ele foi aceito, financiado e filmado. A continuação dessa história é mais conhecida do público: O filme ganhou o mercado internacional, foi premiado com o Camera D'Or em Cannes e com o prêmio especial do júri - justamente pela originalidade do olhar - em Sundance.&lt;br /&gt;A despeito de todas essas láureas e luzes, a obra se apóia por completo na mais cotidiana simplicidade, e é aí que entra a inocência do olhar da diretora. O filme nada tem de ingênuo, ao contrário: Mostra que conhece e dialoga profundamente com as mazelas humanas mais complexas e difíceis tanto para os indivíduos quanto para a sociedade contemporânea como um todo (os amores difíceis, a pedofilia, a morte, a solidão urbana e as frustrações sucessivas em época de relações impessoais ou virtuais, a dor da separação e a descoberta precoce do sexo), mas não se dobra a tais dificuldades, ou mesmo se deixa levar por elas a uma estrutura narrativa melodramática ou romanesca - aos quais o nosso olhar se acostumou desde a infância. Com a alma e a técnica de uma artista multimídia e cineasta estreante, mas sobretudo como mulher, Miranda reelabora e recria a realidade do dia-a-dia sob a inocência emergencial de um olhar poético e sem preocupações moralistas, recurso que termina por abrir janelas a uma criatividade que, de cena em cena encanta, comove e desperta o olhar do público para a possibilidade real de enxergarmos o que nos rodeia por um outro prisma mais suave, um pouco menos racional e lógico e conseqüentemente menos condicionado, menos padronizado, menos hostil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Os personagens, durante toda a projeção do filme, interagem com o meio em que vivem de forma inventiva, às vezes irreverente: Seja na loja onde o protagonista Richard (John Hawkes) trabalha enquanto discute psicologia com os seus fregueses, seja numa calçada onde caminham ele e a artista Christine (a própria Miranda July), metaforizando uma história de amor que terminaria na esquina onde ambos se separam e cada um segue o seu caminho, seja no tapete onde duas crianças deitadas sonham em viver no lustre do quarto ou num carro em movimento no meio da estrada ao tentar impedir a morte de um peixe de aquário, cada verso do poema cinematográfico é composto com base em sacadas preciosas, tanto no caminhar da narrativa e nos diálogos despretensiosos quanto no uso dos tons azuis e róseos da fotografia limpa, clara e simplesmente apoiada no uso das cores. E mesmo na trilha leve e doce do Michael Andrews, que combina em termos musicais toda a mecanicidade do eletrônico com a liberdade melodiosa da voz humana, entre timbres inusitados e agudos, imprimindo assim uma inesperada, mas harmônica ponte sonora entre o que a câmera instiga e o espectador depura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não bastasse isso, o filme promove uma das cenas mais sensíveis dos últimos tempos ao descrever em certa altura, sem falas, um imprevisível encontro no banco de um parque num dia de sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Me and You and Eveyone We Know&lt;/em&gt; é, portanto, com a devida licença pela liberdade que eu tomo sobre a recriação dos termos usados pelo Pasolini no "&lt;em&gt;Empirismo Herege&lt;/em&gt;", o resultado de um sorridente e moleque cinema de prosa poética, onde a sintaxe lógica abre sinceros e afetuosos parênteses para que a poesia do cotidiano entre na "ordem-natural-das-coisas" e realize ali alguns dos papéis genuínos da arte, velha amiga da menina July: Encantar, comover e transformar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Trechos de vídeos performáticos de Miranda July:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.mirandajuly.com" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.mirandajuly.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Site “Learning to Love You More”, onde July e o artista Harrell Fletcher criam espaço para produções amadoras: &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.learningtoloveyoumore.com" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.learningtoloveyoumore.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Site “Joanie 4 Jackie”, espaço idealizado pela artista para promover a interação entre cineastas mulheres independentes e a distribuição de filmes de baixo orçamento por uma via alternativa:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.joanie4jackie.com/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.joanie4jackie.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115158600009162211?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115158600009162211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115158600009162211' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115158600009162211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115158600009162211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/macaroni.html' title='Macaroni.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115127134451351074</id><published>2006-06-25T22:32:00.000+01:00</published><updated>2006-06-25T22:35:44.540+01:00</updated><title type='text'>Coração americano</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Coração americano&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acordei de um sonho estranho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um gosto vidro e corte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um sabor de chocolate&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No corpo e na cidade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um sabor de vida e morte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Coração americano&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um sabor de vidro e corte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A espera da fila imensa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E o corpo negro se esqueceu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estava em San Vicente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A cidade, suas luzes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estava em San Vicente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As mulheres e os homens&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Coração americano&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um sabor de vidro e corte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As horas não se contavam&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E o que era negro anoiteceu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto se esperava&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu estava em San Vicente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto acontecia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu estava em San Vicente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Coração americano&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um sabor de vidro e corte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115127134451351074?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115127134451351074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115127134451351074' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115127134451351074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115127134451351074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/corao-americano.html' title='Coração americano'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114890894314720653</id><published>2006-06-24T22:22:00.000+01:00</published><updated>2006-06-24T22:36:05.956+01:00</updated><title type='text'>Prece</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;... E como se voltar para casa com um caminho definido e traçado a linhas retas fosse nada além de mais uma das obrigações diárias, decidi desviar. Resolvi comigo que ia me entregar para um momento de hiato sem querer saber as horas ou se a grama me sujaria as roupas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As pessoas todas andavam numa única direção dentro do parque. A noite estrelada, sem nuvens, e a luz amarelada nos postes faziam com que todas as camisetas, calças e agasalhos parecessem pretos. Eu, vestido de um inconfundível azul e verde, virei para o lado oposto e segui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Entrei pela abertura numa cerquinha de madeira tosca que dá para a beira do lago, e notei que tudo além dela estava desmaiado num escuro tão fundo que eu me senti anfitrionado por um outro universo mais casto, puramente nobre e educado com quem pensa - ou simplesmente quer - passear por ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Escolhi um canto qualquer, estiquei meu casaco em cima da grama numa inclinação à beira do lago e me sentei ali, quieto. Só então eu pude perceber que a uma distância de três ou quatro passos uma dupla de patos estava lado a lado na mesma atitude contemplativa em que eu me deixava envolver, igualmente quietos e atentos. Mais coisas foram se imprimindo no breu enquanto a minha vista se acostumava com o escuro: Árvores aqui e ali, todas quase inertes porque não ventava, um casal abraçado a uns quinze metros de mim, à esquerda, as ondulações da água refletindo e distorcendo as cores das luzes dos prédios paulistanos que se erguiam no horizonte por cima dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O silêncio se sentou em volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Noto nesses instantes como São Paulo é uma cidade curiosa... A oferta que ela te faz de um dia de alegria outonal e sol sem nuvens é paga, depois do anoitecer, com o preço da melancolia mais pacífica de um domingo estrelado, onde a primeira ocupação dos passantes é voltar de onde quer que eles tenham vindo. Talvez faça mais sol na semana que vem, talvez a gente se cruze de novo sem se conhecer, ali no pulmão da cidade suja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Uma vontade doída me comprimiu o peito, um medo bom me impediu de levantar. Olhei de novo para os prédios ali, bem paulistanos mesmo ao exporem aquela visão da existência em linhas retilíneas e terrenas de concreto, e a impressão de que se vive nela como se a gente fosse um ponto acidental de tinta numa pintura cubista ou num cenário de HQ. Senti num assomo de lucidez o peso da realidade férrea se afundar pelo meu esôfago e, por um gesto de defesa sobre as minhas afeições e o meu mais profundo sentimento, levei o rosto para entre as palmas das mãos livres e comecei uma prece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Durou alguns segundos, talvez um minuto, dois. Mas foi como ouvir alguns séculos num acorde de bondade e, quando eu abri os olhos e revisitei a paisagem sempre delicada impressa pelas luzes noturnas, não deixei de sorrir um pouco e tirar uma foto que, mesmo baça, mesmo tremida, seria o registro de uma fuga num momento de desnecessidade e o marco inicial do que viria em seguida, mesmo que fosse o mais do mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O silêncio continuava em volta, tão puro quanto antes de anoitecer. A dupla de patos sequer tinha se mexido, numa atitude de contemplação tão entregue ou mais que a minha própria e sem um descompasso, uma veia de perturbação. Estávamos sozinhos e a cidade, sobre todas as coisas e depois de um tempo incalculavelmente pequeno ou grande, estava impressa a microscópicos sulcos pelos meus poros e sobre o ar da noite, a superfície do lago e o final de cada oração. Em trinta e sete segundos eu me levantaria da beira do lago para voltar para casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="240" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/DSC06153.0.jpg" width="326" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114890894314720653?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114890894314720653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114890894314720653' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114890894314720653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114890894314720653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/prece.html' title='Prece'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115103804788890691</id><published>2006-06-23T05:22:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T05:47:27.903+01:00</updated><title type='text'>Regra no. 1 e variações.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu não queria ter que não duvidar de mais nada. Eu não precisaria ter a minha desconfiança fustigada no que é ruidosamente silenciado pela hipocrisia e não poderia deixar de reclamar por uma limpidez que fosse mais coletivamente instaurada nas ações de todo o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nunca desejei tanto drama assim, despejado nas minhas costas como se eu já não tivesse os meus, nem tampouco esse barulho que vocês fazem à toa. Para mim o que é só e tão-somente claro e simples é o suficiente como abrigo e alimento e objeto de afeto, por isso &lt;em&gt;do not disturb&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Do not be overacting.&lt;/em&gt; Se vocês adotassem como modos a paciência que eu tenho e a delicadeza que eu sempre prezei o mundo seria menos neurótico, mas ele jamais seria melhor ou pior se eu fosse tão neurótico ou bruto quanto vocês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E se mesmo assim quiserem de qualquer forma passar da porta para o lado de dentro, ao pisar neste chão aqui sejam educados, respeitosos e façam silêncio, por favor - mas não se esqueçam de que qualquer ato mentiroso ou mal intencionado é expulso até segunda ordem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115103804788890691?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115103804788890691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115103804788890691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115103804788890691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115103804788890691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/regra-no-1-e-variaes.html' title='Regra no. 1 e variações.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-115030332908290314</id><published>2006-06-14T17:35:00.000+01:00</published><updated>2006-06-14T17:45:49.540+01:00</updated><title type='text'>Mensagem para um amigo alado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Manuscrito encontrado embaixo do meu travesseiro)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Dez e meia da noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Passos curtos, mãos nos bolsos e eu deixo a minha última aula sobre música de cinema, já sentindo o meu pesar mudo pelo fato de que a rotina, ela mesma, não tem como fazer soar do vento - ela sozinha - temas de cordas ou orquestras de flautas (que eu sempre achei tão bonitas e monto agora a um conto que eu escrevo). Mas um céu estrelado por cima disso tudo, quase musicando com alguma cor um tempo que era meu na sala de aula e agora é compartilhado com o vento frio, me mostra o horizonte delicado da urbe que, ironicamente, não exigiria tema algum. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;E então como se eu fosse um elefante e não pudesse terminar toda a caminhada, como se eu fosse um daqueles vampiros não-convincentes de matinês e não chegasse nunca a hora de dormir - na qual essa dor de cabeça cessaria num instante, um pouquinho que fosse - me lembro de um link e revisito uma peculiar fragilidade guardada na imagem do tempo, do fôlego, do percorrer o campo e de percorrer o mar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Paro então. Penso e marejo à dor arenosa da cabeça uma relaxante fuga-maresia que não é minha, onde só o que é você corre sozinho na praia e feliz, quase que como um cavalo alado, só para eu concluir antes do sonho desta noite - que eu queria poder contar e recontar mesmo antes dele acontecer - que talvez esteja sob essas mesmas asas e essas mesmas patas a casa onde vive a amplitude daquelas águas. O mar, e isso a gente pode agradecer aos nossos olhos e à nossa permanente e fabulosa capacidade de sentir, é do tamanho do mundo, e nunca vai ser só efêmero - onde quer que a gente esteja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-115030332908290314?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/115030332908290314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=115030332908290314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115030332908290314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/115030332908290314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/mensagem-para-um-amigo-alado.html' title='Mensagem para um amigo alado'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114977436492025569</id><published>2006-06-08T13:27:00.001+01:00</published><updated>2006-06-09T05:34:13.216+01:00</updated><title type='text'>Igor e Isabela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Saindo do cinema eu passei por um casal na calçada que parecia terminar o namoro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Então é assim?" Eu pensei. "Terminam num abraço?" Apesar das lágrimas dela por trás de um óculos de aro preto e grosso, e do abraço dele, que envolvia por inteiro os ombros da moça, tudo me pareceu muito árduo e cafona.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Na certa quem está terminando é ele, mas com aquele jeito assim meio de quem não estava a fim de terminar. 'Oh, quanto sacrifício eu estou fazendo pela felicidade dela..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A garota se comportava como se estivesse num velório. A postura, descaída e sem a menor elegância, expunha para a rua inteira que ela não se agüentava mais em pé na dor lancinante que estava sentindo, tanto que até me peguei olhando tão atônito como a senhora que caminhava do meu lado e me perguntando se aquele abraço acolchoado e envolvente dele seria para consolar a menina ou na verdade esconder o resultado da merda que ele estava fazendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A senhora deu um suspiro curto e torceu um pouco os lábios quando a gente passou pelos dois. "É, minha senhora. Concordo com a reprovação sutil. O olho da rua definitivamente não parece ser o lugar mais adequado para terminar um relacionamento íntimo, ainda mais quando você percebe como eles estão bem vestidos. Olha para isso, meu. Na certa ele ligou para ela convidando para jantar e dizendo que tinha algo "muito importante" para dizer. Ela se produziu, arrumou o cabelo, passou minutos na frente do espelho se maquiando sem os óculos. Batons, lápis e sorrisos, tudo para terminar a noite pendurada no ombro de um homem que não quer mais nada com nada e sendo forçada pelas circunstâncias a divulgar para quem quer que passe a cara desfeita e a maquiagem borrada. É o ridículo no mais alto grau de absorção."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um pouco mais adiante ouvi o cara dizendo num tom consolador, afetuoso: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;-Isabela... Não fica assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Não fica assim?! Me pergunto como é que esse moço, confortavelmente refestelado no lugar da pessoa que não sente mais nada, pode querer transferir para a outra a tranqüilidade que ele mesmo está sentindo. Claro que não deve ser nada fácil para ele também, afinal sei lá quanto tempo de vida deve ter investido nessa relacão para depois desse período descobrir que descurtiu. Ter a consciência de que perdeu dentro de si um sentimento que tinha sido muito bonito um dia deve ser tão doído quanto saber que não se é mais amado, desejado. Mas pedir para a pessoa que ainda gosta "não ficar assim" é sacanagem. E inútil, além de tudo. Na rua é sacanagem. Porque enquanto ele atua na solicitude da alma e na sua grande educação e respeito pelo ser humano que ela é, à coitada da moça sobra o papel da desgraçada. Mostrar que sabe abraçar com esse carinho ao mesmo tempo em que diz nas entrelinhas "este é o último abraço que eu te dou" é... Filhadaputice. E pior, filhadaputice da grossa - e disfarçada. Dou um ingresso de cinema para ela se divertir hoje à noite se ele confessar para mim o quanto de prazer mudo deve estar sentindo nessa empreitada."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;-Como não fica assim, Igor?! Você sabe que...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Olha aí, eu não falei? E aproveitando esse gancho é claro que agora vai começar a parte em que ela argumenta, diz que gosta dele e que não sabe como vai fazer daqui para a frente, pergunta se não tem mais alguma chance. E aí vão sobrar detalhes íntimos e farpas de reminiscências amargas para os dois e para o resto da Rua Augusta, no meio de uma espessura de palavreado tão intensamente significativa para ela quanto natimorta para ele. Ou então ela vai incorporar uma persona digna e dizer que se é assim que ele quer, para ela tudo bem. O que não falta no mundo é homem e ela já não estava mais tão a fim assim de continuar vivendo em crise."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não escutei mais nada, acho que tampouco queria. Menos que devia. E menos ainda que precisava, afinal os textos são sempre aquelas reprises de filmes vespertinos que a gente já conhece plano a plano, são sempre A Lagoa Azul do inferno astral romântico em que as pessoas se deixam afundar. Se foi um gesto irrefletido dele ou não, eu nunca vou poder responder. Nem querer, nem dever ou precisar. Se o grau da dor que ela estava sentindo seria facilmente trocado por uma nova investida instantânea ou se ela se trancaria dias no quarto sem tocar na comida, a senhorinha do meu lado talvez pudesse responder melhor que eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O vento bateu gelado quando eu atravessei a rua. Olhei para todos os lados. Tudo no mesmo lugar de sempre, as linhas do concreto espalhado ainda imutáveis, e eu enquanto a câmera de um longo plano-seqüência tedioso: Antonioni filmaria essa cena com a propriedade de um criador de sentido, e só mesmo alguém como ele para transformar a percepção - daquilo - em alguma forma de arte. The end.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114977436492025569?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114977436492025569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114977436492025569' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114977436492025569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114977436492025569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/igor-e-isabela.html' title='Igor e Isabela'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114957190761844249</id><published>2006-06-06T06:16:00.000+01:00</published><updated>2006-06-06T18:18:24.736+01:00</updated><title type='text'>Scissors</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#66cccc;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Edward&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#66cccc;"&gt;&lt;em&gt;Goodbye.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#66cccc;"&gt;&lt;em&gt;[Kim kisses Edward]&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#66cccc;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Kim&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#66cccc;"&gt;&lt;em&gt;I love you.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114957190761844249?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114957190761844249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114957190761844249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114957190761844249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114957190761844249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/06/scissors.html' title='Scissors'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114701384191790614</id><published>2006-05-07T15:50:00.000+01:00</published><updated>2006-05-07T16:19:35.810+01:00</updated><title type='text'>Le cinéma et moi</title><content type='html'>&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/antoine%20et%20colette.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;I wish you bluebirds in the spring, to give your heart a song to sing,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;And then a kiss, but more than this, I wish you love.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;And in July a lemonade to cool you in some leafy glade,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;I wish you health, and more than wealth, I wish you love.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;I wish you shelter from the storm, a cozy fire to keep you warm,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;But, most of all, when snowflakes fall, I wish you love.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;I wish you shelter from the storm, a cozy fire to keep you warm,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Most of all, when snowflakes fall, hot damn, I wish you love.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;All kinds of love, a whole gang of love.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114701384191790614?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114701384191790614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114701384191790614' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114701384191790614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114701384191790614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/05/le-cinma-et-moi.html' title='Le cinéma et moi'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114657424254772328</id><published>2006-05-02T13:00:00.000+01:00</published><updated>2006-05-02T19:03:31.683+01:00</updated><title type='text'>Despedida (carta a um rapaz paralítico)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Registrei uma imagem sua sem que você percebesse. Nela você está sentado com as pernas nos jeans dispostas matematicamente, fazendo um ângulo de noventa graus com o banco. As suas mãos (tão compridas e magras, bonitas) estão espalmadas e juntas entre os joelhos, como se você fizesse uma oração do seu jeito original e circunspecto. Os seus braços estão bem esticados para as pernas, e a cabeça, pequena (menor do que eu pensava antes), virada para o chão. O olhar mergulha fundo nesse chão, desbravando os sulcos dos pisos, decifrando os códigos escondidos das linhas, fotografando estradas. É noite, um poste te ilumina de amarelo e atrás de você brilham os interiores dos apartamentos numa paisagem vasta de prédios e fragmentos de vidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Você está me esperando e eu, por um instante comovido - não só com a sua lealdade, mas também com a simplicidade peculiar de quem aceita sem fazer reclamações o que lhe é oferecido (mesmo que tão pouco... Mesmo que uma redução da comunhão entre dois que você imaginava antes), - desejo de repente, com uma intensidade sangüínea, poder praticar o exercício verdadeiro de te amar. E também repentinamente a palavra "amor" já não me surpreende mais com aquela força contrária dos contemporâneos que a evitam. Olhar para você sentado, magro, indefeso sob as luzes de uma cidade que não é sua e pondo à mercê da vontade de outro a sua própria energia de vida numa noite de adeus, me faz entender o quanto o amar, apesar de difícil, é um gesto simples.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Talvez eu não tenha alcançado o patamar dessa entrega tão esparsa - do qual você precisa absorver consciência para não se machucar tanto por aí quando cair -, mas se reproduz em mim a urgência primeira de dizer que toda a minha vontade de me conduzir até você é naturalmente do tamanho do seu sentimento. Porque a minha consciência é quem me sopra agora que eu não posso, não tenho ferramentas para alicerçar as estruturas disso tudo. Me sinto fraco, culpado, incapaz. Chego a me visualizar inferior a toda a poética vastidão de conforto e acolhimento que te rodeia, justamente por não sentir o meu pertencimento a ela como fator nem provável, nem palpável, nem possível, nem real. Por tudo isso não somos nós os merecedores, mas eu sei que ambos perdemos muito da inocência dos idealistas com essa determinação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Penso que sei bem o que é esse quieto desconforto que eu vejo nos seus joelhos e nas suas mãos (digo que "penso", porque no universo complexo e único de um ser as interpretações do outro nunca são justas, mas justapostas), por também fazer dele uma música nas minhas horas de espera, e trocaria qualquer viagem naquele balão imaginário vermelho, que a gente construiu em algumas conversas despretensiosas, por uma estadia fixa na certeza da sua paz. Mas é que estou em guerra, que batalho com fuzis e bazucas no ocre e no cinza da terra sulcada. Não tem flores aqui. Mas aquelas trincheiras cheias de arames farpados e corpos caídos, fingindo de mortos, e granadas explodindo a poeira que escurece o azul do céu e entra no meio dos olhos, fazendo doer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vou me ajoelhar diante de você e forçar a minha mão espalmada, pequena e fria contra o seu peito, buscando assim a única síntese do erotismo que eu conseguiria fazer fluir do meu pulso para o seu coração, e recebê-la de volta. Vê esses prédios? Tudo são pistas deixadas no concreto para o caminho da grande verdade que incide sobre nós, assim como nós somos a prova de que as nossas necessidades precisam da nossa aceitação dos fatos: O fim, sendo nós fatalistas, ansiosos, indiferentes ou não, é o mesmo, por mais que eu ou você fechemos os olhos para isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas antes dele nós existimos. Aqui sentados, ajoelhados, somos o movimento e o sopro erótico do encontro e da invenção. Somos a plataforma onde os espaços convergem e como numa reação química se modificam e fazem brotar outras histórias, outras narrativas e o renascimento. Então se eu me ajoelho e comprimo os meus dedos em você, é para te fazer notar o fato de estarmos ambos no mesmo oceano, navegando para uma mesma ilha de terras extensas e pomares fartos, mas em veículos diferentes - que podem ainda, ou não, se topar num cais por aí. Que a minha ajuda resista aos seus acessos de mágoa se você os tiver um dia. Eu entenderia e te abraçaria com os mesmos braços, porque você conduz a Beleza nas suas rodas e me presenteia a cada dia com a certeza de que ela ainda se realiza singela, resguardada num canto em prece, para o dia em que, enfim, eu seria merecedor de um beijo seu sem mais muletas, incapacidades, culpas, impaciência ou desencontros. Um dia, menino, aquele balão vai sair voando, e nesse dia você não vai precisar mais esperar por nada, nem ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114657424254772328?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114657424254772328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114657424254772328' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114657424254772328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114657424254772328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/05/despedida-carta-um-rapaz-paraltico.html' title='Despedida (carta a um rapaz paralítico)'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114622858570509622</id><published>2006-04-28T12:50:00.000+01:00</published><updated>2006-04-29T13:28:25.853+01:00</updated><title type='text'>A chuva de ontem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tinha sido um dia quente e cheio, preenchido de coisas não-minhas e sem os fones de ouvido habituais, porque os meus quebraram - de novo. Fui até a Paulista sem munição ou refúgio e debaixo do barulho urbano para comprar um novo, quando o radinho do cobrador do ônibus anunciou que a chuva viria. Algumas caras de descontentamento, uma senhora sorri contrariada: "Esqueci o meu guarda-chuva na casa da Alice, saco." e um menino ali no fundo que quase denuncia o seu gosto pela água, olhando com um quase-sorriso para as nuvens feias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Desço do carro no meio do vento frio do outono que rola durante essa época, já confirmando o que o radialista tinha dito um pouco antes. A chuva vai vir. Por isso eu corro. Eu gosto de correr entre as pessoas na calçada, fazendo o meu caminho e desviando delas... É como se a liberdade de uma vida se resumisse num estar-num-ritmo diferente do tempo metropolitano. Corro na frente das vitrines e vou dando viradas de cabeça rápidas para as câmeras digitais que eu ando namorando de canto de olho. Corro até os meus stands para procurar um fone novo - barato ma non troppo - e encontro um numa mocinha adolescente, novinha e linda, japonesa de cabelo quase azulado, chegando a lembrar um anime. Ela não fala português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Quanto está esse daqui, ó", eu aponto, ela olha aparvalhada mas sorrindo e fala qualquer coisa como "Canse... real". &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Quinze?", pergunto. "Quinze reais?"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Aponto de novo e ela faz que sim com a cabeça, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Canse. Canse real".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Uma trovoada lá fora, assustadora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Suva, né?" Eu quase gargalho, me permitindo só abrir um sorriso. "É, vai chover..." Apóio os cotovelos no vidro do balcão e ela sorri mais, estremece com alguma afetação simulando medo dos raios. "É... Suva, suva. Uh." E abaixa para pegar um outro fone. Tapo a boca com a mão fingindo ser só um bocejo e ela volta com mais dois. "Este... Decessête. Esta... Vintchitrais." Me interesso, os mais caros são sempre os melhores. "Vinte e três este?" A moça não entende. "Hum?" Repito e ela faz a cara dela de aparvalhada. Tiro da bolsa o meu bloco, escrevo o número 23 com uma interrogação e mostro para ela, toda sorridente. "Si! É! Vintchitrais esta lá." Penso um pouco e me decido. "Então ok, vou levar este."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Céus, ela deve ter chegado ONTEM do Japão).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nova trovoada, tão assustadora quanto. "Uh, suva... Sacolina?" Dessa vez eu não consigo segurar e começo a rir, mas (ainda bem) ela ri junto comigo. "Sim, pode ser..." A menina põe o fone numa sacolinha branca e me entrega. Dou a ela o dinheiro, mas como eu sempre prefiro testar os fones na frente do vendedor, abro ali mesmo e tiro o meu cdplayer da bolsa. Dentro dele estava ainda guardada uma seleção feita por mim com indicações de membros de uma comunidade que eu criei no Orkut, a I'm a Little Bit Charlotte e, testando os fones, vi que eles tinham parado justamente na "Why does It Always Rain on Me?", do Travis. Fiquei ali, ouvindo um tempo para ver se estava tudo bem com ele, quando notei que a menina japonesa estava olhando a cena de um jeito tão próximo e interessado que eu quase fiquei tímido. Ela fez um gesto com a mão e se aproximou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Bom... Legal?" Queria saber se estava tudo bem com os fones. Não sei porque, ou como, senti a aproximação dela de um jeito quase íntimo e tão terno, como se a gente se conhecesse há muitos anos, que o meu primeiro impulso natural foi oferecer para ela um dos fones. E a moça aceitou com o mesmo ar feliz do início, apoiando o cotovelo no balcão junto comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;... Why does it always raaain on meee... Is it because I lied when I was seventeeeen?...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Arregalou um pouco os olhos no sorriso constante e mexeu um pouquinho a cabeça no ritmo da música. "Uh, bom, sim! Hahaha!" Mas ela mesma tirou o fone e me devolveu. Estando os dois em perfeito estado, agradeci e fui embora, mas não sem antes receber como gentileza o aceno alegre que ela me faz com a mão. Linda...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ainda consegui andar dois quarteirões antes da chuva começar e, claro, "Why Does it Always Rain on Me?" estava ali no repeat comigo, embaixo da cobertura na porta do Conjunto Nacional, sublinhando para mim a correria do povo, como num clipe. Um executivo de terno marrom tentando desesperadamente abrir um guarda-chuva teimoso, um casal de namorados de mãos dadas correndo, ela sendo puxada por ele, ele rindo muito alto, os dois cheios da liberdade das avenidas paulistanas. O menininho chorando de medo dos trovões ou de cansaço, sendo levado por uma mão amargurada de mãe, a dedos finos e postura rígida. Dois rapazes se despedem com um selinho e um abraço e um selinho, nessa ordem, enquanto os seguranças montanhosos fingem não ver nada. Alguns esperam, outros assistem, ainda outros vão embora. Há os que já foram, e eu me lembro dos que ainda estão para chegar. Sorrio de mim para comigo... E a chuva cai intensa, sempre jovem e japonesa, para todos nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114622858570509622?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114622858570509622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114622858570509622' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114622858570509622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114622858570509622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/chuva-de-ontem.html' title='A chuva de ontem'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114614764467399152</id><published>2006-04-27T14:38:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T19:39:27.626+01:00</updated><title type='text'>A Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Do azul frio de lá de cima desce um fio dourado de luz que escorrega na janela da cozinha. Eu lavo a louça do café, cai um pano e eu me abaixo. Uma pontada no peito, penso em Faulkner. &lt;em&gt;Uma Rosa para Emily&lt;/em&gt; foi, até hoje, um dos poucos contos que me fizeram pensar numa adaptação para um roteiro. Toca o telefone algumas vezes, bate um vento lá fora, o Benji me olha como se me visse distante. Onde está a Rosa? Penso em Faulkner, numa carta para o arco-íris e um gesto de delicadeza para com o meu Tempo ansioso. Toca Chopin. Penso que é ele mesmo me dizendo para olhar além e ir de leve. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A Mazurka Opus 17, No. 4 me fala muito mais dos ares notívagos e dos sentimentos de espera, perdidos nas horas cansadas, que um noturno, e me lembra do sonho que eu tive com as casas em que eu morei até hoje, dos seus corredores inflamados de infância, pisados na correria, e do escuro que se fechava antes da semi-abertura da porta. Era uma eterna brincadeira de esconde-esconde no vento dos minutos, cujas regras são transpostas com sutilezas para os jogos implícitos da vida adulta. Uma cena de filme quando eu me debruçava na escada para ver escondido a Grace Kelly e o James Stewart. Indiscrições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Também penso em escrever a minha versão do &lt;em&gt;A Painfull Case&lt;/em&gt; do Joyce, por que não? Só por eu não ser irlandês? Nasci na Aclimação... E daí? Era desse tamaninho quando escutei Chopin a primeira vez, aquele conhecido noturno que toca nos filmes e novelas por aí, e nunca fugi de casa, mas não gostava do pop, não curtia o rock obrigatório, queria ir para a praia ver o mar a cada período de férias, coisa que hoje eu não suporto mais. Meu coração aspirava ao sonho, inspirava-se na música e respirava nos feriados. Antoine Doinel ou Hanno Buddenbrook, eu era a suspensão das coisas terrenas e preparatórias para a idade adulta que me assustavam, me enchiam o esôfago de um sentimento negativo de obrigatoriedade. Painfull...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O Benji late agudo demais, contrasta com a mazurka. Emily morta, soterrada no passado que engoliu o futuro, empresta um sopro de vida para a literatura e um suspiro para os meus olhos. São as minhas rosas a louça lavada, a despedida de cada manhã e aquele pedaço guardado do bolo que sobrou. Le cinéma, les mistons, Antoine et Collette sont mes amis. Sopra a ventania e uma nuvem, sopram as memórias infinitas de infância, sopram-se as partículas de manhã em cada poro. Será que eu tenho, em mim também, um sopro no coração?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114614764467399152?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114614764467399152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114614764467399152' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114614764467399152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114614764467399152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/rosa.html' title='A Rosa'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114544836340957020</id><published>2006-04-19T12:33:00.000+01:00</published><updated>2006-04-19T14:47:56.023+01:00</updated><title type='text'>Medo de aluguel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pense na Avenida Paulista em 1974, num dia cinza e frio em pleno verão. É domingo, fim de tarde. Minha avó viajou com meu tio, e minha mãe decide sair do apartamento deserto para assistir a O Exorcista, que está sendo exibido no Belas Artes, na esquina com a Consolação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O que acontece naquele dia termina por consolidar a inclinação dela pelos filmes de terror (até hoje) e me inspira, mais de três décadas depois, a escrever um conto e a tentar analisar, no terceiro realmente frio dia de outono de 2006, o lugar que esses mesmos filmes ocupam tanto no cenário contemporâneo quanto no meu cotidiano e no meu íntimo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eles mudaram um pouco de cara de lá para cá, aliás. O elemento "mal" antes era mais propriamente a personificação do demoníaco, usava-se da idéia da origem bruta e maciça do mal para provocar o medo, a feiura, a blasfêmia, e construía-se suspense em planos onde portas semi-abriam, gritos eram ouvidos de longe, etc, hoje não é bem assim. Um dos motivos que me fazem preferir em vários aspectos o terror cinematográfico de hoje é o fato de que eles incorporaram como mal não a origem, mas a extensão do homem contemporâneo, a organização cotidiana, a rotina. Que os digam os filmes japoneses do gênero, onde os vilões são recorrentemente vivificados por TV's e videocassetes, infiltrações no teto, transplantes de órgãos, telefones, câmeras fotográficas. E eles ganham o mundo. Gosto disso. Gosto, porque eles servem como sintetizadores de uma neurose urbana que é universal e se engana, achando que é isoladamente solitária. Nos momentos de catarse e suspensão dentro do cinema você percebe que naquele espaço e naquele momento, todos os urbanóides ali estão no mesmo barco que você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não é à toa que, quando eu estou melancólico e quero dar uma volta no fim do dia para arejar a cabeça, é antes nos filmes de terror em que eu penso como abrigo para uma noite. Também não é por acaso que um dos meus filmes preferidos seja Se7en do David Fincher, com toda aquela ambientação urbana e fria fotografada opressivamente pelo Darius Khondji, com aquela gama de personagens amargurados, sinistros, espectros do que projetaram para si mesmos, e aquele fundo onde a decadência deu lugar ao que de mais belo a literatura universal pôde imaginar um dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quando eu opto pelo terror, tenho preferência justamente pelo Belas Artes na Consolação, por causa da história que a minha mãe conta, e me sinto tão mais confortável quando a noite em questão é fria. Me lanço num ritual horas antes: Saio do trabalho agasalhado e com as mãos no bolso do casaco, ando tirando dos olhos a franja agitada pelo vento gelado, já desligo o celular e enfio na bolsa, às vezes uso luvas. Olho o céu, vejo uma clareada ali, conto dinheiro, tiro mais algum no banco prestando atenção para ver se não tem ninguém atrás de mim com intenções de, talvez, descobrir a minha senha. Visto meus headphones, escolho Miles ou Rostropovitch para escutar no caminho e vou até o ponto de ônibus. As pessoas todas olham para o fim da rua, eu olho para elas e as componho espectrais, ao meu gosto. Entro no ônibus, escolho um lugar na janela e um celular toca. O meu não é, porque está desligado. Conversas rasteiras. Bach...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pegando o ônibus às cinco e meia, eu só chego na Paulista uma hora depois. Desço entre cotoveladas e olhares, vou até uma bombonière que vende uns biscoitos integrais de limão que eu gosto de levar comigo para comer no meio do filme e, já atrasado, corro até a bilheteria. Tenho que pegar a sessão das sete, porque depois de ter sido assaltado três vezes em três semanas eu tenho medo de sair da sessão muito tarde e andar por aí sozinho. Vou para a fila e ainda tenho um tempo para fotografar disfarçadamente as pessoas, e é aí, neste momento de espera num lugar supostamente seguro, onde começam as reflexões de fim de dia sobre a vida urbana. Grupos de estudantes com mochilas nas costas. Uma garota indie cheia de piercings e sombras nos olhos, sozinha e com um sorriso bobo no rosto. Um garoto lindo, loirinho, também solitário, olhando para baixo e contando alguma coisa nos dedos. Um casal de meia idade atrás de mim, ele canta um trecho de "Close Your Eyes" no ouvido dela, devem ser cultos. Duas amigas de sessenta anos discutem sobre confusões em Brasília e a decadência da moral política - que moral política? Um casal num canto parece terminar uma relação, ela diz para ele que "não agüenta mais isso", mas ele se esforça com verbos e gestos intermináveis. Parece não adiantar nada. Um pai descolado falando alto e um filho careta com jeito tímido, este olha para mim e não vê que uma menina mais ali atrás olha para ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Abre-se a sala, entramos todos, escolho um lugar no meio o mais longe possível de todos eles e, cheio de fome, abro o pacote dos biscoitos. O resto é a consumação do esperado: Comerciais, trailers, créditos de abertura, sustos, urbanidade, tensão nas mãos semi-tapando os olhos, roer de unhas, coração aos pulos e o fim. Abre-se uma porta direto para o relógio da rua. São nove e treze da noite, ainda dá para voltar tranqüilamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu vou, mais aliviado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu alugo o medo. Pago para ele me dizer que eu não estou sozinho no meio da metrópole, e ele me diz isso com todas as letras e a mais digna sinceridade, como se eu tivesse sequer precisado fazer essa pergunta. Mas ao mesmo tempo, nós estamos. Talvez o filme de terror, num início de século, proporcione um dos moods necessários para a gente se dar conta de que a solidão é compartilhada em sensações fortes no escuro, numa caverna platônica talvez. Nós alugamos as experiências mais intensas, que nos tiram da realidade e injetam nela a sua dose combinada de dor e prazer, tudo na medida certa. E enquanto o frio incide, as filas se formam e a película corre, o conforto pela segurança de uma noite de diversão se faz presente na realidade e traz um diferencial para a simetria das semanas decorridas em torno dos motivos mesmos e em torno das pessoas mesmas. O degustar de um momento de suspense, para mim, é como escutar jazz nos headphones, num dia de luva e com o vento gelado agitando franjas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Penso na Avenida Paulista em 1974, num dia que pertenceu à minha mãe, misturo aos meus conceitos e às minhas imagens da fachada do Belas Artes, esboço aqui o meu conto para uma posteridade desconhecida e termino no breu, sem demônios, mas com algumas portas ainda entreabertas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114544836340957020?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114544836340957020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114544836340957020' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114544836340957020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114544836340957020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/medo-de-aluguel.html' title='Medo de aluguel'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114510056763879031</id><published>2006-04-15T12:06:00.000+01:00</published><updated>2006-04-15T15:32:40.746+01:00</updated><title type='text'>Heróis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Terminar de ler &lt;em&gt;São Bernardo&lt;/em&gt; do Graciliano Ramos no mesmo dia em que se assiste pela primeira vez ao &lt;em&gt;Christiane F. - Wir Kinder vom Bahnhof Zoo&lt;/em&gt; não é coisa pouca para alguém que já estava de antemão montando em silêncio algumas considerações sobre a lucidez.&lt;br /&gt;Do universo agreste do Paulo Honório, fazendeiro bronco e rústico do Brasil dos anos 30, ainda envolto por agitações e projetos de revoluções - e já cheio de um medo mesquinho de possíveis mudanças políticas - até o ambiente urbano e noturno da Berlim nos anos 70, (cidade de Christiane) já habituada a uma mutilação adquirida e inevitável, terreno para extremos, existe um longo espaço onde transformações micro ou macroscópicas se fizeram presentes e decisivas para o curso da História e para o consolidar de pensamentos tanto de uma quanto de outra cultura.&lt;br /&gt;Uma das personagens beira os 50 anos e nunca conheceu delicadeza. Ao contrário, começou a vida matando e sendo preso. Os anos corridos e a prosperidade em São Bernardo foram alguns dos elementos responsáveis para que ele se tornasse alguém mais civilizado. Já a outra é uma criança de 13 traçando o caminho inverso, partindo da inocência de quem não sabe de nada na vida para o inferno de quem aprende tudo precocemente. Mas Paulo Honório e Christiane, essas duas forças conflituosas e tão diferentes entre si, sangram pela busca da consciência em duas narrativas onde a aridez dos cenários e das almas ditam as regras, imperiosamente.&lt;br /&gt;Produtos de um século de competitividades acirradas ou extravasamentos da insatisfação no mundo ocidental, ambos dão voz a um quê animalesco que os guia por instinto e, num segundo momento, por vício. O do homem é o ciúme, a extensão do desejo de propriedade, e o da menina é a dependência que foge a qualquer controle racional. Estes dois elementos, em cada uma das narrativas, são os guias que os orientam no sentido ínfero e em meio ao breu que a cegueira se vê incapaz de clarear. E mesmo nos instantes poéticos onde cada um consegue se encontrar em maior harmonia com os universos a que pertencem (Paulo, quando contempla São Bernardo no pôr-do-sol e se vê imerso num quadro de beleza indispensável, e Christiane, miúda, magrinha, ao conseguir galgar um lugarzinho perto do palco no show do David Bowie), o precipício se faz presente, numa pontada ou num pico, quando a lucidez da alma se posiciona frente ao sonho exterior.&lt;br /&gt;A partir daí, as almas estertoram sem morrer e sem achar alívio.&lt;br /&gt;O que existe de mais fascinante em cada um deles se torna incrivelmente bonito quando o embate é travado, e tão solitário e corajoso quando levado à cabo. E é então que a luta pelo conscientizar-se toma conta de todo o corpo das duas trajetórias, mas ao mesmo tempo reafirma a máxima que aponta a tomada de consciência como um trampolim para o abismo da existência humana. As relações frente a esse abismo existem, mas a idéia de amor é expressa por sinais brutais, chocantes ou insuficientes. Os sonhos estão ali, mas sufocados por convenções ou por incapacidade. O embrião da felicidade se mostra presente, mas em meio a tanto cansaço por tão imensas desilusões que o sol e a areia do deserto se fazem mais cruéis que qualquer tentativa. E quanto mais os dois mergulham na luz que os indica a direção subjetivamente buscada por cada um, no sentido de tornarem-se ambos heróis de si, mais a distância entre uma e outra coisa se estende e mais longe o inferno vai, sem previsão de término.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O mais interessante dentro de tudo isso é a percepção de que as duas narrativas, mesmo com as suas diferenças geográficas, temporais e particulares, convergem na literatura. Ambos os personagens, um fictício e a outra real, contam a nós as suas tragédias, compartilham com a gente suas solidões e fracassos por um momento onde nós mesmos nos deixamos conduzir pelas suas mãos - responsáveis ou não -, as mãos de quem conhece bem um caminho. Um o faz para tomar para si mesmo a consciência de seus próprios erros, e a outra para conscientizar. Não é por acaso que ambas as trajetórias sejam narrações de períodos anteriores ao ato de escrever-para-contar: Paulo e Christiane são seres que de certa forma encontraram no deserto o uso da palavra - um tímido e quase igualmente árido oásis, e por isso entram em comunhão com o que, de si, foi emanado e até então não compreendido. A lucidez, portanto, é enfim incorporada e também é agora uma conquista nossa - ou &lt;em&gt;nós&lt;/em&gt; somos uma conquista dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E os dois personagens se transformaram então - tristemente - em heróis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;I, I can remember&lt;br /&gt;Standing, by the wall&lt;br /&gt;And the guns shot above our heads&lt;br /&gt;And we kissed, as though nothing could fall&lt;br /&gt;And the shame was on the other side&lt;br /&gt;Oh we can beat them, for ever and ever&lt;br /&gt;Then we could be Heroes, just for one day&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114510056763879031?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114510056763879031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114510056763879031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114510056763879031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114510056763879031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/heris.html' title='Heróis'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114295031766886177</id><published>2006-04-08T13:49:00.000+01:00</published><updated>2006-04-30T13:49:36.166+01:00</updated><title type='text'>Sitcommercial</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Para o Ricardo)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;eu imagino um comercial para o seu romance&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;é assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;tem duas pessoas no metrô... vindas de direções opostas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;ambas com discman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;e...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;e de repente se esbarram&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;e pq no metrô?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;pq o metrô é o grande local da solidão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;vc fica tão próximo de todo mundo e continua sozinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;as pessoas nao conversam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;é o grande rio da solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;aí o comercial mostra que estavam ouvindo a mesma música, só que em discmen diferentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;corta para vcs casadinhos, morando juntos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;os dois sentados no sofá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;e continuam com o discman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;ouvindo a mesma música (só que agora outra)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;aparece o letreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;PRIVACIDADE É FUNDAMENTAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;huahuauhuahua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;hahahha. Hum... Mas sobre o que é esse romance aí? Onde ele entra no roteiro do comercial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;ah&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;é um romance sobre solidão urbana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;em forma de comercial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;acompanhe a temporada nos intervalos do canal Sony&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Isso está parecendo roteiro de sitcom ou é impressão minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Será que eu sou o David Schwimmer e não percebi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;huauhauuauah&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;é um sitcommercial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;pode ser assistido pelo celular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Mas falta uma coisa: Quais são as músicas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;hmmmmmmmm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;a primeira é um daqueles radioheads bem melancólicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;a segunda é bach&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;aquela coisa bem família&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Escolhido. A primeira é How To Disappear Completely e a segunda é o segundo movimento do concerto para piano No. 5 dele, com o Glenn Gould.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;eu pensei numa coisa mais minueto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;mas adorei. rs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;vc gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;do curta-sitcom-comercial pra twenty-somethings-pós-indie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Jisuizamado! O.o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O pior é que eu tb adorei, vou postar no Azure. E enqto eu faço isso estou ouvindo A Girl Called Eddy, Somebody Hurt You.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Silêncio...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;"Grande local da solidão"... ¬¬ &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;o grande rio da solidão&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;Claaaaro, e isso é a minha cara, certo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;a cara da nossa geração&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;dos meninos que não fazem coro e que não se sentem parte de nada&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;br /&gt;trocando em miúdos, &lt;em&gt;É&lt;/em&gt; a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ric diz:&lt;br /&gt;hauhuahauauhaua&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diego - Send me to Moscow. diz:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bleh.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114295031766886177?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114295031766886177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114295031766886177' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114295031766886177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114295031766886177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/sitcommercial.html' title='Sitcommercial'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114425437720272129</id><published>2006-04-05T17:12:00.000+01:00</published><updated>2006-04-05T17:26:17.223+01:00</updated><title type='text'>Biografia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A vida se apresenta numa sucessão de labirintos: Um dia você se sente um corpo alheio ao tempo e dentro de um espaço confuso. Quando você se acostuma com isso, aparece alguém para dizer que você é a pessoa certa na hora errada. Até que, numa bonita manhã de sol, depois de vislumbrar por um instante alguma coisa que se parecia com a saída, a terceira vida te lança na cara que a hora é certa, mas que você é a pessoa errada. E o espaço, arrogante e eternamente sentinela, ainda não mudou de atitude e se nega cínico a te mostrar o fim da linha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114425437720272129?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114425437720272129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114425437720272129' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114425437720272129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114425437720272129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/biografia.html' title='Biografia'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114406958520238505</id><published>2006-04-03T13:59:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T14:06:25.223+01:00</updated><title type='text'>Gentileza</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marisa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obrigado. Tanto o meu infinito particular quanto o universo ao meu redor agradecem. Foi uma enorme delicadeza da sua parte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diego&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114406958520238505?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114406958520238505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114406958520238505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114406958520238505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114406958520238505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/gentileza.html' title='Gentileza'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114399180148646116</id><published>2006-04-02T16:14:00.000+01:00</published><updated>2006-04-02T16:30:01.500+01:00</updated><title type='text'>Spotless mind</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Would I erase you?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114399180148646116?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114399180148646116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114399180148646116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114399180148646116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114399180148646116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/04/spotless-mind.html' title='Spotless mind'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114378920234858378</id><published>2006-03-31T07:47:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T08:13:22.410+01:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A angústia está em não saber se você ri até faltar o ar diante de tanto nervoso, se chora num canto discreto frente a tanta vontade de rir da imbecilidade alheia, ou se berra com um murro na mesa por não estar achando a menor graça na brincadeira, tenha ela as regras que tiver. Se tiver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114378920234858378?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114378920234858378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114378920234858378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114378920234858378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114378920234858378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/03/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114320648759626126</id><published>2006-03-24T13:52:00.000+01:00</published><updated>2006-03-26T20:24:42.653+01:00</updated><title type='text'>A resposta errada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há anos eu luto para não ser coisificado. E essa luta se sintetiza numa postura de resistência que leva a minha cara: É observadora, reflexiva, silenciosa na maior parte do tempo, mas prolixa quando se sente afetada. Recebe na soleira das portas escancaradas com o sorriso aberto o que julga positivo, é reticente e desconfiada sobre o que entende como ambíguo e combativa em relação ao que termina se revelando destrutivo. São procedimentos brancos, processados e desenvolvidos desde a adolescência no sentido do conhecimento de mim mesmo e do outro, que buscaram sempre eliminar os ruídos no "entre mim e você" para o alcance - ideal - de um diálogo mais sincero e translúcido com o que existe de essência (e por isso urgente) na vida de cada um de nós.&lt;br /&gt;E a cada dia que passa todo movimento que me atravessa a postura e me fere os valores, ao invés de me fazer abdicar deles, faz com que eu me segure aos meus princípios de um jeito ainda mais muçulmano, e isso não acontece em primeiro plano por medo ou receio de perdê-los, tampouco por insegurança sobre eles estarem ou não "certos", mas porque eu &lt;em&gt;sou&lt;/em&gt; eles e é em mim que eu moro, vivo, me locomovo, me alimento, encontro algum abrigo e - fator importantíssimo - conheço outros seres com quem me entrego ao desenvolvimento de relações que ficam, por serem travadas com base numa honesta identificação e afetividade, sem picuinhas ou cobranças e sem o menor traço de uma suposta obrigatoriedade de jogos infantilizantes ou de mecanismos nos quais o afeto é radical e cruelmente reduzido a uma metáfora para o ato consumista.&lt;br /&gt;Com a clareza do olhar de quem já pôde fazer dormir alguém de quem gosta viva e sinceramente, e com a entonação clara na voz de quem já pôde cantar para esse alguém - a mesma voz que já gritou contra o desrespeito e o assédio moral dentro do seu próprio ambiente de trabalho e que, dia após dia critica erros, sugere soluções e não é ouvida -, eu insisto em deixar claro que o meu sentimento não é mercadoria. Eu, bonito ou feio, atraente ou estranho, não estou numa embalagem rasgável ou dobrável, parado numa prateleira esperando que alguém queira me levar. Não. A minha visão do mundo contemporâneo e do comportamento humano, os meus acertos, minha inteligência, minha ignorância, meus erros, minha sexualidade e o amor e a raiva que existem aqui dentro não têm prazo de validade, não senhor, não senhora. Me recuso definitivamente em concordar com essa concepção das relações, porque corroborar nesse caso seria o mesmo que juntar as mãos e singelamente dizer amém para o ato cada vez mais comum e aplaudido por aí de se consumir vidas em toda a sua complexidade, como quem de fato compra um pacote de batata frita industrializada: Adquirir, aproveitar até onde for possível e a quantidade e a fome permitirem, e depois... Jogar fora? Nesse caso joga-se no lixo ou manda para a reciclagem? E o que se faz quando o prazo de validade está "vencido"? Talvez o "pacote" sequer seja aberto.&lt;br /&gt;Peço licença para dizer que frente aos meus cultivados princípios isso é filme de terror. Ainda antes de entrar para a minha primeira faculdade eu aprendi que tratar a vida humana de forma padronizada, sem dar a devida diferenciação aos seres e o devido respeito aos seus ritmos e temperamentos (originalmente ricos e diversos entre si) era uma característica ditatorial, e entendi que tirar o extrato destes mesmos seres com um intuito fundamental de utilitarismo e desprezo é um dos alicerces do pensamento nazista. Por mais esses motivos adicionais, não me permito compartilhar de certas máximas ditas "à toa" por aí como se fossem inofensivas e me sinto imediatamente chocado com as bobagens que são diariamente ditas "da boca para fora" e escritas "sem ter a intenção de", mas seguidas incontinenti, desprovidas do senso crítico às quais deveriam ser atreladas desde o berço. Da boca para fora os déspotas despejaram todas as mesmas besteiras que mudaram o curso de histórias, sejam elas coletivas ou individuais. E "sem ter a intenção de", muitos objetivos reais foram consolidados, fascinantes ou desprezíveis, grandiosos ou ínfimos, salvadores ou aniquiladores.&lt;br /&gt;Estou encarando a minha última ressalva, junto com este texto, não apenas como um pequeno e tímido (e futuramente pouco lido) libelo a favor da liberdade genuína - não só de pensamento e expressão. De sentimento também - mas uma carta aberta tanto aos que me conhecem quanto aos que não me conhecem, afirmativa e nítida sobre qual é a minha busca fundamental no contato com o outro. Se eu brado aos sete ventos e espalho pelo mundo o que me dói e o que me alça leve das coisas terrenas, não é com o intuito de ofertar à demanda descerebrada e impulsiva a exposição dos meus olhos e do meu sexo, ou fazer merchandising dos meus valores e dos meus desvios. Eu só estou tentando compartilhar algo que se chama &lt;em&gt;humanidade,&lt;/em&gt; ou desabafando a revolta pelo desconcerto que a contemporaneidade nos enfiou goela abaixo. Pedindo também um mínimo de atenção não para mim, mas para o que se encerra dentro deste espaço limitado entre o nascimento e a morte, entre a primeira letra e o ponto final,  entre os cabelos e os pés e que todo mundo sabe ou intui ser um pedaço sentido de uma indignação coletiva. Atenção entre atenções, respeito pelo fundamento de se estar aqui onde tudo é passageiro por natureza, onde muitas línguas são faladas, mas muitos gritos são ouvidos diariamente em todas elas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há quem consiga se sentir realizado fazendo o exato oposto de tudo isso, lidando corriqueiramente com essências como quem devora um gordo e estúpido Big Mac. A eles envio de longe - de bem longe - os meus sorridentes votos de felicidades. É essa a única parte que me cabe e o único esforço ao qual eu me entrego. Existe beleza demais aqui para que eu me dê ao luxo de desperdiçar, e graças ao contato diário com os meus sonhos me permito misturar-me a ela, conhecê-la bem (muito bem) e fazer disso a bússola que me orienta ao desvio, não sempre claro, do que guarda em si a mais desnecessária das dores, que por um acidente de percurso já tocou - ou vai tocar - cada um de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Essa dor, compulsivamente desejada, deslumbrante e perfeitamente embalada nos corredores da sub-consciência, é a resposta errada para o que falta no dia-a-dia. E seja qual for a certa ela não há de viver com a cara grudada numa vitrine esperando o perecível e inóquo fim ao qual a ignorância se submete a cada dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114320648759626126?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114320648759626126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114320648759626126' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114320648759626126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114320648759626126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/03/resposta-errada.html' title='A resposta errada'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114313202869053908</id><published>2006-03-23T17:25:00.000+01:00</published><updated>2006-03-23T17:40:28.736+01:00</updated><title type='text'>Ressalva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Hoje é quinta-feira, acabo de chegar no trabalho e tenho só alguns minutos para poder dizer que nesta tarde, se pudesse, iria para aquela pequena casa no fim do mundo passar uns dias. Sem os seus olhares. Sem as vozes de vocês todos. Sem a consciência de que os meus e os seus caminhos são estes-aqueles-outros, todos tortuosos e conflitantes, e sem o cansaço que vocês depositam em mim sem perguntar se eu já não os tenho suficientes.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pedir por um pouco de sensibilidade e respeito sem ser específico incita a reflexão. Tomem o benefício da dúvida como matéria-prima para ela e parem um pouco para pensar no outro. Impôr o mesmo respeito, tendo em vista essa improvável sensibilidade, é um sentimento individual sendo conduzido à densidade indubitável do verbo. E a última palavra neste caso - acreditem - é só minha.)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114313202869053908?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114313202869053908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114313202869053908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114313202869053908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114313202869053908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/03/ressalva.html' title='Ressalva'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114179440037913093</id><published>2006-03-08T06:03:00.000+01:00</published><updated>2006-03-08T06:06:40.396+01:00</updated><title type='text'>I n  t h e  d e e p e s t  m o o d</title><content type='html'>&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 390px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" height="203" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/Peacock%20Blue%20Sea%20Christopher%20Doyle.1.jpg" width="374" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;(&lt;em&gt;Peacock - Blue Sea&lt;/em&gt;. Christopher Doyle, 2000)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114179440037913093?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114179440037913093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114179440037913093' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114179440037913093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114179440037913093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/03/i-n-t-h-e-d-e-e-p-e-s-t-m-o-o-d.html' title='I n  t h e  d e e p e s t  m o o d'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114130655810374164</id><published>2006-03-02T13:48:00.000+01:00</published><updated>2006-09-03T16:05:42.053+01:00</updated><title type='text'>Luzes, oníricas luzes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Sonhar com alguém de quem você gosta pode ser algo não inserido na eterna dicotomia bom X ruim. Vai além do ponto onde as coisas são categorizadas e posicionadas umas contra as outras. Porque dentro é estive, éramos, sou e estarei, e fora é fenomenologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Sob o fluido imagético de uma corporização do tempo, existe algo no horizonte azul de uma cidade fictícia que é destroçado, mas a palma da minha mão ainda fecha aqueles olhos, então eles não ouvem barulho algum. Só que quando eu abro os meus, eles fugiram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Em algum canto da vigília tocou um fado, trocou-se um fardo pelo descanso mudo e aquela resignação mediterrânea de costa a costa mergulhou fundo no próprio habitat, feito a pedra descendo lenta pela água escura até tocar, surda, a areia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Desconstruções, cortes e farrapos nos meus sonhos, todos eles abraçados por céus azuis, oceanos e sóis reluzentes assim... Sabe como? A gente via a silhueta de um barco cruzando logo ali, as estrias solares no meio da superfície da água sem saber que o naufrágio era universal, sem socorro e sem sobreviventes, quem dirá espaço para definições de valores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;E sobre o mesmo fluido, quando me dei conta, estava só a janela do quarto onde sempre esteve, por algum mistério profundo escancarada, jogando a luz da quinta estrela para me acordar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114130655810374164?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114130655810374164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114130655810374164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114130655810374164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114130655810374164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/03/luzes-onricas-luzes.html' title='Luzes, oníricas luzes'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114009328748543949</id><published>2006-02-26T15:23:00.000+01:00</published><updated>2006-02-26T15:21:16.606+01:00</updated><title type='text'>Retornos e montanhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ennis Del Mar e Jack Twist se despedem depois de Brokeback Mountain. Uma palavra corriqueira, duas, acenos minimalistas, laconismo na voz e um vasto universo conjunto represado no olhar. Jack entra no carro, dá a partida e, já na estrada, espia pelo espelho retrovisor a silhueta daquela figura pétrea, firme e segura que ele está deixando para trás, andando bem no meio do caminho vazio, mas com o passo exato e direcionado. Somem da vista um do outro.&lt;br /&gt;Então Ennis, o rochedo à beira do mar, escapa do meio da estrada seca para um beco escondido entre duas casas, não consegue se sustentar em pé e acaba por se debruçar numa parede entre tosses e ânsias de vômito, chora como quem nunca se arriscou antes a derramar uma lágrima que fosse, sussurra, geme, se contorce. Um homem pára por perto e olha. Del Mar, acuado, defensivo, dá voz a toda a angústia do mundo e expulsa o cara dali aos gritos.&lt;br /&gt;Sentado na cadeira do cinema com a bolsa de um lado, a sacolinha de biscoitos no colo e no outro lado um rapaz estranho e tensamente apoiado na mão esquerda, eu assisto a essa cena conduzindo toda a minha atenção para o entendimento que eu faço de dois elementos vitais, no cinema e na vida: A construção de um personagem em toda a sua esfericidade e a consciência de um eu íntegro, vivo, que é passível de sentir amor, desejo e remorso sofrendo ou não julgamentos por tanto. Para mim esses dois elementos dialogam com a maior intensidade, feito os amantes ainda deitados na cama, feito o descanso universal. Na tempestade e na calmaria, eles se trançam. Mares e twists.&lt;br /&gt;E eu evoco ali, enquanto corre a película, outros destinos (fictícios?) que se relacionam com os sentimentos mais intensos e verdadeiros trancados por medo e insegurança dentro do peito: Chow Mo-wan na China, soprando os seus segredos nas ruínas, procurando depois com persistência encontrar Su Li-zhen em outras mulheres, fugindo para uma 2046 que não chega nunca. Su Li-zhen, ela mesma, esperando encontrar Chow numa última visita ao apartamento onde se apaixonaram, caindo em si e notando que o tempo fugiu, o acaso desuniu e a imprevisibilidade impera agora com mais força. Joel Barish arrependido, desprendendo de si todo o desesperado esforço para não perder mais Clementine de vista, guardando a moça numa infância que ela nunca presenciou e correndo atrás dela repetidas vezes na mesma rua escura. Otto e Ana em círculos na Espanha, indo e vindo no tempo e no espaço entre acasos eventuais e fatalidades decisivas desde os primeiros anos de existência. O mordomo Stevens, na Inglaterra, se esforçando ao máximo em não aproximar a sua humanidade - estranha a ele mesmo - da governanta Miss Kenton, e uma vida inteira se diluindo num encontro furtivo ao som da Blue Moon. Charlotte e Bob se perdendo nas janelas de Tóquio, buscando alguma coisa através do tradicional e do moderno pelas ruas desenhadas e quase estéreis da cidade, no meio de uma multidão de atitudes projetadas, silêncios, tecnologia. Um abraço de despedida, &lt;em&gt;just like honey&lt;/em&gt;. Ainda tenho tempo de lembrar de mais dois: Céline e Jesse na Europa contemporânea, vivendo nove anos em algumas horas de jogos inseguros e mágoas desabafadas, acuadas pelas respectivas individualidades e enfim encontradas, quando ela incorpora Nina Simone, &lt;em&gt;just in time.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O maior mistério de todos é não encontrar as respostas para as perguntas que aparecem no meio do caminho sobre as origens e destinos de cada um deles, e é aí que entram todas as considerações sobre a criatividade aplicada ao sentimento. Como na vida, existem tantas certezas quanto lacunas a serem preenchidas nos silêncios e nas pausas desses seres, sejam elas positivas, dúbias, incertas ou mesmo negativas. No vasto oceano de um personagem bem escrito e interpretado, navegam tantas outras percepções alheias e mescladas do amor e da vida que muito provavelmente nunca vão ser destrinchadas e descobertas - elas sequer pedem isso, por darem total vazão ao que é brutalmente sensível e intrinsecamente humano - mas a ânsia pela verdade persiste como quem não se cansa de tentar entender o que é o amar e todas as suas reverberações e causas, revela que o homem nunca é completo e sempre está insatisfeito, em qualquer canto do seu universo íntimo.&lt;br /&gt;Em todos esses filmes o silêncio é personagem, locação e luz. Seria o papel da ficção a tentativa de preencher temporariamente as nossas necessidades humanas, as nossas quietudes? Representar as nossas inconseqüências e os nossos medos? Oferecer material de apoio aos nossos embasamentos morais, políticos, sentimentais, sexuais? Confortar em doses homeopáticas? Conceder uma válvula de escape que deve ser acionada de tempos em tempos? Se a resposta neste caso for sim, me pergunto o que falta e quais seriam os nossos condicionamentos individuais a nos orientar nesse sentido. Se somos criaturas por natureza insatisfeitas e deslocadas nos lugares do mundo, onde me parece existir cada vez menos possibilidades de encontros felizes e mais probabilidades de disfóricos desencontros, por que não parar e pensar um pouco em criar, para nós mesmos, não a arte enquanto representação da vida, mas o contrário? Imediatamente me lembro do Ennis fechando a porta do trailer e da janela mostrando o abandono em que ele se deixou, revejo o trecho em que o homem se apóia na parede do beco e da única resposta que o seu corpo dá à angústia de um amor interrompido: Tosses e ânsia de vômito. Como se a ignorância do organismo sequer tentasse entender o que é aquela sensação de dor tão monstruosa que foge ao âmbito de todo o conhecimento armazenado até então. E aí penso que talvez, para a maioria, seja mais difícil esse caminho. A crença de que a vida não pode ser arte porque a arte exigiria conhecimento e planos milimétricos, e isso só poderia ser feito com plenitude e segurança por uma pessoa, duas só em casos excepcionais, que se enquadrem, se encaixem na realidade. Não há adaptações em tal teoria, apenas uma originalidade oportuna. O que não deixa de ter o seu heroísmo e também alguma sensualidade, já que criar, em quaisquer circunstâncias, sempre foi e sempre vai ser um ato de erotismo.&lt;br /&gt;Mas em tempo, os lugares permanecem. As montanhas continuam suspensas na linha do céu enquanto a vida ruma para o norte universal, para a morte de cada um que a gente conhece, dos extratos bancários, dos cd's ouvidos e guardados na memória até o fim, dos ingressos de cinema, dos contratos de trabalho, dos postigos quebrados e dos sonhos às duas da madrugada. E seja em Darlington Hall ou Brokeback Mountain, em Hong Kong, à beira do Sena ou numa roda gigante em Viena, no círculo polar ou em Montauk, a arte aplicada à vida vai permanecer firme e sustentada em pé como Ennis-Del-Mar-no-meio-da-estrada, andando a esmo pelo caminho empoeirado, enquanto alguém parte silente - e com todo o estruturado pesar do que segue sem querer seguir- tendo nas mãos um volante e toda uma vida de possibilidades na linha finita e tênue de um horizonte ainda visível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114009328748543949?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114009328748543949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114009328748543949' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114009328748543949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114009328748543949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/retornos-e-montanhas.html' title='Retornos e montanhas'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114066752032386664</id><published>2006-02-23T05:03:00.000+01:00</published><updated>2006-02-23T05:05:20.353+01:00</updated><title type='text'>Take me out.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;¬¬&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Gostei mais do Franz Ferdinand.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114066752032386664?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114066752032386664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114066752032386664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114066752032386664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114066752032386664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/take-me-out.html' title='Take me out.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-114047659739046087</id><published>2006-02-20T23:04:00.000+01:00</published><updated>2006-02-21T01:01:40.326+01:00</updated><title type='text'>Crepúsculo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Espero chegar seis e meia. Respiro sem tentar entender por onde o flui o ar, danço um pouco, devagar e minimamente sabendo os movimentos dos músculos cristais e sentindo o que não devo exigir muito do meu corpo. Ando de meias até o som com os olhos fechados, arrasto os pés no chão liso ingerindo silêncio e vou deslizando a mão esquerda no frio da parede, prometendo para o meu próprio peito um presente só meu. Sala banhada em azul-marinho: Azul-aquário, água-noturna. Espero chegar seis e meia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um play sublinharia o resto da noite com agudezas e espessuras sonoras, mas escolho a almofada caída no tapete. Nela descansa a imagem não experimentada, a pálida epifania neutra do azul, o reflexo da janela nas orelhas de Mickey que eu jogo para o canto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não me lembro de que CD tinha deixado ali a última vez então visualizo, dentro do vácuo da memória, todas as possíveis músicas, prováveis acordes, incansáveis sopros e inefáveis silêncios que me embalariam no aquário e me conduziriam para as imagináveis terras distantes dos meus vastos desejos de homem. O escuro em silêncio não tem temperamento ou personalidade, muito menos imaginação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Corre uma fração de segundos onde transitariam Messiaen e Palestrina&lt;em&gt; et expecto resurrectionem mortuorum,&lt;/em&gt; me vejo mediterrâneo-perdido pelos erros seculares de Toledo como se nunca mais fosse voltar, na escada da ascenção, olhando o teto da catedral e o anjo machucado que dia após dia continuaria ali, projetando o olhar para o mesmo sul além da ponte, além do Tejo, e não me enxergaria - porque não é a hora. Eu espero chegar seis e meia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As construções erotizadas do duque, os trumpets que espalhariam energiapelo azul marinho, Billie suffering, Sarah laughing, Ella scatting e toda a verdade revelada em prontidão quando O'Day se viraria em O'Night e me viraria do avesso no terraço do Empire State Building, quase como se pudesse enxergar de lá de cima um par de pernas tímidas sentadas no meu sofá e me esperando para a dança antes que terminasse a guerra e chegasse a luz de um dia onde tudo seria completamente diferente. Peço para ela, não agora... Estou esperando chegar seis e meia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sintetizadores. Guitarras. Vocais distorcidos. Máquinas pulsando ritmos que convidam à dança sem sincronia e libertária. E vem aquela recorrência nos prédios acesos à noite, na madrugada das horas cansadas e da diversão obscura, das putas sem óculos e das senhoras dormentes, dos travecos sem grana e dos casais sem individualidade, das bichas sem ter onde dormir. E sou mais um urbano correndo-histérico na minha condição de suspenso, interrogativo e integrado à almofada aquariana dos porquês do abandono e da coação, mas sem as defesas crentes nessa infinita e enganada superioridade ao que mistura o amor a um edifício ereto na boca da madrugada. &lt;em&gt;I'm not here &lt;/em&gt;and&lt;em&gt; you are free,&lt;/em&gt; taste it&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;São quase seis e meia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Abro os olhos e não enxergo muita coisa além das sombras azuis e estáticas. Corpo quase morto, mão esquiando na superfície da almofada mergulha num furo onde navegam centenas de espuminhas, espertas e confidentes. Num impulso lento e eterno, minhas meias alcançam e se espalham pelo chão gelado quando dobro os joelhos, e me vejo erguido afinal. Toda a luz do mundo me vem do visor do som e ela me conta os segredos do tempo e do espaço. Comenta com densidade, bem nos meus ouvidos, todas as viagens que eu me permiti fazer até então, me apóia e elucida mistérios, diz que vai ficar tudo bem, mas me faz um pedido final, astuciosamente, como se já soubesse - como se sempre tivesse sabido - merecida a sua paga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Play...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Já são, enfim, seis e meia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-114047659739046087?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/114047659739046087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=114047659739046087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114047659739046087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/114047659739046087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/crepsculo.html' title='Crepúsculo'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113983637622049521</id><published>2006-02-13T13:53:00.000+01:00</published><updated>2006-02-13T14:14:17.326+01:00</updated><title type='text'>Got you on my mind.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/peyroux%20galison.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/peyroux%20galison.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu já tinha sido informado a respeito da existência de tal mimo, mas não poderia ter imaginado antes que ele cairia entre as pastas do meu micro num justo instante de urgência. Numa ponta do quadrilátero, tem-se William Galison, multi-instrumentista, gaitista de fôlego interminável que arranca do seu instrumento preferido verdadeiros sopros de vida. Numa outra ponta, uma Madeleine Peyroux disposta a fazer da parceria um desses grandes encontros onde a música é o que verdadeiramente importa, e não os nomes envolvidos na execução. Numa outra, ouvidos anônimos precisando de toda a harmonia que puder encontrar numa tarde de domingo nublada e deslocada no tempo. Aí chega a quarta, onde mora o acaso e todas as suas possibilidades de cruzamentos... E aí o cinza vira céu azul e a estagnação começa a dançar, tranqüila como se nunca tivesse aprendido a respirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Heaven help us aaaaaaaall...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113983637622049521?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113983637622049521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113983637622049521' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113983637622049521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113983637622049521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/got-you-on-my-mind.html' title='Got you on my mind.'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113976538120086810</id><published>2006-02-12T18:27:00.000+01:00</published><updated>2006-02-12T18:29:41.266+01:00</updated><title type='text'>E...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;... Eu tenho questionado essa coisa de escrever em blog emitindo e expondo sentimentos de forma literária. Seria isso um atestado de amadorismo autêntico? Auto-afirmação? Talvez seja melhor eu só falar sobre a relação entre cinema e literatura...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113976538120086810?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113976538120086810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113976538120086810' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113976538120086810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113976538120086810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/e.html' title='E...'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113976081930825341</id><published>2006-02-12T16:42:00.000+01:00</published><updated>2006-02-13T00:39:39.716+01:00</updated><title type='text'>Where?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Queria te falar da urgência do gesto e do que ele pode representar para uma jornada tão aparentemente longa quanto preenchida de hiatos criativos e existenciais. E eu não vou me manter jogando coisas à toa no ar se fizer isso, porque o meu gesto vai ser posto em atitude e reverberar de alguma forma para você, ou para mim mesmo, ou para alguém mais que, numa provável noite insone da vida, clique em links aleatórios e se encontre com esse silêncio represado procurando não cair em desuso. Essa mesma urgência habita os compartimentos fechados de todas as nossas quietudes - estéreis ou não - de todas as nossas reminiscências e procuras especiais, e por ser expressiva enquanto condição natural, inerente ao que eu, você e ele procuramos, não equivale ao merecimento da indiferença pública, privada ou inventada com alguma intenção não-dita ou não bem definida para você mesmo, ou para ele. Faço uso do meu afeto para dizer que indiferença, em alguns casos, a gente tenta inventar por saber que não existem mas são "necessárias", assim como a gente tende a procurar conhecer todas as modulações das nossas próprias sensações internas para que elas não caiam na grande vacuidade do homem a que chamam tédio, marasmo, monotonia, aborrecimento, inflexibilidade, conformismo. O que eu quero tentar expressar aqui é que essa urgência de que eu falo está presente no espaço entre os corpos físicos e se manifesta de formas variadas, seja no ar entre os lábios de uma cantora e o microfone do estúdio ou entre o cano do revólver e a têmpora da vítima. Entre os meus dedos que escrevem como se tocassem piano e o seu olhar que, ávido ou pleno de aceitação e companheirismo distanciado, lê o resultado como quem estuda uma partitura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Meu poeta preferido disse, num dia bem anterior ao da morte dele, que "é urgente o amor, é urgente permanecer". Eu acredito nisso, talvez pela crença me servir como ponto de equilíbrio, talvez por procurar na convicção do amor incondicional uma compensação - ilusória ou não - das suas reverberações e ramificações opostas, mas por entender sobretudo que amar é absorver, compreender, conceder o tempo, sacudir às vezes, nunca gratuitamente, fazer algo doer e estalar certos barulhos interiores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Queria só te falar da urgência em acreditar no que você pode construir por meio da assertividade honesta, do respeito por você mesmo e pelo outro reverberado em gestos delicados, da força intrínseca de um diálogo onde o tempo cronológico perca o seu sentido, da importância que um afago mesmo descompromissado pode ter no sentido de diluir o peso da suposta igualdade dos nossos dias, da certeza inculta habitando um sentimento que, por ser abstrato, não exige o menor delineamento. Ele está ali presente e dono da sua urgência, esperando a chegada de um tempo irreal para, enfim, poder dizer com propriedade que ama, que pensa e que sente, mesmo já estando, paradoxalmente, vivo e capaz. Aconselhe-o a não temer a liberdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu te amo. Onde isso poderia ferir quem quer que seja?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Urgentemente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente o Amor,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente um barco no mar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente destruir certas palavras&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;ódio, solidão e crueldade,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;alguns lamentos,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;muitas espadas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente inventar alegria,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;multiplicar os beijos, as searas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;é urgente descobrir rosas e rios&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;e manhãs claras.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Cai o silêncio nos ombros,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;e a luz impura até doer.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente o amor, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;É urgente permanecer.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Eugénio de Andrade)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113976081930825341?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113976081930825341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113976081930825341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113976081930825341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113976081930825341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/02/where.html' title='Where?'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113831156409106560</id><published>2006-01-26T21:40:00.000+01:00</published><updated>2006-01-29T14:22:21.613+01:00</updated><title type='text'>De como eu aprendi a dançar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Julia tem sete anos. Desde que eu conheci a menina, há uns quatro, ela sempre mostrou gostar muito de música, mas ao mesmo tempo fazia questão de escancarar, por algum motivo que só ela conhece, uma certa preferência pelo que eu ouço quando ela vem visitar a minha casa. No decorrer desses quatro anos foi assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Algumas semanas atrás, quando ela chegou de visita de repente e foi direto para o quarto me dar um abraço, me perguntou o que queria dizer a música que estava tocando, porque ela gostava muito. Era a &lt;em&gt;Yoshimi Battles the Pink Robots&lt;/em&gt;, do Flaming Lips, e eu contei para ela toda a narrativa da letra enfatizando o preparo da moça Yoshimi para a venerável luta contra os robôs malévolos de que fala a canção, enquanto ela arregalava os olhos e sorria aberto. Só percebi que eu tinha feito alguma coisa muito legal para a criança quando soube mais tarde que ela tinha levado umas palmadas na manhã daquele dia mesmo, por ter quebrado uma jarra de suco justamente enquanto treinava um karatê imaginário, com golpes criados por ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Semanas depois, mais uma visita - que desta vez seria rápida, porque a mãe dela iria fazer umas compras e queria que eu cuidasse da garotinha enquanto isso, já que não tinha ninguém em casa. Eu ouvia o &lt;em&gt;Scarlet's Walk&lt;/em&gt; da Tori Amos deitado no sofá, com uma revista aberta no peito, enquanto percebi que ela, de alguma forma envolvida e atenta, dançava a &lt;em&gt;Taxi Ride&lt;/em&gt;, e parei para espiar com os olhos por cima da revista, temendo que se ela percebesse que eu estava assistindo, ficaria inibida e pararia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pois ela percebeu. Mas ao contrário do que eu temia, na mesma hora estendeu a mãozinha para eu me levantar dali e ir dançar com ela, dizendo que se no outro dia eu tinha ensinado a história da Yoshimi para ela, agora era a hora dela me ensinar a dançar. Tapei a cabeça com a revista simulando vergonha, mas ela segurou meu pulso e começou a puxar com toda a força que conseguia. Para sacanear a pressão que a mocinha estava fazendo e me desvencilhar, levantei do sofá e me prostrei em pé do lado dela, de braços cruzados, só olhando e esperando que parasse de insistir. Me olhou meio desconfiada, sorrindo um pouco, e voltou a dançar, mas com aquele quê provocador de quem espera o parceiro de dança seguir os mesmos passos e movimentos que ela inventava no meio da música. Nem me mexi, e por isso levei um sacolejão na altura do joelho, aí deu para entender: Aquilo se tratava de uma intimidação pelo uso da força. Decidi dar uma enrolada nela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Os passinhos iniciais que ela tinha criado era coisa simples de seguir: Dois para a esquerda, onde eu estava, dois para a direita, uma meia volta e o lance se repetia com as mãos batendo palmas. Então resolvi fazer tudo ao contrário e dava encontrões nela na hora dos passinhos, mas nada de reclamações. Me olhava com gravidade sem parar de dançar ou mostrar qualquer espécie de irritação, o que me condicionou a ousar mais na desobediência das regras. Bati os pés no chão cheio de frenesi, dei socos no ar, pulos para frente e para trás e nada. Ela continuava impassível e elegante seguindo os mesmíssimos passos do início, e eu só fui perceber que estava desperdiçando as aulas de uma excelente coreógrafa no momento em que, no refrão, quando a Tori diz &lt;em&gt;"I'm glad you're on my side"&lt;/em&gt;, a menina fazia um gesto teatral, elevando um bracinho por vez a cada repetição desse mesmo verso, acima da cabeça, feito uma onda invertida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fiquei indignado. A essa altura, assistindo ao que ela fazia com os bracinhos, eu já estava pensando em como é que, com vinte anos a mais que aquele pedaço de gente, eu me dava ao luxo inútil de me sentir um velho encarqueirado sem a menor coordenação motora, enquanto ela, minúscula, ridícula, com os cabelos ainda ralos todos esvoaçantes pela sala da minha casa, se permitia o orgulho de tentar ensinar alguma coisa a um velho encarqueirado fazendo troça em cima da tentativa dela, por si tão nobre. Descobri, por bem - pelo MEU bem - ser melhor levar aquilo mais a sério.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Restartei a música e dei pausa. &lt;em&gt;Taxi Ride&lt;/em&gt;, faixa 14. Disse que agora era para valer. Ela se recompôs, ereta, esperando o play. Apertei o play e me recompus do lado dela, ereto, esperando ser conduzido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E a lição recomeçou. Na introdução e primeira parte da música, os passinhos iniciais eram iguais aos de antes: Dois para a esquerda, mais dois para a direita, a meia volta no nosso próprio eixo e de novo o lance se repetia. Fácil. Mas eu não conseguia crer que ainda me atrapalhava, dançava de frente para a minha própria descoordenação a cada meia volta e me sentia obrigado a fazer tudo outra vez. Ela, muito paciente e generosa, me concedia o tempo que eu precisasse para reorganizar as minhas pernas, e também persistente como uma boa professora de dança, recomeçava com a mesma elegância a mesma coreografia. Na segunda parte da música já me sentia mais familiarizado com tudo aquilo, e fazia as meias voltas com destreza, arriscando até uma volta completa mais meia, só para impôr respeito. Nisso, iniciava a terceira parte dela e os passos mudavam um pouco. Notava que a menina parava de se deslocar com os pés e improvisava alguma coisa com os braços e os ombros, jogando o corpo com uma sensualidade tão precoce quanto cômica e sugerindo que eu também inventasse alguma moda. Por falta de algum gesto mais criativo, eu me lembro de ter dado um pulo, batido palmas e de me sentir ridículo em seguida, mas como dançar-sem-saber é mesmo a exaltação do ridículo, vambora. Eram os pré-movimentos para o refrão - aquele refrão em que ela erguia os bracinhos- e na temida hora do &lt;em&gt;"I'm glad you're on my side"&lt;/em&gt; lá estava eu, lado a lado com uma criança de sete anos, fazendo ondinhas inversas com os meus braços elevados por cima da cabeça. Primeiro um, depois o outro - e depois OS DOIS JUNTOS.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Depois das tais ondinhas, é óbvio que todas as minhas travas foram embora. Me encontrei dançando tão à vontade do lado da Julia na minha sala como se tivesse nascido com os pés numa pista de dança, e eu agora conduzia invenções, jogava com o gingado dos meus ombros, movia os braços pelo cabelo, criava chutes no ar como se estivesse num cabaré do século dezenove e até teria sapateado nas paredes feito o Fred Astaire, se pudesse. Ela deixou a carranca de professora de lado e ria. Com alguns gestos meus, gargalhava. Mas não parava nunca de dançar. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nós dois não parávamos nunca, e já não era mais da menor importância ou necessidade existir ou não alguma coreografia, alguma intenção maior de organização ou sintonia de gestos harmônicos entre a gente. Tudo isso estava ali em cada bagunça das mãos, nas envergaduras do tapete, no suor e nos braços, nas gargalhadas dela e nos karatês da Yoshimi, na &lt;em&gt;"Lily is dancing on the table"&lt;/em&gt; e, principalmente, nas ondinhas que obedecíamos com uma sincronia tão expressiva quanto perfeitinha. Sim, I'm so glad you're on my side...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E foi assim que eu aprendi a dançar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113831156409106560?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113831156409106560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113831156409106560' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113831156409106560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113831156409106560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/01/de-como-eu-aprendi-danar.html' title='De como eu aprendi a dançar'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113810681661149466</id><published>2006-01-24T13:20:00.001+01:00</published><updated>2006-01-24T14:05:47.046+01:00</updated><title type='text'>De passagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quase nunca zapeio a TV, e se arrisco de vez em quando é para tentar provar para mim mesmo que alguma coisa no meio televisivo pode ser aproveitada. Ocorreu ontem que fiz isso e acabei dando com os olhos e os ouvidos numa entrevista breve com o Cristiano Mascaro, na qual ele, o fotógrafo, o homem da rua e do olhar tendendo ao poético, falava sobre a relação que encontra entre a fotografia e a literatura, terminando por citar Pessoa. Achei que seria justo comemorar a coincidência entre a minha busca e a dele em citações, exaltando de certa forma o compartilhamento ilhado da adrenalina que habita essa mesma busca e o talento inato para a recriação sensível da realidade, própria de todo e qualquer ato criador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/sto%20antonio.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"...Eu de cabeça pra baixo no centro da minha consciência de mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rua sem poder encontrar uma sensação só decada vez rua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rua pra trás e pra diante debaixo dos meus pés&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rua em X em Y em Z por dentro dos meus braços&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rua pelo meu monóculo em círculos de cinematógrafo pequeno,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Caleidoscópio em curvas iriadas nítidas rua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bebedeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bater das fontes de estar vindo para cá ao mesmo tempo que vou para lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Comboio parte-te de encontro ao resguardo da linha de desvio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vapor navega direito ao cais e racha-te contra ele!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Automóvel guiado pela loucura de todo o universo precipita-te&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por todos os precipícios abaixo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/1600/sto%20antonio.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E choca-te, trz!, esfrangalha-te no fundo do meu coração!..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Trecho de &lt;em&gt;Passagem das Horas&lt;/em&gt;, de Álvaro de Campos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Foto: Cristiano Mascaro - Rua Santo Antonio, São Paulo, 1978)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113810681661149466?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113810681661149466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113810681661149466' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113810681661149466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113810681661149466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/01/de-passagem.html' title='De passagem'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113793384646046001</id><published>2006-01-22T13:08:00.000+01:00</published><updated>2006-01-22T18:35:03.356+01:00</updated><title type='text'>Invasões</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;All violence consists in some people forcing others, under threat of suffering or death, to do what they do not want to do. (Leo Tolstoy) &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 174px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" height="239" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/new%20york%201966.0.jpg" width="178" border="0" /&gt; &lt;p align="left"&gt;A belligerent state permits itself every such misdeed, every such act of violence, as would disgrace the individual. (Sigmund Freud)&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/clockwork.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="left"&gt;You never need an argument against the use of violence, you need an argument for it. (Noam Chomsky)&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/284/733/320/irrevers%3F%3Fvel.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Fotos: 1 - André Kertész, &lt;em&gt;New York&lt;/em&gt; (1966) ; 2 - Cena de &lt;em&gt;Clockwork Orange&lt;/em&gt; (1971), de Stanley Kubrick; 3 - Cena de &lt;em&gt;Irréversible&lt;/em&gt; (2002), de Gaspar Noé)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113793384646046001?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113793384646046001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113793384646046001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113793384646046001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113793384646046001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/01/invases.html' title='Invasões'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113758707783195685</id><published>2006-01-18T12:40:00.000+01:00</published><updated>2006-01-18T20:53:51.603+01:00</updated><title type='text'>A Espera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Me contaram a história ontem à noite, num ponto de ônibus na Avenida Paulista: &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; se apaixonou por &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; depois de um tempo no qual a amizade tinha se cristalizado e sublinhado um relacionamento absolutamente harmonioso. &lt;em&gt;A &lt;/em&gt;tem um talento inato para o desenho, admira Bosch e as ilustrações do Yôyô, chargista do início do século passado. Cria composições cheias de traços firmes, clássicos, mas compensa toda a simetria na dramaticidade que encontra no domínio da luz. Enquanto isso, &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; tenta investir no cinema, dar um rumo para os seus roteiros prontos e encontrar espaço para pôr em prática tudo o que aprendeu sobre fotografia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ambos se formaram no mesmo ano, respectivamente em Artes Visuais e Direito. &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; morava com a família num bairro mais afastado, numa casa pequena e desconfortável que ficava em cima de uma padaria, e quando conheceu &lt;em&gt;B, &lt;/em&gt;este já vivia sozinho no centro, entre cursos de fotografia e participações em alguns curtas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Alguns meses depois eles faziam tudo juntos, como amigos. Era uma troca interessante: Muitas fotografias inspiraram desenhos e alguns destes tiveram roteiros escritos só para eles. A troca era encantadora e produtiva, plena de uma afinidade dessas que conspiram para que a vida deslanche saudável, mais amena e menos urbana. Era "um lago no meio da Paulista", como me disseram ali no ponto - me fazendo lembrar pela primeira vez das descrições das afinidades eletivas entre as personagens do Goethe, da química e das inclinações naturais que ele examina no romance.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt; se apaixonou por &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; em algum momento que só o tempo dele conhece, e declarou o sentimento enquanto atravessavam a rua com o farol aberto para os carros, ali mesmo, na Paulista. Já tinham, a essa altura, se beijado. &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; já tinha dado a &lt;em&gt;A &lt;/em&gt;todos os sinais de que o campo estava escancarado para receber outro universo, as trocas íntimas nas horas cansadas dos dias já tinham acontecido havia muito tempo e era hora para aquilo. Mas &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; parou no meio da rua, abriu uns olhos desnorteados e arregalados, quase foi pego por um ônibus e disse exatamente com estas palavras: "Mas não era isso o que eu queria que acontecesse..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ao me contar essa história, &lt;em&gt;B&lt;/em&gt;, encurvado sobre a mochila cheia de aparatos fotográficos, solta os olhos vagando pelas esquinas da avenida. São onze da noite. Está ali parado, tranqüilo, incompleto e agora silencioso. "Foi ali, olha..." Aponta o farol-cenário da declaração de amor e se propõe refletir um pouco, abrindo em seguida um sorriso cheio de malícia: "Sacanagem fazer isso no meio da rua, né, meu... Eu quase fui atropelado!" Aí tudo silencia de novo, uma gargalhada baixa sai daquela boca e um "não" do menear da cabeça. "Pffff..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- Sacanagem, né meu...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Continua a contar e me diz que a solução que &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; encontrou naquele dia foi argumentar a favor da relação e de si, jogando os desenhos e os roteiros no meio das argumentações, expressando uma indignação inerente ao erro de ter interpretado tudo tão mal, tendendo à autocomiseração e à súplica. E a solução que &lt;em&gt;B&lt;/em&gt;, ele mesmo, encontrou, foi fingir e se afastar daí em diante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Eu não podia mais ser eu mesmo naquela situação", eu ouvi. E completou confessando que passou a dissimular todo o interesse que tinha pelo que &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; produzia, se esforçando por meses no sentido de fazer o cuidado parecer desinteresse. Não respondia mais os telefonemas, mas toda vez que o telefone tocava sentia o peito disparar, não falava mais sobre lembranças compartilhadas, mas elas estavam vivificadas nos roteiros que gostava de reler e nas fotos que tinham tirado, não respondia mensagens no e-mail, mas relia os antigos. Dois anos depois, &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; expôs uma série de desenhos numa galeria, e apesar de &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; não ter aparecido, procurou ler tudo a respeito, perguntou detalhes a pessoas que foram e a amigos em comum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O ônibus de &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; aparece lá no fim da avenida e um ar de desconforto substitui a calma encurvada. Tira a digitalzinha da mochila e clica na direção do farol, colocando a própria mão esquerda em quadro, com a palma virada para a rua. Depois diz: "Quer saber? Foi a melhor coisa que eu vivi".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Achei essa última frase tão impactante e cheia de uma sensação que me entortou os sentidos. Absorvi, sem querer absorver. Perguntei então o porquê de ter dito aquilo para&lt;em&gt; A&lt;/em&gt;, mas não tive qualquer resposta que me ajudasse a destrinchar essa coisificação dos sentimentos humanos, o controle que a gente supõe poder ter sobre tudo. Admirei, numa fração de segundos, a coragem adotada pelo homem no sentido do mergulho no seu próprio e fosco eu, mesmo quando abdica de outras facetas que reverberam e devolvem o mesmo eu. Repenso a vida alheia a mim e reafirmo, internamente, o teor do meu respeito pelas inseguranças, pelos medos, pela sinceridade no desamor ou pelo natural esquecimento de um sonho, desde que seja este, de fato, natural, e o sonho não tão sonhado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;De dentro do ônibus, &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; me acena e faz um sinal para que eu ligue depois. Respondo que sim num gesto com o polegar erguido - sinal que eu nunca uso - e assim que o carro dispara no sentido da Rua Consolação, fica o tal cruzamento do farol por trás dele, deserto. São onze e onze da noite. Ninguém atravessa, nenhum carro passa. Ouço os quantos silêncios no mundo que são desperdiçados por dia nas ruas e nas casas, a um tempo em que as palavras mais relevantes para uma vida poderiam ser resgatadas dos cruzamentos das almas e não são. Ficam ali presas, esperando carros e pessoas passarem, em concreto armado duras e cinzas feito uma calçada de esquina qualquer. Então eu me levanto e sigo a pé mesmo... Já está muito tarde e eu, cansado de esperar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113758707783195685?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113758707783195685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113758707783195685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113758707783195685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113758707783195685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/01/espera.html' title='A Espera'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113732590332739399</id><published>2006-01-15T12:22:00.000+01:00</published><updated>2006-01-16T18:57:24.793+01:00</updated><title type='text'>Pequena crônica noite adentro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Uso de um fato para fazer, ao mesmo tempo, uma nota sobre o comportamento da minha geração e uma tentativa de compartilhar percepções. E esses dois elementos, apenas, me servem aqui como substituições do apelo ou da crítica que eu não me vejo no direito de manifestar, porque estão por completo fora do meu âmbito.&lt;br /&gt;Não dormi esta noite. Passei a madrugada fora de casa, numa das baladas mais hypadas da cidade, e voltei há pouco tomado por uma sensação que, se não chega a ser constrangedoramente triste, é incômoda e derivada da minha sempre presente inclinação natural para olhar o outro. Eu não quero dizer com isso que seja um incômodo pura e simplesmente direcionado ao que eu não aprovo no comportamento de homens diferentes de mim, mas talvez (não sei) relacionado à sensibilidade que eu desprendo do meu sentimento por questões que absolutamente não são minhas, ao meu compadecimento e à conseqüente abertura que eu me dou a questões que talvez não tenham nada a me responder.&lt;br /&gt;No meio do vai-e-vem dos corpos em movimento entre as paredes escuras, à luz baixa, do som alto e das bebidas geladas, dos olhos vidrados e algumas caras risonhas sinalizando o "sim" ou o "não" para o sexo, três garotos se aproximaram para conversar comigo e uma amiga, nós dois já tão cansados quanto bêbados e quase entregando o nosso sono para as tais paredes escuras, numa noite que ambos sentiam não ser deles de alguma forma e imersos em pleno deslocamento de uma manhã errada. Um dos garotos se sentou do lado dela, outro do meu, eram irmãos. E enquanto eles diziam coisas não de todo inteligíveis para a gente, o terceiro olhava tudo em volta com os olhos perdidos e reprimidos de quem não se encontrou sequer na vida, quem dirá nessa madrugada. E decidiu circular.&lt;br /&gt;No decorrer da noite, entre os encontros e os desencontros desses cinco personagens naquele espaço pequeno e num curto período de horas, muitos diálogos inócuos foram travados, muitos sorrisos ornamentais foram trocados, alguma coisa interessante foi anunciada, alguns olhares sinceros foram divididos, mas naquele terceiro garoto o desconforto continuava morando de aluguel, e eu o senti quase que como um parasita dentro dele, fazendo com que o rapaz desviasse olhares, evitasse qualquer diálogo, não parasse quieto em um lugar só. Os dois irmãos decidiram ir embora. Como não vimos mais o outro menino, achei que também tivesse ido.&lt;br /&gt;Resolvi subir até o mezanino com ela, onde existe um bar, e paramos por ali, conversando. Notei que logo na minha frente um casal de garotos se beijava, com bastante carinho até, e um deles eu via nitidamente: Era um rapaz bonito, com traços masculinos mas mesmo assim delicados, o cabelo azulado e alguma afetação displicentemente afetuosa nos gestos para com o outro, enquanto este estava fora do meu campo de visão, encostado numa das paredes escuras. Depois do beijo, o moço de cabelo azulado disse qualquer coisa para ele, sorrindo, e se afastou, segurando a mão do primeiro. Quando ele puxou, no sentido de conduzir aquela mão para algum outro canto do lugar, vi que o rapaz encostado na parede era o amigo dos dois irmãos que tinham ido embora, e não deixei de me surpreender de leve ao ver que um dos dois tinha comentado com a gente que "achava que ele era gay".&lt;br /&gt;Ele parecia bastante tonto pela bebida a uma altura daquelas, e foi colocado pelo outro num banco atrás de uma porta para uma sala avermelhada que me parecia ser a entrada de um banheiro. Logo em seguida, o menino de cabelo azulado entrou nesse cômodo, onde um terceiro rapaz estava de pé de frente para a porta, e entregou à tal figura um beijo que qualquer um poderia dizer que se tratava de uma manifestação apaixonada de afeto, o último dos beijos. Olhei para o menino quieto, sentado no banco com as pernas paralelas e a cara atrapalhada de quem bebeu demais, e me senti penalizado ao perceber que o desconforto de antes tinha dado lugar a uma situação teatral e patética. Assim que o gesto de carinho terminou dentro da sala, o par do moço saiu porta afora sorridente, segurou de novo a mão do rapaz sentado e puxou, conduzindo agora essa mão, entre uma verdadeira fila de espera, para uma sala escura, ou, como chamam comumente, a "dark room".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Eu quis descer de novo, e voltei a me sentar acompanhado da amiga no mesmo lugar de antes, cheio de sono e querendo com um pouco mais de vontade esperar a melhor hora para sair de lá. Acabei cochilando uns quinze minutos do lado dela e quando acordei, o garoto quieto descia patético e sozinho as escadas, passando um lenço no rosto. Parou no balcão do bar, bem na minha frente, apoiou as costas nele e abaixou a cabeça: O desconforto tinha voltado. De vez em quando ele meneava a cabeça feito um "não", e isso reverberava em mim com uma expressividade tão forte que só mesmo os cegos não conseguiriam notar. Quando ele ergueu um pouco a cabeça, deu de cara com o meu olhar e, confesso, deve ter se sentido vasculhado. Eu tinha acompanhado toda a trajetória humana dele naquelas horas sem que ele percebesse até então, mas aquele olhar furtivo, sem querer, denunciou a minha invasão. Saiu do balcão e foi circular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Não vi mais nenhum dos dois até um pouco antes de ir embora, quando ambos passaram e sumiram na minha frente: O de cabelo azulado ia na frente, impacientado com alguma coisa, gesticulando forte, mas ainda displicente e afetuoso, enquanto o menino quieto seguia alguns passos atrás, querendo dizer alguma coisa, ainda desconfortável, senhor de todas as suas concessões e incapaz de alguma coisa que, se nem eu sei o que é, como ele poderia saber?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Me sinto satisfeito de repente por estar em casa agora e escrevendo sobre as minhas percepções, no meio dos meus pequenos arquivos de música e esboçando uma vida nova para este ano, sentindo nascer um interesse maior pela pesquisa e pela filosofia. Mas sobretudo me sinto satisfeito de repente por ter sido sempre honesto com os meus sentidos e sentimentos, sendo conhecedor tanto da minha ternura quanto do amor que eu mereço em troca desse ser inerente a mim, amoroso, consciente e em essência, quando não encontra os ruídos diversos, unicamente sereno. O meu desconforto e a ausência de calma que às vezes assolam os meus anseios, são meus e de mais ninguém. Me penso satisfeito pela minha racionalidade, mas penalizado por quem não se satisfaz em afetividade, e entendo isso tudo que foi dito aqui como uma decorrência tão condicionada pela origem das tantas dúvidas e dos tantos conflitos humanos que me julgo incapaz de julgar, e me finalizo à beira de um entendimento do outro que não se finaliza em si, mas transcende das coisas para o ser, e de mim para o que necessita, sem o saber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113732590332739399?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113732590332739399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113732590332739399' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113732590332739399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113732590332739399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2006/01/pequena-crnica-noite-adentro.html' title='Pequena crônica noite adentro'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113594562547574300</id><published>2005-12-30T12:53:00.000+01:00</published><updated>2005-12-30T14:01:08.066+01:00</updated><title type='text'>Matinal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi uma manhã só de cores. Saturações conscientes e inconscientes que me pediram para reciclar os elementos em excesso no meu tempo interno e eu, um ponto final esférico-fantasioso pintado quase fora da página, obedeci (por inércia?) Eu absorvi a indignação pela tua absurda indiferença, a repulsa pelo teu prazer em consumir os meus movimentos (procurando o quê?), o medo que eu tenho do teu silêncio interessado, a desconfiança do teu anonimato, a tua fome de humanidade virada do avesso e de luz artificial. Depois digeri tudo isso e devolvi. Um clique pode revolucionar universos microscópicos, e isso é o fim, o desumano, o novo século. Que tente, então, vir agora a liberdade dos subterfúgios, dos receios, pretextos e desculpas, de tergiversar, inverter, projetar, temer, das obsessões, vaidades, manias e arquivos. Me enviaram tantos deles durante este ano que eu até me perdi no meio, com a ponta do nariz procurando algum ar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi uma manhã só de luz. Quando eu pensei ter deletado tudo da minha máquina percebi ter sobrado um, pequeno, discreto, escondido num canto do monitor onde o sol da minha janela batia. Dizia "artista desconhecido - faixa 1". E decidi escutar, me surpreendendo com um som que eu nunca tinha ouvido antes sublinhando as minhas resoluções finais ( sequer me lembro de quem me enviou). Coisas de internet. Ei-lo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.videolog.tv/imaginis"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;www.videolog.tv/imaginis&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu sou luz, cor e música, me identifico com o sol de julho e com o que existe de orgânico nos gestos por trás das projeções. Descobri enfim, e tarde, que você se encontra máquina, sabe-se programável, sedenta por controle e autoproteção. Você acredita na sua mentira, você é muito mais frágil que eu... Com o quê, ou quem, você se identifica?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113594562547574300?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113594562547574300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113594562547574300' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113594562547574300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113594562547574300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2005/12/matinal.html' title='Matinal'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113481999302549983</id><published>2005-12-17T12:19:00.000+01:00</published><updated>2005-12-25T13:47:09.970+01:00</updated><title type='text'>Broken Flower</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sonho com um transatlântico parado num porto, e nele estão todas as pessoas que eu conheci até hoje, absolutamente todas. Num determinado momento, mesmo ancorado ele começa a naufragar, a água invade aos poucos cada um dos andares e compartimentos e os passageiros entram em desespero como se estivessem em alto mar. Inicialmente dentro dele e correndo com o Gab pelas escadarias e corrimões, encontro alguns papéis importantes na minha bolsa com um bilhete da Beatriz: "Diego, cuida disso para mim! Por favor! Bia". Me vejo parado no porto num segundo momento, assistindo ao naufrágio. Um dos quadrantes do navio, o inferior direito, faz um barulho ensurdecedor e de um jeito assustador, monumental, desmorona. Os meus conhecidos e amigos se esgueiram pelos corredores como num formigueiro cortado na transversal. Depois, lenta e ruidosamente, uma das pontas se inclina para dentro da água e o barco se parte ao meio, enquanto a ponta que fica emersa empina e começa a afundar aos poucos. Esperando que a parte inferior da ponta do que sobra do navio estivesse a uma altura razoavelmente acessível para mim, eu pulo sobre ele por puro instinto e me vejo submergir no azul escuro e silencioso do mar, bem ao lado do porto. Me desprendo dos ferros da embarcação e dou encontrões em quem havia afundado antes de mim e já volta para a superfície. Meu falecido avô Adolfo é uma delas. E isso é tudo que me vem à memória.&lt;br /&gt;Dezembro este ano tem sido um pouco mais frio que o normal. Num desses dias você acorda pisando largo, o cabelo ridículo de quem foi dormir com ele molhado na noite anterior e o cansaço do ano todo ainda tomando conta do corpo. Descobre que o leite desnatado acabou e que o seu fone de ouvido - que você comprou há duas semanas - está solenemente se recusando a emitir qualquer som no lado esquerdo. Então você engole qualquer coisa e vai se enfiar na Internet, logar, blogar, fotologar, videologar, musicologar, orkutologar e todas essas nerdices de quem não tem nada melhor para fazer, a não ser que opte por brincar de bolinha azul com o poodle preto e neurastênico que caiu de pára-quedas no meio da sua casa há algumas semanas - um "presente" de duas velhinhas bastante descoladas que simplesmente não sabiam mais o que fazer com a Síndrome de Bin Laden do animal (que pretende ainda, obtusa e observadoramente, desestruturar a vida da minha família, destruindo os meus móveis e exterminando a mordidas todos os conhecidos que visitam a gente). Depois de escrever no blog sobre todo o seu cansaço e a sensação nada super-heróica de invisibilidade e submersão, com o sonho do naufrágio ainda fresco na cabeça e com base no desejo de, por um instante da vida, não precisar mais refletir sobre o seu papel na sua própria existência e na das pessoas que você toca ao longo da sua trajetória - você sai de casa, vive mais um dia de rotina e volta, só para descobrir que o seu texto matutino no blog inspirou algum coração sensível a fazer para você uma declaração de amor anônima e tecida nos fios de um passado, dentro do qual você precisa fazer certo esforço para se lembrar das cores e texturas, caindo assim mesmo nas dúvidas, nos confrontos, nas margens de possibilidade, na incerteza e na ambigüidade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Gente... Que coisa estranha..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O meu primeiro impulso, depois de alguns segundos, foi chamar a minha mãe para que ela lesse. Logo em seguida eu reli. Me lembrei de relance do compartilhamento dos sonhos íntimos de seis meses atrás e revisitei o horizonte urbano da janela do apartamento onde eu fumei maconha a primeira vez, com 21 anos, acompanhado. As costas lisas azuladas, deitadas na minha frente um ano atrás, no hotel. Os cds do Metallica que alguém escutava, &lt;em&gt;Unison&lt;/em&gt; na janela do ônibus o calor em São Paulo e o café da manhã que eu levei para o meu quarto, na minha casa, na minha cama. Aquele olhar perdido no meio da loja de Cd's, aquelas outras pernas, aqueles outros beijos, o som da guitarra que vinha de longe, o piano da Tori o perfume na travessa embaixo do Minhocão a coleção de clips gravados que ele tinha o metrô em movimento o estranhamento do primeiro beijo (seco...) a corrida na calçada escutando &lt;em&gt;Let Down&lt;/em&gt; Ok Computer o suor Bob's bienal de São Paulo preservativos o livro do James Joyce que eu ia ganhar de presente e não ganhei a franja brilhando no sol o choro em público a compressão do corpo e o grito, rompendo o silêncio da madrugada lá fora, enquanto eu não conseguia dormir porque não estava em casa.&lt;br /&gt;Me confundi com o anonimato. Essa propriedade contínua de insegurança e prepotência que o anônimo incorpora por natureza fez com que eu me visse espelhado num instante. Teriam sido os meus sentimentos reais, vivos e efetivos, vistos de fato um dia? E eu, teria no meu espaço físico ulterior entendido quais eram as necessidades dos outros seres naqueles momentos isolados da minha vida? Onde foi que se ocultaram os meus amores possíveis? E onde eu, com as minhas certezas e resoluções, valores e virtudes, me escondi?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Gente... Que coisa estranha... É a primeira vez que alguém diz que me ama..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Essa frase ecoou aqui dentro e eu fechei o Explorer. Decidi que ia dormir mais cedo porque o Benji estava latindo muito e a minha família fazendo o barulho de sempre, a pia com problemas, meu pai que não leva nunca o lixo para fora ouvindo todas da minha mãe que nunca desiste de pedir para ele levar, meu irmão com aquele Slipknot infernal no dvd.&lt;br /&gt;Fui dormir deitado no disfarce que eu costurei para mim mesmo de que o que eu sentia era lisonja, mas acordei com ele em farrapos. Eu estava nu e iluminado de manhã, exposto ao meu tempo afetivo, incomodado, invadido pelas intenções alheias de um mundo qualquer e não me preocupei em momento algum em saber se isso era bom ou ruim, mas sim no que eu tinha feito de tão importante para aquela pessoa, e principalmente quem era ela. Escrevi para o passado que ainda dói, não era. Escrevi para um representante do pretérito que já não implica em dor alguma, também não era. Falei com amigos recentes, com quem eu estou conhecendo agora, com amigos antigos. E quanto mais eu tentava inconscientemente direcionar a questão para fora de mim, para as percepções alheias sobre o contexto, mais eu me via refletido nos olhares deles como o anônimo que mergulha no oceano largo e profundo de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Deus! O.O", "Nosssaaaaaa","Que coisa boba se for brincadeira.", "É ele. Tenho dito.","Isso não é da minha índole. E é uma atitude covarde, tomo as tuas dores.", "Caraaaaaaaamba!", "Você deveria estar feliz, não irritado, é uma declaração de amor!", "Invasivo... Né?", "Nossa, filho, quem será?", "Hum. E daí?", "Affff", "Filho da puta, né meu?", "Foi alguém com quem você saiu três vezes, vai por mim".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Conectei então, um dia depois da declaração que me fizeram, o naufrágio onírico à metáfora do momento de análise de vida. Chego recorrentemente ao caminho do cansaço e desisto de pensar, o que por si me orienta a deixar para lá todos os questionamentos que eu mesmo suscito, mas sinto a um tempo a necessidade de pelo menos tentar resolvê-los, porque existe alguma coisa aqui a ser corrigida agora, enquanto eu posso ser capaz de discernir e isolar o que significa emitir as palavras "Eu te amo".&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"...É a primeira vez que alguém diz que me ama..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Talvez parte da minha indignação pelo anonimato tenha sido essa: Foram 27 anos e uma declaração de amor - anônima. E pior, pode ter sido uma brincadeira ou mesmo provocação de alguém que não gosta de mim. Mas onde está, englobando isso tudo, o merecimento? Onde está a capacidade tão nobre que o homem ainda guarda de assumir os próprios sentimentos de amor e ódio, de ser honesto, de doar ou esbofetear sem ter medo e de procurar viver a cuspida ou o beijo, o entendimento entre o porto e o navio sem a hesitação pela possível iminência de um naufrágio? De repente pareceu a mim mesmo que a minha capacidade humana de amar, ampla e sincera desde sempre, é vista pelos olhos turvos de quem ainda não se encontrou em amor, não se vê merecedor de um compartilhamento sendo ou não tal merecedor, mas aí esbarro num vício que me puxa de uma outra verdade plausível: A de que eu possivelmente transmita o meu sentimento de um jeito falho, incompleto por algum motivo, sempre concedente e pouco impositivo no sentido da conquista do outro. Será que a falta de coragem do anônimo foi um reflexo do meu egoísmo?&lt;br /&gt;Penso que eu próprio poderia ter escrito a mensagem. E se tivesse sido eu, seria sincero. Reconheço em algum lugar do meu íntimo tanto o amor-próprio quanto o anonimato dele, mas o que precisa ser questionado aqui é o papel do ar respirável entre um e outro. É a incapacidade dos passageiros de saírem do navio que naufraga em pleno porto e o instinto tardio de me atirar em cima dele. Ao que eu me apego? O que, em mim, encanta e afasta? O que faz bem a esta alma e aquela outra ao mesmo tempo, quando há anos é conhecido o fato de que as almas são poetizadas justamente por não se entenderem nunca.&lt;br /&gt;O anonimato partiu ao meio um processo meu, e agora me sinto Don Johnston. O caminho do personagem no Broken Flowers do Jarmusch é uma jornada metafísica que se orienta para o passado e a morte como símbolo de uma transformação uterina, vital, essencial e urgente. E somados à habitual avaliação de prioridades e balanços de final de ano, os rostos claros e corpos nus que eu revi durante esses dias, os olhos que eu novamente ajudei a fechar com os meus dedos nas últimas noites, as vozes que eu não escuto mais por perto mas cujos timbres eu sei melhor que ninguém reconstruir mentalmente, todas essas criaturas que eu amei, que me amaram em sua forma peculiar e sincera, refletiram para mim o universo que eu sou e fui um dia, me lançando fundo na confusão do redemoinho onde se conflituam os gestos de amor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Gente... Que coisa estranha..."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113481999302549983?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113481999302549983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113481999302549983' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113481999302549983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113481999302549983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2005/12/broken-flower.html' title='Broken Flower'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113478735652112225</id><published>2005-12-17T03:41:00.000+01:00</published><updated>2005-12-17T03:42:51.913+01:00</updated><title type='text'>Pergunta para 2006</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;O que será que eu fiz de errado?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113478735652112225?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113478735652112225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113478735652112225' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113478735652112225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113478735652112225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2005/12/pergunta-para-2006.html' title='Pergunta para 2006'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14483731.post-113459766722472428</id><published>2005-12-14T22:07:00.000+01:00</published><updated>2005-12-15T14:00:45.930+01:00</updated><title type='text'>Rascunhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Laconismo . Indiferença. Anestesia. A vida está lá do outro lado, eu sei, mas dá sinal de ocupado direto: Os textos inacabados eu tenho guardado. As músicas dançantes que eu tenho baixado, agrupo na minha pasta de jazz. Os cento e cinqüenta passos anteriores à chegada no estágio eu pulo, mas percebo os pulsares, o coração soprado, os olhos, a boca, os passos, os passos.&lt;br /&gt;Tenho agido ultimamente comigo como quem se vê de costas no espelho indo sempre para frente e não saindo da dimensão inicial. Enfio fones nos meus ouvidos para entrar em viagens, enfio os olhos nas telas de cinema ou no computador para não precisar olhar para o lado ou para trás, enfio a cabeça quase toda embaixo do travesseiro quando vou dormir, e tudo porque a urgência do tempo não me atinge mais. Nada me atinge mais. Estou como nunca mais inclinado a experiências sensorias, à textura do ar na pele, à circulação sangüínea, ao salivar e à respiração. É como se o meu corpo estivesse entrando por inteiro num estado de meditação enquanto a minha cabeça ainda está preocupada e reminiscente, descontextualizada e atrás de um equilíbrio maior com o erotismo que o descanso proporciona.&lt;br /&gt;E tudo o que foge a isso se traduz em interrogativas. A sede, a fome, a vontade, a libido, o sono. Por que acontecer assim, e não assado? Com que intenção eu faço isso? Por que eu irrito o meu cachorro com bolas e mãozadas se eu admiro nele a capacidade constante de descansar? Como não terminar os escritos, onde está a força mental e a explosão verbal que sempre se desenvolveram bem das minhas iniciativas? Se esconderam. Me sinto invisível nesse fim de ano, com toda a aura etérea que teria uma verdadeira entidade. Mais que isso, uma epifania invisível e absolutamente esgotada, mas que escolheu o estado de descolorização para ter o princípio do sossego ao alcance, longe das relações. Sumi. Me sinto desconexo quando tento escrever algo que tenha uma linha narrativa ou melódica, o meu lado analógico não funciona mais e o digital está desajustado. Anoto frases aqui e ali para posteriormente ver se rola uma liga, mas a única substância que eu encontro para efetivar essa coesão é mesmo o esgotamento.&lt;br /&gt;Tenho lançado para mim mesmo várias questões para tentar desenvolver. Pensei outro dia em iniciar um possível romance sobre os amores contemporâneos, mas na última semana eu ouvi tantas histórias tristes de complicações afetivas que de cara relutei a experiência. De repente a África me surgiu como uma saída. Retornar aos problemas humanos e dissertar sobre a lata de lixo que o mundo ocidental fez do continente africano seria um bom pretexto para que eu destilasse toda a minha indignação com a indiferença do sub-homem. Mas meu poderio argumentativo foi enfraquecido pela parca nota que eu tirei em Teorias do Texto Escrito II na faculdade, e me recolhi à minha África interior, isso não exige esforço algum que não seja a aceitação da inércia passageira.&lt;br /&gt;E o sinal de ocupado, ali. E o espelho, aqui. E eu de costas. E as minhas fotos skyline noturnas, e a procura, e o estar submerso.&lt;br /&gt;Submerso. Até que a vista desembace e se desligue da água e o baque surdo do ambiente aquático desapareça com uma mão me puxando, exatamente como a minha já salvou pessoas do medo do afogamento. A mesma mão que agora só consegue rascunhar as minhas desconexões até aqui inflexíveis e igualmente surdas, quase sem expressão nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14483731-113459766722472428?l=azure-place.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://azure-place.blogspot.com/feeds/113459766722472428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14483731&amp;postID=113459766722472428' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113459766722472428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14483731/posts/default/113459766722472428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://azure-place.blogspot.com/2005/12/rascunhos.html' title='Rascunhos'/><author><name>Diego Carrera</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14355728169153470879</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
